terça-feira, 14 de abril de 2009

O Ocidente contra a parede

Por: Dalton Almeida


No ano 600 d.C. a Europa presenciou o crescimento de um imenso império mulçumano, que superou as fronteiras árabes e com a intenção de dominar todas as terras que circundavam o Mediterrâneo, invadiu seus territórios por volta de 711, tomando a maior parte da Península Ibérica. O avanço só parou na Batalha de Poitiers em 732, em que os mulçumanos derrotados pelos francos tiveram seus objetivos expansionistas frustrados. Ainda sim, os reis católicos da europa teriam de guerrar por mais oito séculos para reconquistar seu território.
Essa pequena aula de história é útil para montar um paralelo, novamente o mundo ocidental encontra-se às portas de uma expansão árabe, mas com diferenças gritantes. Os atuais povos árabes mulçumanos, estão desorganizados, embora armados e motivados, e em nada lembram o império invejável, amante das ciências, artes e da guerra, que por oito séculos incomodou a Europa, obrigando-a a se reorganizar e unificar , ou seja, evoluir frente a um competidor externo mais forte, em uma quase corrida de mercado capitalista.
Novamente o ocidente encontra-se em uma encruzilhada, desenvolvido e democratizado, em sua maioria, após dolorosos ou complexos percalços como Guerras Mundiais, investimento de gerações em pesquisa e educação, criação de instituições fortes, defesa de direitos e deveres do indivíduo, entre outros, incluso a benéfica e inegável influência da religiosidade cristã, hoje, vê bater às suas portas, os árabes mulçumanos, uma “organização social” deficiente em questões humanitarias, legais, democráticas, de respeito as diferenças e que dominada por um oligarquia de poderosos religiosos, chefes militares ou ricos comerciantes de petróleo, com a excessão destes últimos, a mesmíssima estrutura à época da expulsão árabe da Europa, se vê sob ameaça de perder sua estrutura interna, conquistada após mais de um milênio.
Ameaça essa que utiliza-se de uma técnica distinta, o uso de direito criado no ocidente, para minar aos poucos a própria sociedade democrática.
A uma primeira vista e em um contexto midiático que bate incansávelmente nas potênciais mundias que intereferem militarmente no Oriente Médio, em especial nos EUA, é dificil enxergar o povos árabes como mais que uma vítima inocente e mal preparada, do imperialismo ocidental e que se defende na busca de paz e auto-determinação, com o que pode, crianças bomba e ataques terroristas.
Ainda que seja dificil, é necessario que se entenda, que o Oriente Médio de inocente não tem nada e, longe de se esquecer os valores ocidentais que balizam nossa sociedade, que são o direito de auto-determinação dos povos, a liberdade em suas várias esferas e o respeito a cultura e a religião alheia, é preciso ter bom senso para perceber quando eles estão sendo utilizados e manipulados contra nós e debaixo de nossos narizes.
E o ponto crucial são as guerras patrocinadas pelos EUA.
A mídia bate sistematicamente nos americanos e defende a retirada de tropas e a liberdade dos países sob intervenção, mas esquece os motivos de tais intervenções. Os americanos, entre outros ocidentais, foram atacados de forma covarde, por grupos terroristas patrocinados por governos arábes e com livre circulação e atuação em seus países de origem. Isso não acontece no ocidente, aqui não há grupos terroristas apoiados por democracias e que pregam a morte de civis inocentes em outros países. Aqui, no geral, domina o sentido de responsabilidade e de respeito a vida, seja ela a favor ou não das ideologias dominantes. A diferença é que os americanos, como o resto dos ocidentais, não sofreu os ataques e deixou por isso mesmo, eles foram em busca de uma solução.
Não negarei aqui que a estabilidade no fornecimento de petróleo do Oriente Médio para o ocidente não seja uma preocupação americana, é óbvio que é, o mundo com a globalização reduziu-se e a interdependência aumentou, o que faz do fornecimento de petróleo um elemento de sobrevivência e estabilidade para grandes países consumidores de energia.
Mas é fato, se esses países sob intervenção fossem levemente mais democráticos e estruturados, primeiramente não teriam sido invadidos, pois hoje não existem guerras entre democrácias e, se alguma potência tentasse, a oposição interna e externa seria um empecilho quase insuperável, visto a dificuldade de se justificar uma guerra contra um país democrático, legitimamente eleito e portanto que tem vias diplomáticas para negociações. Não é o caso do Iraque, que foi invadido ainda que a ONU fosse contrária.
Secundariamente a manutenção do “status quo” da economia mundial, também seriam uma preocupação para estes países, o que faria com que o ocidente não se preocupasse com a manutenção do fornecimento de petróleo, pois ele ocorreria naturalmente, através das vias comerciais, ganhando o vendedor e o comprador. Ou seja, os americanose todo o ocidente não precisam roubar o petróleo de ninguém, podem pagar por ele, e caro aliás, mas precisam de quem venda.
Só que isso não é garantido, visto que a grande massa das populações dos países arábes mulçumanos, não-democraticos, são reféns de uma situação lamentável de desenvolvimento e marginalizadas da dinâmica capitalista mundial, devido a estrutura política e de poder reinantes, que permite a seus líderes religiosos e militares extremistas, uma condição favorável única para chantagear o ocidente com a não venda de petróleo e ainda utilizar os recursos obtidos com a venda em planos para destruir os compradores.Seguindo seus interesses ideológicos, pessoais ou religiosos, sem que suas populações se revoltem, pois no geral não são beneficiadas com os valores das vendas e ainda são educadase induzidas a culpar os “demônios ocidentais” pelas mazelas inflingidas por eles (os líderes locais).
Sendo a única excessão os ricos “shakes” do petróleo, que por quererem gastar “seu dinheiro” no melhor da sociedade capitalista, ironicamente, são elementos de estabilidade nas relações ocidente-oriente, visto o interesse que tem na venda do ouro-negro e na estabilidade das relações diplomáticas, embora isso não os impeça de criarem cartéis para manipular os preços do petróleo e concentrarem a riqueza apenas em suas gordas contas.
Quanto as intervenções militares ocidentais própriamente ditas, estas são inegavelmente mais justas em questão de tratamento ao povo local do que as administrações oligárquicas anteriores, pois tem de prestar contas a contribuintes, politicos, jornalistas, sociólogos e muitos outros profissionais de sociedades de moral judaico-cristã, humanitaristas e que votam na manutenção dos seus chefes–militares máximos em exercício,ou seja, os presidentes e primeiros ministros nacionais ocidentais.
Obviamente não quero dizer que em guerras não existam baixas, elas são inevitáveis, mas a opção seria a continuidade do status anterior e ele não seria sem baixas, tendo o ônus de ser em estado indefinido e estático.
Ainda há o aspecto técnico, as intervenções pretendem democratizar e estabilizar, entendendo que para isso tem de reconstruir a estrutura social. Se não fosse este importante detalhe, “o interesse por reestruturar e melhorar os países invadidos”, as guerras já teriam terminado, bastaria o aniquilamento de todos os indivíduos sob ocupação, uma forma de guerra completamente inadimissivel no ocidente, que até para guerras criou regras, nas Convenções de Genebra, embora não o seja para os extremistas islâmicos, com suas promessas de holocaustos.
Portanto é pura demagogia, feita por uma incrível parcela de ditos sociólogos e humanitaristas, defender a livre-determinação dos povos árabes mulçumanos, visto primeiro que estes povos estão sob a mira do rifle de um ditador, ou seja, não são livres, ainda menos livre-determinadores, e segundo, esses mesmos países com “livre-determinação” investem em tentar derrubar os países democráticos que são os originais defensores da idéia de livre-determinação. Basicamente a defesa demagógica é um tiro no pé, praticamente o mesmo que soltar um leão faminto em uma sala em que está só com ele.
Naturalmente nem todos os países árabes enquadram-se no grupo dos intervencionáveis, mas os atuais, Afeganistão de um governo teocrático radical que oprimia a população e patrocinava terroristas e Iraque de um ditador genocída que não só oprimia a população como desestabilizava a região, com certeza estão sob administrações com intenções melhores que as anteriores, administrações atuais que pretendem democratizar e reestruturar os países, ainda que para isso tenham que eliminar imensos contingentes de partidários dos regimes anteriores que não poupam a própria população local na sua busca de poder.
Não nego que as administrações beneficiarão mais que apenas a população local, sendo a estabilidade da região positiva para os preços e a exportação de petróleo, mas, isso não desqualifica o serviço prestado, e garante a todos algum bônus, aos ex-oprimidos um potencial futuro melhor e aos compradores de petróleo um preço sem altas variações devidas a falta de estabilidade, criada por grupos extremistas e pouco preocupados com o povo que administram.

