Opus Lux é a obra da razão. Um espaço com reflexões sem amarras sobre política, economia, ciência, cultura e sociedade.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Por que questões locais têm impacto global?
Não é raro ouvir de “inocentes desinformados” ou de pessoas “sem uma visão de mundo mais ampla” a defesa de que cada país deve fazer o que bem entender. E quando se tem em pauta de discussão países do Oriente Médio, que eles “se resolvam por conta”, “da forma que acharem melhor”, e “ninguém tem nada haver com isso”.
Ouvir tais barbaridades de um “Zé ninguém” que entende tanto de política quanto a ciência de entender os “porquês” das coisas, já é algo incômodo e torna-se ainda mais, quando o "Zé" comanda o Itamaraty.
A política diplomática brasileira, oficiosamente, tem trabalhado sobre o tripé “Relacionamento sem preconceitos”, “não interferência em assuntos internos de outros países” e “respeito à diversidade político-democrática das mais diversas organizações governamentais independentemente de serem democráticas ou humanistas”.
Naturalmente que se tratando de uma diplomacia internacional a serviço de um governo petista, que se alia despudoradamente a terroristas das Farc, via Fórum de São Paulo, ela seria apenas oficiosa, ou em miúdos, só respeitará seus próprios preceitos quando, e se, interessarem na estratégia de manutenção de poder e de propaganda.
Com está lógica, “nosso querido”, Celso Amorim viaja o mundo travando relações amistosas com a escória política do planeta. Ditaduras, pseudo-democracias e pseudo-democracias religiosas.
O caso do Irã é o, atualmente, mais relevante e o exemplar de como a atuação do Brasil foi capaz de retardar um movimento de pressão internacional, neste momento, contra a continuidade do processo de enriquecimento de urânio e do programa nuclear iraniano.
Como era de esperar, o governo brasileiro “pacifista” (lembre-se da quase guerra civil em Honduras instigada por “nós” Tupiniquins) levantou a bandeira internacional da tolerância, do “dar mais tempo e espaço para negociações” e da “livre determinação dos povos”. No caso do povo iraniano, da liberdade de este desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos.
Naturalmente que nenhuma potência mundial dedicaria seu tempo a atrapalhar o desenvolvimento técnico e científico de um país, pelo simples prazer de incomodar. Por esta óbvia questão de bom senso, dá para perceber, que Irã só foi e está sendo pressionado, pois não é digno de confiança. E porque não? Talvez o fato de ser um país comandado por um “presidente” patrocinador do terrorismo, negador do holocausto, defensor do fim de outra nação soberana e eleito por meio de eleições amplamente consideradas fajutas e que nas “horas vagas” reprime o povo com o exército, ajude. Mas nunca se sabe, vai ver os EUA e a Europa não consigam engolir os ternos mal cortados, a barba mal-feita e a cara-de-pau sempre presente.
Voltando aos “Zés”, este digno exemplar da coqueluche do pensamento filosófico brasileiro, por não entender de política, da mesma forma que não entende de mais nada, exceto futebol(que todo brasileiro por definição é entendedor), não compreende que “deixar que eles se resolvam” em tempos de alta tecnologia, significa permitir que doidos como Mahmoud Ahmadinejad, desenvolvam bombas nucleares e ataquem países democráticos e de ótimo IDH como Israel. Motivado por politicagens externas, interesses anti-semitas e demonstração de seu poder aos vizinhos quiçá aos EUA.
O que os “Zés” não imaginam é que uma busca simples na internet e/ou em uma enciclopédia, pode mostrar os impactos de uma só ogiva nuclear a médio e longo prazo.
Na história humana os únicos exemplos de utilização militar de armamento nuclear são Hiroshima e Nagasaki . Mas catástrofes locais podem e em geral se estendem para muito além da área atingida.
Para azar do Zé, se os Iranianos e Israelenses resolverem seus problemas na base de cogumelos atômicos, não fará só mal a eles, fará mal ao próprio Zé, que será exposto à radiação das partículas carregadas pelo vento e, provavelmente, apreciará o escurecimento da atmosfera, advinda da fumaça das explosões e queima de cidades inteiras.
