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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dez razões demagógicas dadas por esquerdistas para votar em Aécio com comentários que as desmascaram

 

Comentário: A lista de razões dadas pela propaganda de Dilma não só é composta de mentiras, como é baseada em demagogia, hipocrisia e em esconder a realidade das coisas. Para ter uma ideia liberal para cada um dos pontos, sugiro fortemente ao leitor que leia meus apontamentos. A preguiça, neste caso, só manterá você alienado. Claro, ao final da leitura você pode discordar, mas aí, meu caro, sua discordância é fruto de uma opção ideológica independente da razão.

"Dez boas razões para votar em Aécio respondidas/comentadas;

1 - Se você acha que o que é bom para os bancos é bom para o Brasil, vote em Aécio.

Comentário: Sem bancos não há economia funcional. É um erro grosseiro achar que penalizar os bancos favorece os pobres, pelo contrário, torna o investimento mais caro e isso impossibilita que os pobres tenham acesso a linhas de crédito para investirem em si e dessa forma potencializarem uma saída de sua situação. Não há muitos bancos na maioria dos miseráveis países africanos. Por quê? Oras, porque lá não é um bom lugar para os negócios. Qual é o resultado? Países ricos? Países estruturados? Países eficientes? Não! Miséria. Em contraponto, todos os países em que não se demoniza o sistema bancário há melhor qualidade de vida e dignidade. É idiotice achar que o mal de uma economia são os bancos. O mal da economia são governos intrometidos e excesso de regulação, que acabam SEMPRE estourando no lado mais fraco: os pobres.

2 - Se você acha que o que é bom para Exxon, Texaco, Goldmann & Sachs e J.P. Morgan (o banco do Armínio Fraga) é bom para o Brasil, seu candidato é o Aécio.

Comentário:  As duas primeiras empresas são petroleiras e a últimas duas bancos de investimento, oras, não há livre mercado no setor petrolífero brasileiro, se houvesse, sem a menor dúvida, isso seria bom para a Exxon e a Texaco e, claro, ÓTIMO para todos os brasileiros. Com concorrência a incompetente da Petrobrás ( um mastodonte estatal ineficiente e que com o domínio total do mercado há 60 anos AINDA NÃO CONSEGUIU GARANTIR NEM NOSSA AUTONOMIA EM EXTRAÇÃO E REFINO de petróleo) finalmente teria de se mexer. Com concorrência haveria mais opções e menores preços para os consumidores e o setor funcionaria sem tanta intromissão estatal.
Já o que seria bom para o Goldmann & Sachs e o J. P. Morgan seria o livre mercado no setor de investimentos, isso, obviamente, também seria ótimo para o Brasil, para os tomadores de empréstimo, para os empresários de todos os tamanhos, enfim, para todos. Exceto, claro, para o governo que lucra em manter um mercado de crédito restrito e em interferir com o BNDES na economia escolhendo empresas preferidas e matando um real livre mercado no sistema financeiro nacional. Novamente, o esquerdismo cria falsos demônios para justificar a realidade infernal que trabalha para manter firme e forte, só os otários que acreditam que o Estado é algum ente bonzinho e nos ama acha que deixar tudo a seu encargo vai dar em bom termo.

3 - Se você pensa que os Estados Unidos são os protetores da paz no mundo e que o Brasil deve se alinhar à política norte-americana, tem mesmo de votar em Aécio.

