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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

É assim tão grande o sacrifício?


Por Dalton L. C. de Almeida


“A raça humana está prestes a ser extinta. Restam-nos 50 mil pessoas, e só. Agora, se nós vamos sobreviver como espécie. Precisamos sair logo daqui e começar a ter bebês".


Está foi a frase da recém empossada presidente Roslim, a mais nova executiva da imensa civilização dos Coloniais, outrora dona de 12 planetas (colônias) e composta de bilhões de eleitores, repentinamente mortos ou morrendo sobre um pesado e eficiente ataque nuclear inimigo, que de uma vez só, em apenas algumas horas, apresentou à humanidade o extermínio como única saída, além é claro, da fuga.

Esta triste fala (tremendamente) bem interpretada, é apenas uma parte dos muitos outros problemas que seriam enfrentados pelos coloniais na mini-série Battlestar Galactica (2004 - posteriormente estendida em mais quatro temporadas), agora reduzidos a um povo sem casa, espremido em um punhado de naves e sem condições mínimas de sobreviver, quem dirá, trazer com conforto e segurança ao “mundo”, delicados e rechonchudos rebentos.
Em situação pior encontravam-se os personagens de “Filhos da Esperança” (2006), que gozavam da experiência de viver em um mundo ensandecido pela própria falta de expectativa, onde a inexplicável infertilidade de todas as mulheres do planeta congelou as perspectivas de futuro da humanidade e gradualmente destruiu o que chamamos de civilização. Mas resta uma esperança... assista ao filme!


E o que 50 mil almas enlatadas no espaço têm haver com milhões de almas presas em um planeta azul de nome Terra, coberto por seres humanos estéreis e que aguardam “pacientemente” o ocaso da humanidade se aproximar, minuto a minuto, nos dentes polidos e impiedosos do tempo?

A necessidade de bebês! Óbvio (sequer tentei esconder isso de você caro leitor)
E o que estes quadros desagradáveis têm haver com nosso tempo? Em época de países super povoados, campanhas de controle de natalidade e da moda do filho único?

Tudo!E a Folha de S. Paulo de ontem (6/09/2009), em sua matéria “
Brasil fez em décadas o que a Europa levou séculos para fazer” arranha a superfície de um problema, já há muito entre nós, e do qual gostaria de tratar brevemente.

A notícia cita o mais novo dado de natalidade por mulher no Brasil, que alcançou a média de 2,1 e também explicita o impacto disso, ao explicar com didática o Modelo de Transição Demográfica (MTD), proposto em 1929 por Warren Thompson, e que prevê com desagradável precisão as “fases” das dinâmicas de crescimento populacional em um país, quando diretamente relacionadas com seu status econômico.

De qualquer forma o que interessa é que o Brasil se igualou a Europa. Bom não é?
Agora só falta que nos igualemos a todo o amplo espectro de assuntos que fazem da Europa um local invejável. Seja nos âmbitos culturais, tecnológicos e sociais, pois no aspecto da falta de visão de futuro ancorada na mais simples, embora não menos importante unidade social, a família, eles optaram por falhar estupidamente. E condenar seu próprio futuro... ou melhor... o nosso também, pois cegamente seguimos o exemplo. Então, se é para desaparecermos, precisamos a partir de agora nos esforçar, para deixar vestígios arqueológicos exemplares, afinal os atuais são uma verdadeira vergonha.

Entendeu? Não? Pois então continue...

A Folha de S. Paulo, informa que nos encontramos na fase 3, configurada basicamente pela redução nas taxas de fecundidade, explicadas por diversos fatores, em especial pela urbanização, que retira a utilidade prática de crianças no dia a dia, pois não são mais úteis para trabalhos como carregar lenha e água para a família e nem como salvaguardas na velhice, visto que os pais têm acesso a sistemas de previdência. De forma que alimentar, vestir, cuidar, educar entre outros muitos e nada baratos gastos, torna-se um investimento nem um pouco atrativo.

Até este ponto a Folha foi muito política e avançou a explicação ao próximo passo/fase brindando o leitor com a perspectiva nada animadora de um cenário onde a população não só para de crescer, como começa a diminuir, ceifada pelo tempo, e o país é “invadido”, pela mão de obra importada, vulgo imigrantes, que causam uma série de problemas sociais, o mais famoso deles a xenofobia, por parte da velharada encarquilhada e desdentada que ainda vivente e da juventude inexpressiva e irrelevante para a manutenção de uma população “pura” e “original” de locais.