Veja o vídeo a seguir e conheça o que é um pós-ataque nuclear:
Brasil como um provedor de oxigênio mais do que desnecessário

Quem já teve a oportunidade de assistir a um filme de ação, provavelmente, já apreciou a cena, clichê, em que um disparo de pistola/revólver atinge um tanque de combustível cheio e este explode. O que a maioria não sabe é que nenhum líquido ou sólido possui a propriedade de pegar fogo, sendo esta uma característica exclusiva dos gases e, apenas, quando estes estão em contato com oxigênio. Desta forma, uma bala só explodiria um tanque se atingisse o gás de combustível e, ainda, criasse alguma fagulha. Nos casos apresentados na maioria dos filmes, o resultado seria um vazamento, nada mais.
Na diplomacia internacional a dinâmica explosiva não funciona de modo diferente. Em uma metáfora livre, sendo o combustível os interesses, a fagulha a oportunidade e o oxigênio as condições, o Brasil, no atual contexto da disputa nuclear envolvendo o Irã, apresenta-se como um imenso suprimento de oxigênio, leia-se tempo, para um tanque repleto da mistura de anti-semitismo, desrespeito à democracia, extremismo religioso e patrocínio a terroristas. E que já tem como potencialmente ativa explosões nucleares locais tem alcance mundial .
segunda-feira, 26 de abril de 2010
“Dinovo, Dinovo, Dinovo” e uma cruzada ideológica

Repetida por coloridos personagens, possuidores de antenas, nomes esdrúxulos, vivendo em uma toca cavada num campo verde e com televisões nas amplas barrigas arredondadas, os Teletubbies são um exemplo de como crianças gostam de repetições integrais de programação e uma metáfora muito clara a respeito da cobertura dos atuais acontecimentos envolvendo a Igreja Católica, e que muito além de apenas jornalismo, se tornou uma cruzada ideológica.
Erro de discurso?
Nos últimos meses a Igreja Católica teve sua credibilidade profundamente abalada pelas muitas denúncias de pedofilia envolvendo seus sacerdotes em diversos locais do mundo, em especial na Irlanda, que ostenta atualmente o número de 30 mil casos.
Em tal maremoto de denúncias, o Vaticano tremeu sob a clava da mídia, que fazendo o que é de sua alçada, exigiu algum posicionamento da Cúria Romana.
Em um movimento ousado para os padrões do Vaticano, o papa Bento XVI publicamente enviou uma carta aos bispos Irlandeses, mostrando o quanto os envolvidos em casos de pedofilia haviam feito mal a si, às vítimas, à sociedade e à Igreja. E, claro, pedindo desculpas aos católicos irlandeses e de todo o mundo por tamanha vergonha.
Dentro de suas possibilidades o papa condenou os atos e clamou aos fiéis que orassem e buscassem penitência pelo mal que abalou a credibilidade da Igreja . Ao mesmo tempo, foi claro em deixar a cargo da justiça local de cada país, julgar e condenar os padres por seus crimes, além de divulgar as normas internas (já existentes) de cunho processual para casos de abuso.
Neste contexto o papa, indo contra a lógica de qualquer especialista em marketing, que tomaria o cuidado de blindar e esconder o sumo Pontífice da “frente das câmeras”, tomou como um líder (que é sua função) pessoalmente a decisão de dar respostas aos anseios de seus fiéis e explicar-lhes o óbvio. Que a Igreja, com milhares de membros eclesiais, também tem suas maçãs podres e que está fazendo tudo a seu alcance para remediar uma situação muito mais séria do que a própria Cúria imaginava.
Tendo em vista os limites políticos de Bento XVI, que não conta mais com o poder militar de seus predecessores, e suas obrigações como chefe da Igreja, este fez claramente tudo a seu alcance para remediar a situação.