Comentário:  Sim, o EUA são os atuais garantidores da paz no mundo. Os EUA nunca começaram guerras contra democracias. Suas guerras até o presente momento foram contra monarquias, fascistas, nazistas, comunistas (URSS, Vietnã, Coréia do Norte) e, atualmente, islâmicos terroristas. Todos os países aliados aos americanos que se tem notícia evitaram novas guerras e avançaram fortemente em direção a democracia, economia forte e qualidade de vida digna. Os grandes exemplos são Alemanha, Japão e todas as nações da OTAN. Retira-se dessa conta, obviamente, países não democráticos como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, ainda assim, eles matem a paz com seus vizinhos e vêm lucrando bastante com o comércio internacional. Pessoalmente, vale destacar, considero a vista grossa americana a manutenção dessas autocracias uma mácula na política externa ianque, mas, ainda assim, é uma opção muito melhor que o alinhamento a China (que dá apoio militar e econômico a ditaduras assassinas como a Coréia do Norte e perpetra políticas expansionistas contra território japonês), a Rússia (com seus apoios militares e econômicos a separatistas em países democráticos como a Ucrânia e a venda de armas a terroristas na África e Oriente Médio), a Cuba (com financiamentos a grupos guerrilheiros em democracias como a Colômbia, apoio ao tráfico internacional de drogas e armas e apoio técnico a destruição de democracias como a da Venezuela e de outros países por toda a América Latina).

Em suma, estar alinhado com os EUA é estar alinhado como livre mercado, com a Declaração dos Direitos Humanos da ONU, com o Direito a Soberania Territorial de uma nação (uma vez que esta não infrinja o direito equivalente de outras e os Direitos Humanos de seu povo ou outros povos) e com a defesa da Democracia. Estar alinhado com quaisquer outras opções reais de poder geopolítico global, atualmente, é flertar ou abraçar o terrorismo, a autrocracia, o socialismo/comunismo genocida ou o autoritarismo russo. Os EUA não são perfeitos, mas em um mundo de imperfeitos, sob sua tutela o mundo avançou mais em 50 anos do que em 100 sob o Império Britânico.

4 - Se você acha que a educação e a saúde estariam em bem melhor situação se fossem privatizadas, apoie Aécio.

Comentário: Sim, elas estariam muito melhor. A melhor educação fundamental e básica no Brasil já é particular e isso não é uma coincidência. Muito pelo contrário, é resultado da lógica de mercado, ainda que ele não seja efetivamente livre. Instituições de ingerência estatal como o MEC são utilizadas como armas ideológicas do governo para influenciar a livre escolha e definição de currículos em unidades particulares de ensino e como forma de atrasar quaisquer inovações ou soluções no setor. A educação superior estatal AINDA possui algumas das melhores instituições do país, mas a um custo altíssimo ao erário e que só beneficia efetivamente os ricos, já que seus sistemas de seleção são meritocraticos ( o que é ótimo, obviamente meritocracia não inclui cotas). Infelizmente, hoje, a solução imbecil (e mal intencionada) dos governantes é abolir a meritocracia e fazer justiça social nas salas de aula....oras,com a derrubada da qualidade dos alunos o resultado é, obviamente, a derrubada do ensino superior público. A solução para que as universidades HOJE públicas continuem a se manter no topo e abandonem a clara decadência em que se encontram é privatizar o sistema e acabar de uma vez por todas com o MEC e quaisquer outras ingerências estatais.

O livre mercado em todos os níveis de educação trará concorrência e com isso menores preços e maior qualidade para os clientes. No nível superior, os pobres deixarão de pagar pelo ensino dos ricos, economizando dinheiro que pode ser usado para distribuir bolsas de estudos para quem não puder pagar uma universidade ou escola de qualquer nível, mas apresentar dedicação e vontade de entrar nelas e apresentar resultados. Em uma ou duas gerações, o resultado será que os pobres livres da ideologia estatal terão acesso à educação de melhor qualidade, paga, mas a preços acessíveis e os que não tiverem como pagar, mas estiverem prontos a se dedicar e oferecer resultado, contarão com apoio de bolsas estatais.

5 - Se você acha que o salário mínimo está alto demais, agravando o “custo Brasil”, vote sempre em Aécio.