O que faltou a Folha? Simples. Dar uma solução ao problema. E por que não o fez? Também simples. Vai contra a dinâmica atual de mundo, que prega o “EU, Eu mesmo e Eu ainda mais porque a Irene custa!”

A verdade é que o egoísmo e falta de bom senso social em escala individual, está levando o Brasil e todo o Ocidente a um erro que a andropausa, menopausa e envelhecimento dos óvulos femininos com a idade, tornarão impossível de corrigir na última hora. O ocidente está cometendo, no pior de sua tradição, um auto-holocausto.

No passado tinham-se muitos filhos por suas utilidades na vida diária, seja no campo, seja nas cidades (ainda não muito urbanizadas) e porque a morte de crianças era algo comum. Ou seja, se garantia na quantidade de filhos a força de trabalho e a seguridade da velhice em um intuitivo jogo contra as probabilidades.

Com a urbanização, avanços da tecnologia, saúde e a elevação do “EU em prazer” ao pedestal do sacrossanto objetivo da vida ocidental, os filhos tornaram-se adornos ou simplesmente o componente final de uma longa lista de requisitos que variam desde objetivos profissionais femininos e masculinos, concentração de riqueza e bens, até o aproveitamento de prazeres que responsabilidades como as crianças, tornariam um risco elevado demais. (pára-quedismo esporadicamente ou não, é um exemplo).

Como último detalhe de uma longa tabela de realizações pessoais, estes “objetivos” de alto custo, tendem a ser incorporados a dinâmica familiar da forma menos impactante possível. Em miúdos, no menor nível possível, sendo zero um número válido. E que não obrigue os pais a uma redução de seu nível de conforto tão merecidamente conquistado.

Assim quando adicionadas ao núcleo familiar, tal criança, quando em lares com posses em grau significativo, tende há ter seu tempo e sua vida inundados com tudo do “bom e do melhor”.
Obviamente que podemos analisar a super fartura de opções ao(s) rebento(s) por dois ângulos distintos e que não são excludentes. Os altos gastos são a forma de providenciar a melhor educação, conforto e qualidade possíveis para um futuro e produtivo membro da sociedade e também podem ser, ao mesmo tempo ou não, a nova vitrine de ostentação, pois ter dois “carros do ano” iguais para mostrar para os amigos é idiotice,então, porque não declamar por minutos a fio toda a miríade de investimentos culturais, esportivos, técnicos e supérfluos dados ao filhote?

E ai está o ponto crucial do suicídio social do ocidente. A pequena quantidade de filhos. Principalmente nas famílias mais abastadas.

Em resumo, não é necessário ser o “Ás” da matemática para chegar ao cálculo de que se cada dois seres humanos, que formam um casal, produzem apenas um filho. A quantidade de pessoas a ter que bancar o sistema de um país através de impostos e trabalho no futuro, cai pela metade. Se tiverem dois filhos, praticamente a média máxima (e que obviamente não corresponde necessariamente as famílias de maior renda), a população jovem ficará em paridade temporária com a população economicamente ativa. E assim só continuará se todos os velhos atuais caírem mortos, antes que seus pais, tornem-se os próximos responsáveis por pressionar os sistemas de saúde e previdência.

O futuro do ocidente europeu, se delineou há muito tempo, e o europeu preferiu viver a vida dele, dar do melhor a seus filhos únicos e dar de ombros com a perspectiva de que seu filho teria de trabalhar muito mais que ele para manter a máquina de seu país funcionando. Tudo isso, claro, para que ele pudesse desfrutar do máximo que a vida pode lhe dar de prazer e seu filho pudesse ter o máximo que ele pode dar.

O futuro do Brasil seguirá o mesmo rumo, mas ele será pior, pois nossa infra-estrutura previdenciária é menos forte,nosso mais é mais corrupto e nossas diferenças sociais mais profundas.

Hoje a Europa envelhece e paulatinamente é substituída por populações de países pobres e que não tem a preocupação doentia pelo prazer e pelo melhor. E sim que não fazem controle de natalidade por motivos culturais ou porque preferem ter muitos filhos a apenas um “supermimado”.