Mas a mídia, aproveitando-se da polêmica, nega-se a soltar o osso e deu partida a uma cruzada contra o sumo pontífice, novamente levantando à categoria de verdades absolutas e soluções aos problemas atuais, as já batidas críticas e objeções de outras denominações cristãs que são tradicionalmente inconformadas com o fato de não poderem ditar regras em uma igreja que não lhes diz respeito. Assim, a mídia, iniciou abertamente movimentos para incriminar pessoalmente o Papa nos escândalos e de culpar a tradição do celibato eclesial, via sofisma, pelos atos de pedofilia.
Não bastasse,a mídia agora exige de Bento XVI que em todas as suas aparições públicas, independentemente dos objetivos das mesmas, insistentemente fale a respeito do assunto “pedofilia na Igreja”. A ponto de dizer, nas entrelinhas, que o discurso do Papa em suas aparições tradicionais, a palavra de Deus, não é o que “o povo quer ouvir”. E sim que ele tem de falar (o que vende jornal) um pouco mais sobre a pedofilia e, no mínimo, declarar-se pessoalmente responsável, expulsar os pecadores da Igreja (não no sentido de demissão e sim de excomunhão) e quem sabe, para alegria de todos, renunciar.
Um triste caso e um péssimo jornalismo
Obviamente minha crítica a mídia não procura eximir a Igreja das responsabilidades legais e morais dos atos cometidos sobre aqueles sob sua guarda. Apenas busca levantar que a função do Papa não é ser o responsável direto por todos os atos de todos os humanos autodeterminados que respondem a ele. Como ao dono da Pepsi, por exemplo, não seria impingida a responsabilidade se um de seus funcionários cometesse um crime a revelia da instituição, de seu conhecimento e, em especial, de seu consentimento.
Fica claro assim, que a função do Papa não é, antes da sua função natural, por motivos de interesse mercadológico da mídia, falar sobre um assunto que de dentro do alcance de sua influência já está exaurido. A função do papa é falar sobre Deus. E é irônico ver que a mídia tenta e consegue vender, que Deus, nesse caso, é secundário.
Também quero destacar que sofismas baixos, ainda que nas entrelinhas, não fazem o bom jornalismo e sim, apenas, o mal uso da liberdade de imprensa, controlada por aqueles que claramente tem algum interesse e querem ver o papa pessoalmente envolvido. E assim, provavelmente, terem suas ideologias anticristãs, anticatólicas ou anti-papistas alimentadas.
E como fica?
Enquanto isso e enquanto os próprios católicos não perceberem até onde vai o espírito crítico e quando a defesa do mesmo é apenas proselitismo anticatólico mascarado, a mídia continuará a “Dinovo,Dinovo,Dinovo”, repetir a mesma história, mesmos sofismas e misturar tudo em um grande caldeirão que lhe dê audiência, cause repulsa e inflame o ódio, mesmo que no processo manche a honra de milhares de pessoas inocentes, numa ode a “estereotipação” de todo o corpo de uma igreja.
Ao mesmo tempo que com alegre irônia, muitos "braços abertos" estarão prontos a receber na verdade e na fé os desacreditados no catolicismo.
O que é um sofisma?
Sofismas são raciocínios aparentemente válidos, mas inconclusivos. Ou que partem de uma premissa verdadeira/verossímil, mas que são concluídos de uma forma absurda, que aparenta seguir regras lógicas.
Um exemplo:
“O galo canta e o sol nasce. Portanto, se quebrarmos o pescoço do galo o sol não irá nascer”
Hilário, não? O sofisma atribui ao galo o poder de fazer o sol nascer, mediante a observação de dois eventos distintos, o cantar da ave e o “movimento” do astro em nosso céu. Uma óbvia idiotice, mas com um verniz de lógica.
E quais são os sofismas do momento?