Comentário: Não deveria existir porcaria nenhuma de salário mínimo. Deve se dar ao profissional o direito de precificar seu trabalho. O salário mínimo e a CLT (uma ferramenta absurdamente burocrática e autoritária contra o gerador de empregos) são amarras que prejudicam principalmente os mais pobres. Elas impedem que um trabalhador desqualificado trabalhe para vários empregadores ao mesmo tempo a baixos salários, mas assim componha uma renda e uma forma de possa estruturar sua requalificação ou salvar seus filhos. Elas o jogam na indigência ou ilegalidade, o fazendo flertar com a miséria, afinal, ninguém pagará um salário mínimo por um serviço que não o valha e não quererá (se honesto) cometer um crime e se arriscar a pesadas multas.

Se Aécio EFETIVAMENTE defendesse o fim desse sistema de opressão aos pobres, este, por si só, seria um ótimo motivo para votar nele. Mas Aécio é um socialdemocrata e NUNCA iria contra essa dita “conquista”. Essa é só mais uma mentira (que bem que poderia ser verdade) que jogam contra o candidato.


6 - Se você acha que o lugar de criança delinquente é no Carandiru, não deixe de votar em Aécio.

Comentário: O Carandiru foi desativado, mas ignorando a tentativa tacanha de colar a luta por um sistema penal mais justo (ou seja, que não favoreça o criminoso) ao lamentável e famoso histórico dessa antiga unidade prisional. A noção de que “lugar de criminoso é na cadeia”, está certa. O que é preciso, além de leis duras, é um sistema de avaliação do criminoso menor de idade, conforme é feito nos EUA, onde se avalia por meio de uma junta de psicólogos e psiquiatras a efetiva capacidade do jovem criminoso. Em complemento, obviamente, é preciso que haja uma divisão nos métodos, locais e públicos lotados nas penitenciárias. Não se deve jogar um jovem em uma cadeia com adultos, mas também é inaceitável que um jovem, só por ser jovem, possa cometer com efetiva impunidade quaisquer crimes. Um jovem pode e deve ser condenado a 30 anos por um assassinato. O que não significa que deva cumprir com adultos muito mais perigosos ou de folha corrida mais longa. Impedir a modificação da idade penal, só e simplesmente, é transferir a sociedade o ônus da criminalidade, ao dar carta branca a que um ser humano faça o que quiser com outro apenas com base em uma definição arbitrária de idade e que não leva em conta um princípio jurídico do código penal: a individualização da pena. Se um jovem (com menos de 18 anos) é ciente e sabe o que está fazendo, não deve sair impune.

7 - Se você acha que os ricos, os fazendeiros, os empresários e os donos de supermercados pagam impostos demais, Aécio é seu candidato.

Comentário:  TODOS os brasileiros pagam impostos demais, incluídos os pobres. TODOS são iguais perante a lei e, por isso, NINGUÉM deve ser submetido a mais ou menos impostos devido apenas a sua condição financeira. Inclusive, cobrar mais dos mais ricos é um tiro no pé, um plano dos mais estúpidos. Ao se penalizar a eficiência e o lucro, se espanta o dinheiro para países que não fazem isso e, ainda, se desmotiva a criação de riquezas. Quem em sã consciência irá trabalhar mais para pagar mais impostos a serem gastos por um Estado mastodôntico que lhe sugará e, como bônus, o demonizará o culpando pelas mazelas que ele próprio causa?

O que o Brasil precisa é de mínimos impostos para todos, mínimo tamanho de Estado. E independente da renda, a pessoa possa usufruir dos frutos de seu trabalho sem ser espoliada autoritariamente por um governo gastador e ineficiente.

8 - Se você acha que o neoliberalismo demonstrou, na Europa, sua eficácia para enfrentar a crise econômica e o desemprego, Aécio é seu homem.