O brasileiro hoje, em especial com condições, deveria pensar de forma menos egoísta e simplista, tendo tantos filhos quanto suas condições econômicas permitem, dando-lhes uma educação descente e digna, saúde, diversão de qualidade e tudo sem desperdício. Pois uma criança não precisa do último "Max Steel Cromado com LED e que grita” para ter um desenvolvimento cognitivo positivo. Precisa é de pais que estejam minimante presentes, amigos, jogos educativos e brinquedos dos mais simples e baratos. Tornando-se na maturidade, junto a seus muitos irmãos, o produtivo ser humano que a sociedade tanto precisa e que irá garantir seu progresso.

Infelizmente na sanha de dar “do melhor” aos rebentos, por motivos muitas vezes dúbios, o ocidental esquece que sua história como civilização não foi montada baseada sempre na obtenção máxima de prazer pessoal, e sim, na maioria das vezes, baseada na doação a comunidade e ao futuro dela. Filhos educados e saudáveis são o futuro de um país e a manutenção de uma herança de gerações, que muitas vezes optaram por não "viajar a passeio" para que os filhos pudessem estudar e que não tinham como valor, não ter filhos, interrompendo suas “dinastias” apenas para portar e ostentar coisas como uma foto no Orkut, como prova de ter ido a algum ponto turístico de alcance monetariamente dispendioso.
Basicamente, o futuro e sua manutenção se dará pela lógica em desuso, do sacrifício em nível pessoal, que hoje nem é assim tão doloroso , visando o bem da maioria, pelo simples ato de "doação" de bons e muitos filhos a sociedade. E quem sabe, daqui 60 ou 70 anos, posamos dar do “bom e do melhor” para não um, mas para tantos filhos quantos a nação tiver, sem prejuízo ao seu presente e a seu futuro. Alcançando o vitorioso patamar que os Europeus chegaram tão perto e que os "Coloniais" e a "humanidade estéril" das obras de ficção citadas sequer tem perspectivas de alcançar.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os malditos vícios

Por: Dalton L. C. de Almeida

Se há uma coisa que o cérebro humano é eficiente em criar como subproduto de toda a sua, até o momento, quase incomensurável complexidade e que desafia diariamente milhares e milhares de cientistas por todo o mundo a entender seus processos bioelétricos em lóbulos, áreas, zonas, campos e reentrâncias, são os vícios.
A diversidade de vícios é também mais surpreendente do que a maioria pode imaginar. Existindo vícios em álcool, tabaco, glicose (leia-se doces), massas, substâncias ilegais como heroína, crack, maconha, ecstasy, lança-perfume, cocaína entre outros.
A sociedade indubitavelmente tem uma parcela de culpa e responsabilidade para com os viciados.
Nos jovens drogados pela sua falta de pulso, inapetência educacional, oferecimento de um ambiente libertino e/ou de afeto e religiosidade duvidosos, quando não apenas ausentes ou equivocados.
No caso do obesos, salvo vítimas de deficiências metabólicas congênitas ou hereditárias, pela permissividade de sua legislação e acrítica frente as empresas produtoras de “alimento”, que conscientemente ou não, transformaram o ato de se alimentar no “Éden eterno” de prazer e realização em um mundo estressante, individualista e demasiadamente dinâmico. Onde impera o fast-food, os biscoitos de chocolate entupidos de gordura hidrogenada, salgadinhos hiper-calóricos repletos de sal e conservantes. Entre outras maravilhas ao palato que transitam de gelados milk shakes as quentes e suculentas frituras e pedaços de picanha na brasa.
Também existem os alcoólatras e fumantes, vitimados pela sua falta de bom senso e/ou espírito crítico e/ou tendências biológicas entre outros, que se deixaram viciar em drogas legalizadas ao se levarem pela propaganda de empresas e do boca-a-boca, trocando seu dinheiro e qualidade de vida, pelo status estúpido de dependente de um produto que além de um prazer rápido, só lhe trará na melhor das hipóteses prejuízo financeiro e na pior, uma imensa lista de mágoas, sofrimentos, danos e arrependimentos.
Mas além dos vícios aparentes nos quilos extras, overdoses acidentais e vexames sociais, existe um cepa obscura, aparentemente inócua e que se desenvolve na calada da noite, nos agarrando sem que percebamos e muitas vezes causando danos terríveis. Estes são os vícios intelectuais.
Se compreender o funcionamento do cérebro e seu sistema de recompensa já é difícil, em questões de vícios em substâncias com potencial psicoativo, que bem ou mal nos proporcionam prazer físico, como será que se explica um vício intelectual?
Bom, existe uma grande diversidade deles. Sendo os mais famosos e também hilários:
- A síndrome de “São Tomé” – Uma tendência patológica de desconfiança em tudo e em todos, que quando moderada é importante para policiais, juízes e jornalistas, mas que se torna danosa ao alcançar picos de exagero, quando frente a provas, teorias embasadas, cálculos matemáticos e apresentação de evidências. Resume tudo a “intrigas da oposição”, “conspirações” e ou em casos extremos, a ação efetiva do Demônio ou de homenzinhos verdes.