Os dois mais “claros” sofismas encontrados nas entrelinhas da maior parte da cobertura jornalística dos escândalos envolvendo padres pedófilos são:
“O papa é o chefe da Igreja, cria regras e todos as obedecem. Portanto, quando um padre abusa de uma criança a culpa é do papa, pois ele é o chefe da igreja e todo padre obedece às regras por ele definidas”
“Padres não podem ter relações sexuais, são celibatários. A pressão do celibato pode levá-los a fazer sexo. Portanto a pedofilia é efeito colateral do celibato”.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Vítima farsesca
Com tese de que a "mídia" o persegue, PT mantém figurino autoritário e se faz de injustiçado para encobrir falência moral
O TRUQUE é velho, e sua repetição só indica o hábito petista de afetar ares de pureza em meio ao pragmatismo mais inescrupuloso. Em documento oficial, a Executiva Nacional do PT reeditou, quinta-feira, a tese de que há uma "guerra de extermínio" contra o partido. Posteriormente, amenizou os termos. A promover tal "guerra" estariam "amplos setores do empresariado, particularmente a mídia".
Mídia, no jargão corrente, significa todo jornal ou empresa de comunicação que não defenda figuras notórias do partido.
Como, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu, beneficiário de uma contribuição de R$ 620 mil pela assessoria prestada a um grupo com interesse na reativação da Telebrás. Ou como os mensaleiros denunciados por quem era então aliado do governo, o deputado Roberto Jefferson; ou ainda os "aloprados" -termo que o presidente Lula foi o primeiro, aliás, a empregar- da campanha eleitoral de 2006. Como, também, aquele assessor de um deputado petista, que foi preso ao tentar embarcar num avião com cerca de U$ 100 mil dólares na cueca.
Aliás, se noticiar esse sistema de transportar dinheiro sonante fosse sinal de "guerra de extermínio", seria agora o DEM, e não o PT, a principal vítima de uma suposta conspiração.
Mas nem mesmo os sequazes do governador Arruda arriscaram-se a ir tão longe no cinismo. É que a capacidade petista para a mentira tem origens diferentes, e mais antigas, do que a simples charamela lacrimosa dos espertalhões de voo curto.
Pois o PT, no clássico figurino stalinista, sempre pode dar uma interpretação "de classe" às críticas que venha a merecer. Como o partido se julga o representante místico dos "trabalhadores", o financiamento escuso que receba de empreiteiras, as alterações legais casuísticas que promova em favor de uma empresa de telecomunicação, não representarão escândalo jamais.
Ao contrário: aliar-se financeiramente a "setores do empresariado" que vivem à sombra das benesses do governo, e aliar-se politicamente à escória do Legislativo brasileiro, torna-se um sinal de esperteza política na linha dos fins justificam os meios.
Autoabsolvido pelo venerável espírito hegeliano-marxista da História, o petismo pode fazer tudo o que condenava em seus adversários, e apresentar-se ainda assim como detentor das virtudes mais cristalinas.
Quem apontar a farsa será tachado de inimigo dos trabalhadores -e, na tese de uma imaginária "guerra de extermínio", o PT mostra apenas a sua própria tentação totalitária.
Nessa lógica, que não admite críticas, faz-se de perseguido aquele que se apronta para perseguir; faz-se de vítima quem pretende ser algoz; faz-se de democrata o censor, de honesto o corrupto, de inocente o bandido. O PT perdeu a moral que tantas vezes ostentava quando na oposição. Perdeu a moral, mas não perde o autoritarismo, a mendacidade e a arrogância.
terça-feira, 2 de março de 2010
Série Artigos Interessantes: Ai que tédio, digo eu
Por Luiz Felipe Pondé (Folha de S. Paulo, caderno Ilustrada)
Por que usar roupa de uma pessoa de outro sexo dá direito a alguém de furar a fila?
TOMO REMÉDIO , faço ioga, meditação, o diabo, mas não adianta. O mundo me obriga a me ocupar com coisas "menores" do tipo a política criando novos seres humanos. Temo novos seres humanos porque são monstros com cara de anjos, prefiro velhos e miseráveis viciados. Não confio em pessoas que não se reconhecem viciadas em algo. Detesto por definição toda política que quer "ensinar o Bem".
Ninguém me engana com esse blá-blá-blá de "voto cidadão". Aliás, melhor seria que o voto não fosse uma obrigação legal no Brasil, pois eu teria melhor uso para os feriados do que esta conversa mole ocupa.