Chegamos então ao principal exemplo de uma ideologia positiva do ocidente utilizada contra ele próprio, “a defesa da livre-determinação dos povos”, pois é pregada de forma cega.
Não defendo que nos esqueçamos de que todos tem liberdade de se auto-determinar, e sim que não nos esqueçamos que a liberdade de um termina nos direitos do outro. A sociedade árabe pode se determinar, desde que nesse processo, não tenha como foco, derrubar a sociedade ocidental ou querer impor seu barbarismo além das próprias fronteiras. Não é aceitável ou certo concordar impassível com a administração de líderes que defendem um novo holocausto judeu, como o líder do Irã, morte ao ocidente como a média dos líderes religiosos mulçumanos no poder, destruição ao cristianismo entre outros absurdos. Quem defende estes líderes, em uma sociedade ocidental livre, deveria ser indiciado por apologia a crimes contra a humanidade, por que é exatamente o que está fazendo. Afinal, não seria indiciado alguém que defendesse em praça pública o extermínio/ assassinato de judeus, imigrantes entre outros e se organizasse, preparando-se para tal?
Em resumo, as intervenções militares ocidentais no oriente não devem ser vistas como pontuais. Elas não são as primeiras e não podem ser as últimas. Os países arábes sob domínio de grupos extremistas islâmicos,não irão parar ou arrefecer, seus objetivos são grandes e seus líderes não economizaram em técnicas para destruir o ocidente, qu suicída, os deixa agir quase livremente. Retirar as tropas de intervenção hoje no Oriente Médio, é assinar um atestado de incapacidade de reestruturar um lugar que a séculos, desde a queda do império mulçumano, está desestruturado, e mostra-se claramente incapaz de desenvolver-se em direção a democracia, aos direitos e a busca de uma menor desigualdade social. Isto pois está engessado cultural, religiosa e socialmente, com fracos sempre fracos e manipulados demais e ricos, graças a sede do ocidente por energia, que nadam em lucros sem ter que fazer nada para ajudar seus povos.
A Europa a séculos viu um império invádi-la e por séculos teve de lutar e morrer para se libertar. Hoje o mundo ocidental tem duas opções, sentar e esperar que os “loucos, terroristas e mártires” atravessem a fronteira, para, ai sim, ir a guerra pelo que já era seu, ou hoje, enquanto ainda temos força e recursos superiores ao inimigo declarado, democratizar e civilizar àqueles que reféns de líderes não-democráticos, são preparados abertamente como o exército para nos destruir. Obviamente o dito “respeito pela cultura” terá de ser flexibilizado, pois não é aceitável respeitar “uma cultura” do “destruir o ocidente/ diferente/não-islâmico”. A guerra é inevitável, mas o número de baixas e o futuro de ambos os lados pode ser mínimo e brilhante, depende de coragem de nossos líderes, atenção de nossa fiscalização e a noção de que o politicmente correto, nem sempre é o estruturalmente funcional ou viável.