Comentário:  Fosse verdadeiramente LIBERAL (essa pataquada de neoliberal é invenção de esquerda que cria um “demônio” ideológico imaterial para por a conta de todos os desastres criados por ela mesma) a Europa não teria quebrado. Ela quebrou por ser EXATAMENTE POR NÃO SER LIBERAL (OU O QUE OS OTÁRIOS CHAMAM DE NEOLIBERAL). Ela queboru por ser SOCIALDEMOCRATA!!!! Ou seja, defender uma larga e ativa intromissão estatal que infantiliza o povo e custa fortunas. A Europa quebrou por gastar mais do que podia, leia-se emprestar e não poder pagar, Quebrou por bancar milhões de pessoas para que não trabalhassem e, assim, não gerassem riqueza para garantir recursos para tais pagamentos.

Fosse LIBERAL, nem teria sentido a bolha imobiliária criada por dinheiro estatal no EUA. O liberalismo mostrou sua força, efetivamente, em Hong Kong! Quem aí ouviu falar de miséria pelas ruas do lugar? Ninguém! Motivo? Lá as pessoas não são pajeadas pelo governo e este não contraiu dívidas que não tinha como pagar, ao mesmo tempo que não penaliza o lucro como é feito na Europa (ao custo de milhões de empregos que eles precisam agora e, por não ter, estão com dificuldades de se reerguerem). Em Hong Kong a população tem acesso a crédito barato, empregos que pagam bem e vive com dignidade. O preço da dignidade na Europa socialdemocrata (filha bastarda do socialismo) era a venda do futuro. Uma hora a realidade cobrou a conta e os espertos esquerdopatas colocam a conta nas costas de um liberalismo (ou neoliberalismo para otários) que NUNCA efetivamente existiu por lá. Aliás, o país mais liberal da região é a Alemanha e, veja só, ela não quebrou!


9 - Se você acha que a taxa de juros esta baixa demais, prejudicando os detentores da dívida pública, seu candidato é mesmo Aécio.

Comentário: O governo não deveria ter o poder de definir porcaria de taxa de juros nenhuma. Se a taxa de juros baixa faz mal ao mercado é porque ela está em um nível artificial, e isso sempre causa danos à economia e, por tabela, aos empregadores e acerta inevitavelmente os trabalhadores. Achar que se pode definir um fator de mercado na canetada e que vai ficar tudo bem, é a típica ignorância de esquerda que leva países a miséria.

10 - Se você acha que a Reforma Agrária é coisa do passado e que o futuro de um Brasil moderno é o agronegócio produtor de commodities, por favor, vote em Aécio.

Comentário:  Sem dúvida a Reforma Agrária é coisa do passado, aliás, nunca foi coisa do futuro. Essa tal “reforma”, que de reforma não tem nada, não passa de bastião de luta de socialistas/comunistas antidemocráticos e que querem um degrau para implantar uma ditadura no Brasil. A civilização SEMPRE avança para a concentração urbana, foi o que fez no período romano e é o que faz agora. O campo precisa ser a base de criação de riqueza de forma eficiente para uma população urbana cada vez maior e mais sedenta por alimentos. Subdividir o campo em pedacinhos para subsistência não só não favorece o futuro dos assentados como prejudica o futuro dos urbanizados. O Brasil tem natural condições para ser exportador de commodities e isso não é vergonha ou pecado. Mas, obviamente, não nos obriga a ser apenas isso. Achar que transformar terra produtiva em locais de subsistência e aumentar o número de pessoas no campo ( alienadas dos avanços civilizacionais e submetidas a ideólogos de esquerda) é solução para elas, ou para o país, é o mesmo que pensar que brincar de roleta russa é uma coisas saudável a médio e longo prazo. O campo, como qualquer outro lugar, precisa (para o bem da sociedade) estar sob a lógica do livre mercado. Só assim será produtivo, gerará riqueza e favorecerá o máximo de pessoas. Criar legiões de pequenos proprietários incapazes de se autossustentar ou sobreviver às exigências de mercado é só uma forma de dar mais poder ao Estado por meio da submissão de mais gente a sua dependência.