Sei que muitos leitores dirão: "Lá vem o colunista de direita de novo, alguém o faça calar a boca!" Ai que tédio, digo eu. Que mania essa de enquadrar a selvagem multiplicidade do mundo em gavetinhas mentais!
Jurei que não iria falar dessa aberração fascista que é a guinada à esquerda do governo e seus subprodutos do tipo "3º Programa Nacional de Direitos Humanos". Sim, fascismo e esquerdismo são chifres da mesma cabra. Muitos leitores e amigos (tenho, sim, uns poucos) me cobraram um artigo sobre as últimas tentativas do PT de refazer a esquerda "moldando" hábitos e costumes. Resisti, rezei, mas não deu.
Mas voltando às "gavetinhas mentais". Recentemente, vimos um show de sarros com relação à possível candidata republicana à Presidência dos EUA, Sarah Palin. "Burra, tapada, caipira!" Lembremos, caros irmãos, que com o Reagan foi a mesma coisa. "Esse ator burro", diziam. E o cara foi de longe o melhor presidente dos EUA nos últimos 40 anos. Botou a casa em ordem depois dos estragos do incompetente "bonzinho" do Jimmy Carter.
Será que os intelectuais e a mídia não aprenderam a lição? Só porque a mulher escreveu uma singela cola na mão em seu discurso em Nashvil-le, caíram de pau em cima dela. Eu achei até sensual (ela é um avião, as feias devem odiá-la) e puro vintage num mundo onde qualquer matuto brega saca um palmtop quando vai dar conferência motivacional por aí.
Outros, piores, ainda a comparam a integrantes da Klu Klux Klan (KKK). Toda vez que alguém discorda do bê-á-bá da esquerda americana, alguém saca esse lero-lero da KKK. Ai que tédio, digo eu.
Mas voltando à nossa própria cozinha. Nada tenho contra essa invenção francesa de direitos humanos. Tão francês quanto o croissant. Mas, me digam: por que alguém deve ter direito de "furar a fila" porque se veste com a roupa do outro sexo?
Acho que se vândalos espancam alguém porque ele usa roupa de mulher quando nasceu homem, devem ser punidos, assim como quem bate em velhinhas e rouba suas compras na feira deve ir em cana. Mas por que um cara deve ganhar algo do Estado só porque usa saias em vez de calças? E essa coisa de criminalizar linguagem e gestos sob suspeita de serem "homofóbicos"? Daqui a pouco, ninguém dará emprego para um gay porque, se for demiti-lo, poderá ser processado por homofobia.
O controle de linguagem e gestos é claramente prática fascista. Assim como a criação de "cidadãos" intocáveis por serem considerados vítimas a priori.
"Democraticamente", o ideário desses caras que foram "revolucionários" e agora tomam uísque às nossas custas vai se impondo à sociedade. Qual opção nós temos, nas próximas eleições obrigatórias, além de variantes da mesma obsessão esquerdinha aguada? Nenhuma.
Reeditam a culpabilidade a priori de quem ficou rico querendo que paguem mais impostos para que tomem mais uísques de graça (em nome do povo). Ai que tédio, digo eu. Por que taxar as grandes fortunas?
Por que atacar quem move a economia punindo-os porque foram mais competentes nesse mundo cão? Eu também tenho inveja dos ricos, mas tomo remédio todo dia para isso, e vou trabalhar.
E o órgão de controle da "comunicação social"? Esse é mesmo o fim da picada. Dizem que é para combater o monopólio, mas suspeito de que seja mesmo para arrebentar quem não aceitar a "carta" fascista deles e "pontuar" negativamente os rebeldes. Puro chavismo açucarado.
Esse negócio de nos obrigar a ver "produções regionais" é um horror. Por que devo aturar programas chatos só porque quem fez se chama "alguma coisa Silva"? TV deve ser regida por competência, seja "fulano Silva", seja "fulano Smith".
E o MST como "gente boazinha" que só quer o nosso bem? Vão tomar a terra dos outros como se fosse evidente que esses "tomadores" são enviados de Jesus.
