sábado, 14 de março de 2009

Cuba Livre, comunismo, neoliberalismo e social-democracia!

Por Gutierres Siqueira

Quando eu era um pré-adolescente, meu pai recebeu de presente o CD do seu primo, um cantor não profissionalizado. O título do CD era “Cuba Livre”. Lembro que então com 11 anos, o “Cuba Livre” me chamava mais atenção do que as músicas MPB daquele disco. Infelizmente ainda não contemplamos o “Cuba Livre”, mas o ditador Fidel continua a jogar todo o seu ódio contra o “maldoso” e “feroz” liberalismo econômico. Realmente, ditadores não gostam dos liberais.

Nessa última semana, o cubano falou mais uma vez sobre a crise em suas reflexões [1]. Sempre que vejo uma pessoa como o ele opinando sobre economia, olho isso como uma grande piada. O que é a economia de Cuba? Nada, absolutamente nada! Bem, na verdade Fidel não opina nesse texto, simplesmente reproduz as palavras de um “companheiro comuna economista”. A única coisa que Fidel fala, logo no final do texto, é uma crítica a grande imprensa. Aliás, os comunistas sempre acusam a grande imprensa de alguma coisa, não é a toa que os regimes “neo-socialistas” latinos, como de Hugo Chávez, persigam jornalistas por meio de milícias que estão a serviço do governo.

Por que Fidel é tão contra o liberalismo econômico? Ora, pois liberalismo combina com democracia, liberalismo político, pouca interferência do Estado em nossa vida particular. Tudo isso Fidel como ditador tem pavor em ouvir. Fidel sabe que se a ilha cubana implantasse o regime econômico neoliberal, os habitantes dessa ilha logo clamariam por uma abertura democrática. Isso é inadmissível para o sanguinário Fidel. Liberalismo é a defesa intransigente da liberdade individual.

Em nome da liberdade defendemos mercados competitivos (e não essa palhaçada do monopólio no Brasil), livre concorrência (princípio pouco observado em nosso país), facilitação de ingresso comercial e evitar ao máximo a intervenção econômica do Estado, pois a mão dele sempre é pesada, burocrática e ineficiente.

Neoliberalismo é o pai da crise econômica mundial?

Acusar o neoliberalismo de pai da crise econômica mundial é uma grande falácia, como mostra o ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega:

A crise teria sido efeito da crença cega no mercado. Ocorre que não existe livre mercado no sistema financeiro. Na verdade, o detonador da crise nasceu de intervenção do estado, qual seja a norma pela qual se financiou a casa própria para milhões de americanos sem condições de pagar. Analistas de esquerda adoram apontar a desregulação. A culpa seria da revogação do Glass-Steagall Act, no governo de Bill Clinton. Essa lei, dos anos 30, separava as atividades de banco comercial das de investimento, mas ficou gagá com a sofisticação e a globalização dos mercados. Penalizava os bancos americanos. [2]

Portanto, ainda na era mais “regulamentada” do governo democrata, os Estados Unidos tomaram algumas medidas. O neoliberalismo simplesmente é o saco de pancadas de todos os males desse mundo, incluindo a crise econômica.

Social-Democracia como solução?

A social-democracia ou “liberalismo-socialismo” falhou na década de 70 com seu programa de “bem-estar social” (Welfare Stat), mas nos últimos anos voltou com força da Europa e especialmente na Inglaterra de Tony Blair. O modelo desregulamentado dos Estados Unidos caiu na crise, isso é um fato, mas não tão profundamente como na mais “regulamentada” Europa social-democrata. Vários analistas econômicos apontam que os Estados Unidos sairão primeiro da crise do que a Europa. Promover o “bem-estar social” pesa o Estado e chama a ineficiência econômica- financeira. Logo, essa política deu certo em países que já tinham feito o dever liberal, portanto já eram ricos e pequenos em sua população, mas promoveram o desejo de acabar com as desigualdades e implantaram essa política meio socialista, meio liberal.

Conclusão

Portanto, bom seria para aquela pequena ilha do Caribe implantasse o liberalismo, tanto na economia e na política. Cuba assim seria livre, assim como o titulo daquele CD.

Notas:

[1] Veja a “reflexão” de Fidel nesse site: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52131

[2] NÓBREGA, Maílson da. Crise: como chegamos a este ponto? Revista Veja. Ed. 2103, ano 42, n. 10. p 106.

Um comentário:

Shellen disse...

A crise sempre vai existir no capitalismo, isso é um fato!