- A síndrome do “Ducontra” – Uma tendência mais irritante do que patológica, em que o individuo discorda de absolutamente todas as defesas que ouve a respeito dos mais diversos assuntos, crente de que conhece respostas para tudo, na maioria assustadora das vezes baseando se só e puramente em achismos profundos como uma poça, que jamais caem ou secam, mesmo frente às argumentações mais racionais, embasadas e pacientes.

- A síndrome da pré-negativa literária – Uma patologia cruel para os amantes ou meros interessados em leitura ou literatura em que a pessoa doente sofre de uma sistemática necessidade de negar indicações de livros ou a existência e importância dos mesmos, com o argumento “odeio ler”, “isso não serve pra nada” e “pra que iria perder meu tempo com isso”, e se não bastasse desfaz, zomba e socialmente taxa de nerd quem gosta de ler, acreditando do alto de sua ignorância que todos já nascem com todo o conhecimento relevante de mundo em suas cabeças, necessitando apenas que de vez em quando se atualizem em algum programa humorístico da Globo.

- O vício de linguagem – Este é o mais preocupante e subdividido, possuindo cepas específicas que impregnam grupos sociais, classes, tribos jovens e ramos ideológicos. Seu poder de destruição é diretamente proporcional a importância que o discurso oral tem para o individuo contaminado. Os mais famosos são:

- Tipo assim = Comum em jovens patricinhas e jovens descolados de classe média alta independente de gênero;
- Cara = termo já transformado em padrão por grande parte da população que substitui o tradicional “individuo”. Ainda que dê um “que” de meliante ao terceiro indicado em um história ou causo sendo contado a um quarto ser humano;
- Só = Quase exclusividade de consumidores sistemáticos da planta Cannabis, vulgo maconheiros. Substituição universal para quase todas as expressões e colocações críticas, intelectuais, emocionais e de manutenção do canal de comunicação. O dicionário Houaiss tornou-se ultrapassado para seus usuários, seja por falta de necessidade prática, seja por situação de incapacidade ou lesão cerebral avançada.
- Né = considerado um dos piores vícios de linguagem, exatamente por ter escapado de seu original grupo de afetados, a comunidade japonesa recém ou mal adaptada ao português corrente. Configura-se em além de ser uma expressão de afirmação interrogativa, um som ou expressão inconsciente para a manutenção do canal de comunicação aberto, substituindo expressões como “huuum”, “então”, e “ahhh”. Tem impacto direto na seriedade do assunto tratado pelo usuário,sendo cruel, pois este não percebe a utilização do termo.

Enfim, o que explica um vício?
Basicamente a falta de policiamento social e individual de todas as pessoas, sua confiança demasiada em si mesmas (levar-se a sério demais), a falta de preocupação com o próximo e de compreender que o mundo e nossas responsabilidades não terminam só e simplesmente no limite de nossos interesses.
Talvez seja difícil e por vezes ingrata a tarefa, mas atentar uma pessoa aos riscos de ela estar a enveredar pelo caminho da dependência alcoólica por tomar muitas e repetidas doses de bebidas alcoólicas nos Happy Hour’s da empresa, avisá-la dos perigos de que saia com companhias com históricos negativos, de ser adepta de ideologias ou estilos de vida que focam-se na busca por prazer acima de tudo, entre outra miríade de possibilidades. Pode ser ingrato, para alguns ingerente, mas é uma atitude que se espera, pelo menos entre amigos.
E será a mesma atitude que irá criticar/avisar sobre vícios intelectuais, gerados muitas vezes por desatenção ou falta de pensamento crítico, colaborando no aperfeiçoamento dos indivíduos e indiretamente de toda a sociedade.
O texto acima pode parecer por vezes irônico e bem humorado, o que é proposital, mas a mensagem é que vícios são muitos e diversos, mas na maioria das esferas há formas da sociedade e dos indivíduos ajudarem-se em maior ou menor escala.
Eu pessoalmente agradeço a minha irmã, que identificou esses dias um vício de linguagem que nem percebi que possuía.... e que é relativamente novo, pelo menos até onde pude verificar..... o vicio do “Né” ...está sendo uma recuperação complicada, pois ele é usado na manutenção do canal de comunicação aberto, em geral quando estou preparando o resto de uma vocalização mais complexa. Acredito que talvez ele tenha ocorrido em minha última entrevista de estágio mal fadada, mas não percebi, se ocorreu, pode ter sido um real elemento negativo e que quem sabe gerou minha "eliminação".
Felizmente tenho quem me policie quando meu inconsciente está distraído. E você, tem? Se não, arranje alguém, pois a busca do aperfeiçoamento é um serviço individual, mas não necessariamente solitário. E ninguém é perfeito... pelo menos nenhum humano desde Cristo!