Ai que tédio, digo eu.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Um jornalismo cruel
O curta é manipulativo, baixo e uma vergonha.
Naturalmente que assim - da boca para fora - minha posição aparentemente carece de uma reflexão. A seguir, através de reflexões e contextualizações, pretendo mostrar o porquê de minha opinião.
Primeiramente é importante que eu defina alguns aspectos que balizam minha personalidade e opinião. Isso colabora para a compreensão do meu posicionamento e ao mesmo tempo esclarece que parto de princípios claros.
Sou católico apostólico romano. Como tal, e como o papa, defendo a dignidade e a inviolabilidade da vida humana, mesmo que isso possa causar grandes dores emocionais a terceiros.
Metodologia de pensamento da qual eu naturalmente discordo.
Defendo a laicidade do governo. Lembrando que a separação do Estado e da Igreja, não retira da última o direito a possuir um posicionamento e de o defender frente a sociedade e o Estado.
Acredito na”força do precedente”. Por isso não acredito na validade de exceções judiciais ou legais como forma/metodologia política séria e estruturalmente responsável para um Estado.
Vamos ao documentário:
O documentário mostra o sofrimento de uma gestante de condição financeira absolutamente pobre, em um teatro de condições que envolve o fato de ela estar grávida de uma criança anecéfala, ter o interesse declarado em fazer um aborto e de ter sido exposta a uma situação de impedimento/postergação do aborto (anteriormente autorizado) devido a um processo de rediscussão da legislação vigente pelo Superior Tribunal Federal e que “congelou” autorizações a partir de determinada data (impedindo que a gestante, anteriormente internada em um hospital, realizasse o procedimento de aborto).
Em “miúdos”. A gestante pobre e sem condições, teve um aborto já marcado, cancelado devido ao início de discussões referentes à manutenção ou não da legalidade do aborto em caso de anencefalia.
Reflexão
Ponto de partida:
Meu professor defendeu/declarou (em sala) que o documentário pretendia mostrar como decisões e eventos em altas esferas da dinâmica do país e o tempo gasto nestas disputas ideológicas, pode ser danoso e injusto para com os mais pobres e desassistidos cidadãos. Sendo o “cerne”, “justificativa”, “objetivo” do documentário, tratar desse assunto através da história de sofrimento de uma gestante, que quer abortar um bebê anencéfalo , mas encontra-se impedida pela morosidade e os efeitos colaterais dos processos de decisão da manutenção ou não da lei de aborto de anencéfalos pelo STF. (Neste caso, entra como efeito colateral, a suspensão do direito a aborto requerido pela gestante, pois a lei estava sendo rediscutida).
Meu posicionamento:
Discordo de que o objetivo do documentário seja realmente discutir sobre os efeitos colaterais da morosidade da dinâmica de poder (no caso do judiciário) e seus impactos sobre os mais fracos e desassistidos. Na verdade, acredito que essa seja a desculpa/pano de fundo para defender, por meio de instigação emocional (leia-se manipulação) nas entrelinhas, o aborto de crianças anencéfalas como forma válida de redução da dor de mulheres gestantes e que sofrem com a perspectiva de ter uma criança condenada a morte. (E indiretamente reforçar o sentido de busca da “felicidade” e supressão da dor, seja por quais meios for....e que de concessão em concessão levará a humanidade a bancarrota moral)
Nesse ponto já se mostra um triste paradoxo em nossa realidade. Em geral, as pessoas fazem todo o possível para postergar a dor de uma perda, tanto que expõem familiares e amigos a beira da morte a expedientes de manutenção da vida extremos, que trazem dor e sofrimento aos enfermos. Ainda sim isso é feito na tentativa de manter nesse mundo aqueles que amam. Nossa sociedade, que mantém pessoas vivas a todo o custo, vive um momento onde se prega que a melhor forma de se resolver a dor da perda de uma criança anencéfala é adiantar sua morte e se despedir o quanto antes da mesma, negando a ela o tempo de vida que lhe resta, em favor da dita “sanidade emocional e espiritual” dos pais. Irônico... e cruelmente sem sentido.