3 comentários:

- Hannah disse...

eu vou ler! estou só tomando o fôlego.

- Hannah disse...

Não nos esqueçamos que foram os Estados Unidos que apoiaram a ascensão do ex-ditador iraquiano, mesmo quando este já era presidente e já cometia suas atrocidades.

Se tem alguém que tem o direito de domar um povo em pleno século 21, não considero os Estados Unidos como a nação ideal. Tenho certeza que vão colocar outro capacho no poder e quando este sair de controle (mais uma vez), os Estados Unidos vão tentar limpar a própria sujeira e causar mais uma guerra, sem que, é claro, admitam que foram eles mesmos que financiaram a fera.

Opus Homo disse...

Sim.. é verdade, os americanos apoiaram o Sadam Hussein contra o Irã. E fizeram mal! O Irã não foi vencido e Sadam se tornou um bicho pior do que era antes. Inclusive, durante a guerra fria os EUA apoiaram os nacionalistas afegãos contra a dominação russa. Os russos perderam, os talebãs subiram ao poder pouco depois (já que a fonte de apoio aos nacionalistas secou) e mais alguns anos no futuro nasceu a Al Qaeda. Ainda sim, terrorismo é terrorismo, e não está só no oriente médio e nem é culpa direta dos Estados Unidos, garanto que eles não apoiariam grupos que planejassem matá-los. O mundo é uma coisa muito suja, se vc olhar de perto, a diferença são os objetivos dos Americanos e do ocidente hoje no oriente médio. As atitudes hoje não limpam o histórico americano, mas o histórico tbm não invalida as atitudes atuais. E quanto ao direito de domar, cabe aos que tem força para isso e não necessariamente aos que tem um histórico favorável...e no quesito força, os EUA são incomparáveis atualmente.