sábado, 10 de janeiro de 2009

A solução é exportar problemas

Por Dalton Almeida


Há poucos dias atrás, indo me servir de um lanchinho à tarde, encontrei meu pai que, objetivava a mesma coisa que eu. Ele observava o interior da geladeira atentamente, vasculhando suas prateleiras em busca de algo, que não sabia bem o que, mas necessitava para se sentir saciado. Como é de costume nestes momentos, os quais você leitor já deve ter experimentado incontáveis vezes, meu pai não encontrou o que buscava, mas enquanto eu me empanturrava com um delicioso copo d’água, afinal me lembrará de controlar a gula (um pecado que sistematicamente venho cometendo), surgiu um assunto “completamente contextualizado” ao agradável cheiro de mangas amadurecendo, próximas a uma respeitável pilha de louça a guardar, este era: A inviabilidade de se viajar a Marte com a tecnologia atual.
Naturalmente que o objetivo desse texto não é esmiuçar as diversificadas facetas do assunto, então tratado, com naturalidade em meio à fria atmosfera cerâmica da cozinha, e nem acabar com os sonhos dos leigos que acreditam piamente, que hoje, já possuímos tecnologia mais que suficiente para um pulinho ao “Deus da Guerra”, só bastando arranjar loucos que se submetam a meses intermináveis de viagem comprimidos em naves desconfortáveis.
Nem vale a pena citar, portanto, os probleminhas fisiológicos degenerativos advindos da ausência de gravidade, a radiação solar, stress psicológico e da necessidade de uma fé quase religiosa, de que os supercomputadores, sem alma e sentimentos, responsáveis pelos cálculos das coordenadas para a janela de lançamento, não tenham errado em nada, principalmente, pois ao contrário de um pulinho à Lua, à aproximadamente 300.000 quilômetros de distância, Marte é uma longa avenida, com retorno só e exclusivamente no destino.
Mas afinal, o que tem haver um homem olhando para a geladeira e uma viagem a Marte? Bom.... fora o fato de que, com certeza ,os astronautas (ou cosmonautas, caso você prefira a nomenclatura russa ) terão de comer, a semelhança está exatamente na “busca” por alguma coisa, embora não se saiba bem o que. E, é importante destacar, que esta se expressa em muitas outras formas além da gula, sendo a mais comum, a curiosidade.
Esta busca, é a mesma que a Enterprise (de A a E) se engaja “indo onde nenhum homem jamais esteve” (e voltando para contar); é o motivo pelo qual em “Hellboy 2 e o exército Dourado” os homens, como conta a lenda retratada na película, foram a Guerra contra os seres mágicos, numa busca de expressão expansionista. E é também, o “motor que impulsiona” os homens na obra de Tolkien, mesmo com suas vidas “curtas” e almas facilmente “corrompíveis” (em contrate aos Sábios Elfos) a crescerem, desenvolverem-se e evoluírem rapidamente, transformando-se no futuro da Terra Média. E colateralmente expulsando tais sábios, representantes vivos de quando o homem não passava de uma criança, e tinha de ser cuidado, velado e principalmente direcionado. Com a mudança deste último quesito(agora o homem tem uma direção: completar a si mesmo), os Elfos rumam para o mar e inicia-se a Era dos Homens.
É este mesmo vazio, citado nas referências de caráter “Pop” acima, que levou dois ricos países a construir um imenso acelerador de partículas, sob protestos da sempre presente “turma do fim do mundo”, para investigar os segredos mais recônditos da matéria, enquanto na direção oposta, empurra a maior nação do mundo, maior potencia militar do planeta e maior economia global, a investir uma significativa fortuna para planejar o envio de delicados seres de carbono, para fora da proteção terrestre. Mesmo que, internamente, tal poderosa nação, sofra com uma miríade nada desprezível de problemas sociais, que agradeceriam (caso fossem entidades conscientes) a aplicação, neles mesmos, dos recursos disponibilizados a tais empreendimentos dignos de uma “Space Opera” de Ficção Científica. Ainda mais com o fato, de o destino de paradisíaco não ter nada.
Sendo exatamente esta a conclusão, a que cheguava, próximo ao fim da conversa com meu pai:

- “Longe de mim ir contra a exploração do espaço, negando minha paixão pela Ficção Científica, mas talvez por hora, fosse mais importante aos americanos investirem no bem estar interno deles, tendo em vista, uma perspectiva realista, de que não irão ajudar nenhum outro povo ou nação, como é de praxe.
E recebi como resposta:
- “Pelo contrário, temos tantos problemas, está na hora de exportarmos alguns, acredito ser de profunda importância investir-se nisso”.
O interessante, no rápido diálogo acima, é que não me foi necessário mais argumentos, entendi logo de cara o que ele queria dizer. Minha compreensão alcançada em instantes, como se a frase de meu pai funcionasse como uma chave, bebeu nas fontes já salpicadas anteriormente no texto( um “todo” de repertório literário e Pop), referências nas quais não importa o ambiente em que se encontrasse o homem, se é em velocidade de Dobra trocando torpedos fotônicos com Romulanos ou sitiando com suas linhas de infantaria Bara-Dûr, forçando o todo poderoso Sauron a descer para o corpo-a-corpo. O importante, é que o homem, com sua capacidade de se levantar e buscar algo, através de objetivos nem sempre muito claros, se renova, evolui e melhora a si e a existência de todos de sua espécie, direta ou indiretamente.
Marte é apenas mais um objetivo da eterna busca do homem pelo “pedaço que lhe falta”, e que as religiões apontam estar nos céus, em um plano que nenhum Saturno V é capaz de alcançar. Neste contexto, Marte é apenas, mais um expediente, entre muitos outros, pelo qual a humanidade tem uma opção extra de se melhorar,e talvez, por que não, compreender melhor sua pequenez perante a imensa obra de Deus e/ou Big Bang à sua volta, e assim poder acelerar o processo já tão debilitado do "cuidar com amor e respeito de seu próximo", além de tolerar melhor as diferenças.
Com tais possibilidades, os custos da “missão Marte” são uma verdadeira barganha, em que exportamos nossos problemas, na busca de resolver nossa incompletude, com potenciais e preciosos resultados colaterais, aqui mesmo, sob o “azul céu de ozônio”.

sábado, 15 de novembro de 2008

Banhemo-nos em sangue de criancinhas e que viva a liberdade!

Por Dalton Almeida

Sistematicamente durante minha breve e até o momento improdutiva vida acadêmica (bibliograficamente falando, é claro) tenho tido o prazer de discutir um dos assuntos, a meu ver, mais incompreensivelmente polêmicos no hall de “assuntos polêmicos”, o aborto.
Naturalmente que você leitor deve se perguntar: - “Como assim incompreensivelmente polêmico?” - “Ele bebeu?” – “Ele fumou?” ou “Será que ele não se importa com o direito da mulher sobre seu corpo?”, o que normalmente leva a maioria estatística de meus contatos sociais para conversas ocasionais a pensar (ainda que não admitam) “Fogueira! Fogueira! Fogueira!” (e o que também é muito provável no seu caso).
Bom... tentarei ser direto: Não bebo (sou contra álcool, puramente por motivos estatísticos); não fumo (sou contra, por motivos estatísticos equivalentes ao “caso álcool”) e defendo que os direitos de um indivíduo se estendam só até onde começa os direitos de outro indivíduo, sem contar minha concordância com detalhes como a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, uma série de convenções éticas, morais, práticas, de bom senso e de defesa a vida. Nem vou entrar no contexto religioso, quem sabe um próximo post, em uma próxima vez....
Voltando... Considero este um assunto incompreensivelmente polêmico por que em todas as perspectivas possíveis o aborto é um assassinato deliberado e/ou uma vingança digna das mais bárbaras, estúpidas, subdesenvolvidas e pagãs “sociedades” tribais, excluindo-se apenas um caso, que não é vingança e sim apenas: “assassinato deliberado visando redução das perdas” (que explico no final). Trocando em miúdos, sou contra assassinatos de qualquer tipo, e o de potenciais criancinhas humanas consta no topo da minha lista.
Agora que apresentei de forma prolixa minha opinião, vamos às argumentações, espero conseguir desenvolvê-las a contento, costumo “oraliza-las” entre uma e outra interrupção ou grito de repúdio ou ameaça de morte, o que faz do Blog e sua liberdade sem interrupções, algo novo, e pelo que já deu para perceber, altamente “desconcentrante”.