Definir quem merece morrer antes de nascer é o precedente que leva a médio e longo prazo a humanidade a primores como a eugenia.
A jornalista na edição do documentário e na escolha das imagens, capitaliza assim a dor de uma mãe com a perspectiva da perda de um filho, para construir uma “pseudo-situação” de sofrimento por não poder abortar. A farsa na justificativa do porque se usar imagens de sofrimento, como as dos momentos anteriores ao aborto - já então autorizado pela justiça - em que ela (gestante) aparece se apoiando a uma parede com dores excruciantes, enquanto outra pessoa passa com um bebe vivo no colo, cai no momento em que mãe grita e sofre ao ver a criança morta na sala em que o aborto é realizado. Se queria tanto o aborto e sofria tanto com a não feitura do mesmo. Porque então o escândalo ao ver o filho morto? Era esse o objetivo do processo, adiantar o “destino”.
O documentário também apresenta em outro momento cenas/recortes de juízes do STF em processo de discussão a respeito da liberação do aborto de crianças anencéfalas. Nesse quesito, ele (o documentário)cria uma atmosfera de isenção, ao trazer ambos lados em disputa. Mas é apenas uma “criação”. O recorte final traz a fala de um dos envolvidos no julgamento do STF, em um sentimental posicionamento, censurando o STF por dar a entender que “não tinha nada haver com o problema das mães das crianças anencéfalas”. Frase de efeito (e que escrevi entre aspas em uma redução livre do conceito central da original) que reforça o posicionamento do documentário e cria um desconforto ao espectador, gerando a perigosa reflexão “tanta discussão e uma mãe sofrendo, eles não se preocupam com isso?”. Perigosa reflexão pois o motivo da discussão é mais profundo que apenas o sofrimento de uma mulher. A discussão trata de questões, que vão do precedente jurídico à noção de direito a vida. Assuntos sequer imaginados pelos pobres e ignorantes(nesse assunto) personagens que brigam pelo direito de matar seu filho anencéfalo e que tem “representados” em si mesmos no documentário, parcela substância da população.
A seqüência de recortes de ministros do STF com o desfecho-final-dramático (obviamente escolhido a dedo), reduz a profundidade e seriedade de uma polêmica discussão. O documentário que diz-se interessado em contar um história, utiliza o sofrimento de uma mãe, como elemento de reforço para deslegitimar o democrático processo de discussão sobre a legislação no STF. Em troca do que? Claro! Da manutenção do paradigma anterior e da “inquestionabilidade” do mesmo. Pergunto. A quem isso interessa?
Através da dor e sofrimento de uma mãe, o documentário faz proselitismo disfarçado de jornalismo, na defesa do aborto como solução mais aceitável para a dor de gestantes com filhos anencéfalos. Sugere nas entrelinhas um padrão de realidade de vida, como se a anencefalia fosse um problema social exclusivo dos muito pobres. (algo que poderia ter sido evitado, com um contra-ponto de personagens ou apenas com informações extras, dando um panorama da incidência da doença frente a população e suas classes – o que faria sentido, já que o documentário se dedicou a apresentar informações extras além da história do casal).
Novamente discordo. ...Que injustiça? Não poder abortar? Isso é definido pela legislação e se a mesma está em discussão e portanto congelada, não existe injustiça. Aliás, ela ter um bebê anencéfalo é parte do “jogo” estatístico da vida. Alguns nascem com habilidades e aptidões que garantirão sucesso, outros com defeitos que podem abreviar a vida. Será que o fato de uns trazerem alegrias e outros tristeza, faz um ou outro menos digno de direito a vida? E a defesa dessa dignidade tornasse assim uma injustiça a mãe?
Outras....
O documentário é baixo, porque utilizasse da dor e da ignorância de seus personagens para fazer proselitismo mascarado.
O documentário é um ótimo exemplo de jornalismo com intenções cruéis, mascarado de sensível e engajado, ao se dizer focado em “apenas em contar uma história” e “criticar os efeitos colaterais de uma estrutura social”.