Moral da propaganda esquerdista: Se entretanto, por alguma razão obscura – ignorância, preconceito anticapitalista, esquerdismo, falta de confiança em nossas elites – você não acredita em nada disso, provavelmente votará na Dilma…

Comentário a essa moral torta: É exatamente por eu entender o mundo para além da doutrinação de esquerda tacanha enfiada goela abaixo dos estudantes brasileiros que voto no Aécio e vejo na Dilma e na lista dupla de mentiras acima (primeiramente porque a maioria das propostas não são defendidas pelo Aécio e secundariamente por elas, ao contrário do que se dá a entender, não são ruins, são boas, mas enviesadas e se aproveitando do desconhecimento de economia e mercado das pessoas comuns) um motivo urgente para que ela e seu partido sejam retirados do poder.

domingo, 3 de outubro de 2010

Que, bem ou mal, falem as urnas - Estadão



Um editorial que fala tudo o que deve ser dito! Com certeza, merece espaço no Opus Lux. Leia!











Que, bem ou mal, falem as urnas
O Estado de São Paulo
03.10.2010
Nesta manhã, ao se abrirem as seções eleitorais para mais uma festa da democracia, estará se encerrando mais um episódio memorável da série do "nunca antes na história deste país": dois mandatos presidenciais sucessivos obstinada e precipuamente focados no projeto político de manter no poder Lula e associados. Com grande habilidade e total desembaraço na manipulação do varejo político, com um carisma capaz de seduzir até os que se julgam mais esclarecidos e ainda com o respaldo de um trabalho bem-feito na aceleração do desenvolvimento econômico e na incorporação de milhões de brasileiros ao mercado de consumo, Lula jamais perdeu de vista o projeto de poder a serviço do qual colocou tudo e todos, inclusive e principalmente as ações de governo. Menos mal que a perseguição desse objetivo transite, pelo menos por enquanto, pela via eleitoral, embora não necessariamente por convicção democrática, mas pela verificação de que, até onde a vista alcança, não existem condições objetivas mínimas para nova aventura escancaradamente autocrática no Brasil.


Quando se têm olhos para enxergar, os fatos demonstram claramente que Lula e o PT não têm projeto de governo, apenas de poder. Foi a opção que assumiram quando se cansaram de ser derrotados nas urnas. Passaram então a fazer tudo, o que quer que seja, passando por cima, se necessário, dos valores éticos que até então defendiam, e até mesmo sobre as instituições da República, para garantir vitórias nas urnas. Primeiro, houve a guinada radical nas principais proposições programáticas do PT com a Carta aos brasileiros, em 2002. Depois, a manipulação da opinião pública, especialmente dos segmentos menos instruídos e por essa razão mais vulneráveis à demagogia, com a massificação de inverdades como a de que o governo Fernando Henrique legou ao País uma "herança maldita". A partir daí, aprendida a lição, Lula e seu partido passaram a defender e praticar, sem constrangimentos, exatamente o contrário do que originalmente pregavam. Se antes, na oposição, o Plano Real tinha que ser combatido, agora, para manter o poder, é bom continuar aplicando seus princípios (sem admitir isso publicamente, é claro); se antes, na oposição, as oligarquias políticas do Norte e Nordeste eram duramente condenadas, agora, para manter o poder, é melhor a elas se associar; se antes, na oposição, qualquer deslize dos administradores públicos era implacavelmente denunciado, agora, para manter o poder, melhor fingir que isso não é nada, coisa pouca, meros desvios.



É impressionante, aliás, a mudança de atitude do inspirador e principal operador desse projeto de poder. Lula, que antes de chegar ao Palácio do Planalto tinha ataques de virtuosa indignação diante de atos de corrupção no governo, uma vez no poder varreu para debaixo do tapete os "erros" cometidos por seus aliados e colaboradores, frequentemente sob suas barbas, quando não lhes passou a mão na cabeça. Não há registro no noticiário, durante toda a era Lula, de uma vez sequer que o presidente tenha vindo a público para condenar explicitamente a corrupção no seu governo ou em sua base partidária - e não foi por falta de escândalos. O máximo a que se permitiu foi a tentativa de desqualificar acusados com o debochado apodo de "aloprados". Toda sua teatral indignação, todo o ímpeto de sua revolta, Lula reservou para atacar quem, por dever de ofício, tem denunciado a falência ética de seu governo: a imprensa.