Argumentações:


Primeiramente vale a pena deefinir o que vem a ser um "bebê":
Em termos técnicos é a “fase” mais dependente do ser humano, em que ele necessita de indivíduos para sua sobrevivência (alimentação, higiene, locomoção e outros), normalmente esses indivíduos são os pais ou equivalentes (com mais ou menos afeto) e em raros casos podem ser animas (vide lendas) como no caso dos irmãos Rômulo e Remo e do(s) Mogli (s) (tente não pensar no Baguera...pode estragar a seriedade da discussão). Em geral bebês são seres dependentes de adultos para sua sobrevivência, embora sejam portadores de um código genético exclusivo e completo, que rege todas as suas funções bioquímicas e de desenvolvimento mais básicas, o que garante a estas pequenas massinhas de carne fofinhas uma potencialidade de crescimento, desenvolvimento e aprendizagem, que gerará mais um exemplar do ápice do desenvolvimento biológico no Planeta Terra: O ser racional (em geral) e com noção de sua existência e iminente morte, costumeiramente conhecido como “Homo Sapiens” (agora pegou de onde vem o “Homo” do título do blog não é?).
Então... tanto o bebê (já nascido), como um feto (bebê em formação e ainda não nascido) ou como o zigoto, resultante da fecundação de um óvulo que se “prende” no endométrio feminino para começar sua diferenciação celular, todos estes possuem o mesmo código genético, com potencialidades e futuro brilhante de reações bioquímicas que podem gerar desde um novo Adolf Hitler a até um novo Thomas Edison ou Linus Pauling ou com os desvios certos (de ordem social) a nova “Lacraia”. Independentemente do destino resultante, na média, os humanos tem o péssimo hábito de alcançar a maturidade, quando e apenas quando, outros seres humanos não agem deliberadamente para impedi-los (e nisso o bicho Homem é criativo), através de Guerras, violência, assassinato, psicopatias assustadoras e a até os impensadamente autorizados abortos.
Também é importante destacar que o bebê é uma unidade totalmente "independente" do corpo feminino durante a gestação de nove meses, que para facilitar a discussão chamarei de “tempo de hospedagem”, onde a mãe não passa de um hotel com aquecimento, alimentação, “arejamento” , proteção e exposição a estímulos sonoros externos. A massinha de carne é possuidora de um sistema circulatório, respiratório e neurológico, totalmente independentes. Mais ou menos como um hóspede em um hotel barato de estrada. Com a diferença que ainda estou para ver um grupo de malucos apoiando o direito do dono destes tipos de estabelecimento matar seus hóspedes, por um motivo arbitrário qualquer, como por exemplo, algum crime cometido por um parente destes e que os hóspedes não tem conhecimento ou participação.


Assim, definido o que é um bebê e o que é uma mulher do ponto de vista do primeiro (um temporário envoltório físico de proteção e alimentação), vale a pena discutirmos os pontos mais polêmicos da defesa do aborto:


- A mulher tem direito ao controle de seu corpo:
Opinião do “escritor” (OE daqui em diante): Concordo plenamente, mas isso não lhe dá direito de vida e morte sobre a individualidade independente que está se hospedando temporariamente em seu interior e que não tem como opção a “realocação” em um útero mais interessado. Como já disse no início do texto, os direitos de um, só vão até onde começa os direitos dos outros, isso está, se não me engano, em algum "parágrafo de discussão" do “pacto social”, a mulherada favorável ao aborto e os defensores de assassinar criancinhas deveriam conhecer “o texto”.