De qualquer modo, o projeto de poder de Lula chega hoje a um ponto decisivo. O chefe do PT colherá os frutos do que plantou, por um lado, com seus acertos e, por outro, com a extraordinária esperteza que revelou para se manter imune aos efeitos negativos de qualquer tipo de desacerto, especialmente aqueles provocados pela concupiscência da companheirada. Blindado pela imagem do trabalhador de origem humilde que não se intimidou diante da perfídia das elites e logrou o feito histórico de "colocar o povo no poder", descansa agora o presidente na expectativa de sua maior recompensa. O que virá as urnas o dirão. Há que respeitá-las. Mesmo que o maior efeito dessa festa democrática venha a ser uma enorme ressaca para a consciência cívica do Brasil.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A heresia ditatorial do “branco”

Por Dalton L. C. de Almeida

As reproduções de páginas ricamente trabalhadas de bíblias copiadas a mão por monges da Europa medieval, em geral, surpreendem os observadores pela riqueza de detalhes e quase inexistência de espaços em branco.


Tomadas por desenhos, arabescos, pinturas, texturas e o que mais fosse possível, cada página era, e é, uma obra de arte à parte, transformando o volume de escrituras sagradas em muito mais do que uma “simples” bíblia, e sim, em uma exposição compilada.

No dia 23 de maio a Folha apresentou sua reforma gráfica, seguindo, ao contrário de sua tradição de pioneirismo na área, o Estado de S. Paulo.

Neste processo de muitos aspectos modificados, como fonte do texto, editorias, cadernos, uso de cores entre outros, o maior destaque, ficou exatamente na impressão de “espaço ganho”.

O veículo ampliou a “áreas brancas”, as mesmas que eram “temidas” pelos medievais, talvez, preocupados com o que faria a mente de um leitor que pudesse “descansar” a vista, dando um “tempo” antes de continuar a leitura da “Palavra de Deus”.


Na nova editoração, em especial online, o observador-internauta tem a clara “impressão” de vazio, devido à grande quantidade de áreas brancas e brilhantes, que permeia os blocos de informações “suspensas” por todo o portal. Talvez a intenção fosse buscar um ar mais “clean”, mas ao contrário de O Estado Online, em que o vazio foi preenchido por um azul-bebê de gosto duvidoso e que evita o ar de “falta de algo”, o espaço branco, na Folha Online, efetivamente evidência algo que, aliás, até mesmo a versão impressa não escapou: uma real falta de conteúdo.

Para um leitor tradicional da versão antiga, o portal da Folha Online, que costumava “perder” seus leitores em meio a tanta informação, está incomodamente vazio.


Como toda a reforma, é importante que aspectos positivos sejam preservados e aspectos negativos devidamente extirpados, no caso da Folha Online, o novo projeto prevê um ambiente de leitura e interação mais amigável aos não acostumados a leitura online e/ou jornalística. O problema é que a falta de informações, provavelmente será sentida por aqueles que buscavam a Folha como uma fonte rica.

Na era da virtualização, velocidade, superficialidade e falta de tempo, a Folha curva-se à ditadura do “branco”, para descanso, incrementado pela lógica da informação rápida e curta.
O que será que hão de fazer tantas mentes expostas a áreas de descanso visual? A resposta é uma incógnita, mas sem dúvida, eriçaria os ânimos e conturbaria os sonhos dos copistas medievais preocupados com as “heresias mentais advindas dos espaços em branco”.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Por que questões locais têm impacto global?