- A mulher estuprada tem direito a não querer o filho do estuprador:
OE: Concordo plenamente, a mãe tem todo o direito de rejeitar uma nova vida, que tem 23 de seus 46 cromossomos com origem no seu próprio código genético (código de origem materna), mas daí o “rejeitar” ser ampliado para o “despejo” (assassinato)vai uma distância abissal. Ou seja, não querer ter que cuidar, alimentar, educar, levar na escola, dar beijinho de boa noite, contar histórias, levar no zoológico e comemorar aniversários, OK não o faça, doe para quem adoraria fazê-lo, mas é incapaz de produzir o “milagre da multiplicação independente de células com potencial humano”. Assassinato não é uma opção.......ou será que a partir de agora iremos matar os filhos dos assassinos, como vingança pelos crimes cometidos pelos pais, prender os filhos dos assaltantes e perpetrar toda a sorte de vinganças possíveis contra pessoas inocentes, só por que alguém pretende se sentir melhor ou vingado (a)? Será que já não basta termos que arcar com a expulsão do Paraíso dia a pós dia (ops....disse que não ia entrar no aspecto religioso....desconsidere a citação à nossa realidade de penitência).


- Um feto não é gente, até ter X semanas, Y desenvolvimento do sistema nervoso e Z atividade bioelétrica.
OE: Aqui vejo algo perigoso, conhecido juridicamente como “precedente”. A ciência hoje (leia-se um setor desta) tenta definir arbitrariamente a partir de que estágio do processo de diferenciação celular já alcançamos o status de “gente”, e assim justificar o despejo de uma potencial vida. Por isso reforço: com ou sem braços, com ou sem cérebro plenamente formado, com ou sem coração funcional, com ou sem sistema nervoso atuante, com ou sem “meio quilo”, desde o maior dos halterofilistas ao menor e mais torto dos Stephen’s Hawking’s , todo ser humano parte de 46 cromossomos em um código genético auto-replicante, a definição do que “é gente” está no DNA (e olha que tem exceções que cruzam conosco dia a dia e também tem status de gente – 47 cromossomos como no caso da Síndrome de Down- aliás concordo plenamente que são gente – entre outros exemplos).
O perigo no precedente mora exatamente em sua utilização por outros. Por exemplo: na Alemanha Nazista, ser Judeu era motivo para perder o direito a vida, ser deficiente também, mas no início não sairam matando os Judeus, primeiro os classificaram como diferentes por serem Judeus, depois os fecharam em guetos e por fim os transportaram para as fornalhas, covas coletivas entre outros. O mundo teve de ir ao front e chorar por milhões de mortos para que as atrocidades nazistas e seu "modus operandi", não se transformasse na metodologia social padrão do mundo, e agora, cientistas de meia pataca, consideram-se no direito de definir quando temos o direito ao título de “gente”. É incrível como a sociedade esquece rapidamente que a ciência e seus seguidores são práticos, e a sua ética não nasceu com suas pesquisas, será que ninguém lembra do "exemplo" de ética médica que foi Josef Mengele? (realmente difícil não citar as origens religiosas da ética e do respeito a vida – caro leitor, não me obrigue a citar a primeira experiência de transfusão de sangue feita pelos médicos, para mostrar como ética e ciência são um casamento recente).
Em resumo: desconsiderar arbitrariamente os direitos das crianças não nascidas, só cria precedente para começar a analisar seres já nascidos por meios tão arbitrários quanto, daí a possibilidade de um “divertido processo de eugenia” ser aplicado por um grupo politicamente mais forte, pode ser uma questão de tempo. Com as “boas intenções originais” caindo do telhado.


- Em caso de risco de vida para a mãe o aborto terapêutico é aceitável.
OE: Não posso considerar nenhum tipo de aborto aceitável, mas, este é um caso de assassinato deliberado visando redução das perdas, se não há o que fazer, não há o que fazer. Antes salvar mãe do que o bebê, não por que o bebê mereça menos, mas por que entre salvar a potencialidade de uma vida que corre altíssimo risco de morrer ao nascer levando a mãe, e a preservação da vida de uma potencialidade em sua plenitude, a opção lógica (e não religiosa) é pela mãe.
Basicamente estes são os principais pontos, a meu ver, objetivando a defesa da proibição do aborto e como este é absurdo, mas se você leitor conhece algum outro ponto importante e que eu não tenha abordado, ou tenha uma boa argumentação que contrarie a lógica de minha argumentação, fique a vontade para comentar, adorarei adicionar sub-postagens aprofundando o assunto.

Por fim, se você conseguiu chegar até o fim, meus agradecimento por sua paciência. “Isto fica feliz em ser útil” :D
E se ainda sim, nada do que disse foi suficiente sequer para fazê-lo parar para pensar, então: Banhemo-nos em sangue de criancinhas e que viva a liberdade!