Por Dalton L. C. de Almeida

Não é raro ouvir de “inocentes desinformados” ou de pessoas “sem uma visão de mundo mais ampla” a defesa de que cada país deve fazer o que bem entender. E quando se tem em pauta de discussão países do Oriente Médio, que eles “se resolvam por conta”, “da forma que acharem melhor”, e “ninguém tem nada haver com isso”.

Ouvir tais barbaridades de um “Zé ninguém” que entende tanto de política quanto a ciência de entender os “porquês” das coisas, já é algo incômodo e torna-se ainda mais, quando o "Zé" comanda o Itamaraty.

A política diplomática brasileira, oficiosamente, tem trabalhado sobre o tripé “Relacionamento sem preconceitos”, “não interferência em assuntos internos de outros países” e “respeito à diversidade político-democrática das mais diversas organizações governamentais independentemente de serem democráticas ou humanistas”.

Naturalmente que se tratando de uma diplomacia internacional a serviço de um governo petista, que se alia despudoradamente a terroristas das Farc, via Fórum de São Paulo, ela seria apenas oficiosa, ou em miúdos, só respeitará seus próprios preceitos quando, e se, interessarem na estratégia de manutenção de poder e de propaganda.

Com está lógica, “nosso querido”, Celso Amorim viaja o mundo travando relações amistosas com a escória política do planeta. Ditaduras, pseudo-democracias e pseudo-democracias religiosas.
O caso do Irã é o, atualmente, mais relevante e o exemplar de como a atuação do Brasil foi capaz de retardar um movimento de pressão internacional, neste momento, contra a continuidade do processo de enriquecimento de urânio e do programa nuclear iraniano.

Como era de esperar, o governo brasileiro “pacifista” (lembre-se da quase guerra civil em Honduras instigada por “nós” Tupiniquins) levantou a bandeira internacional da tolerância, do “dar mais tempo e espaço para negociações” e da “livre determinação dos povos”. No caso do povo iraniano, da liberdade de este desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos.
Naturalmente que nenhuma potência mundial dedicaria seu tempo a atrapalhar o desenvolvimento técnico e científico de um país, pelo simples prazer de incomodar. Por esta óbvia questão de bom senso, dá para perceber, que Irã só foi e está sendo pressionado, pois não é digno de confiança. E porque não? Talvez o fato de ser um país comandado por um “presidente” patrocinador do terrorismo, negador do holocausto, defensor do fim de outra nação soberana e eleito por meio de eleições amplamente consideradas fajutas e que nas “horas vagas” reprime o povo com o exército, ajude. Mas nunca se sabe, vai ver os EUA e a Europa não consigam engolir os ternos mal cortados, a barba mal-feita e a cara-de-pau sempre presente.

Voltando aos “Zés”, este digno exemplar da coqueluche do pensamento filosófico brasileiro, por não entender de política, da mesma forma que não entende de mais nada, exceto futebol(que todo brasileiro por definição é entendedor), não compreende que “deixar que eles se resolvam” em tempos de alta tecnologia, significa permitir que doidos como Mahmoud Ahmadinejad, desenvolvam bombas nucleares e ataquem países democráticos e de ótimo IDH como Israel. Motivado por politicagens externas, interesses anti-semitas e demonstração de seu poder aos vizinhos quiçá aos EUA.

O que os “Zés” não imaginam é que uma busca simples na internet e/ou em uma enciclopédia, pode mostrar os impactos de uma só ogiva nuclear a médio e longo prazo.
Na história humana os únicos exemplos de utilização militar de armamento nuclear são Hiroshima e Nagasaki . Mas catástrofes locais podem e em geral se estendem para muito além da área atingida.

Para azar do Zé, se os Iranianos e Israelenses resolverem seus problemas na base de cogumelos atômicos, não fará só mal a eles, fará mal ao próprio Zé, que será exposto à radiação das partículas carregadas pelo vento e, provavelmente, apreciará o escurecimento da atmosfera, advinda da fumaça das explosões e queima de cidades inteiras.

Veja o vídeo a seguir e conheça o que é um pós-ataque nuclear:

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um jornalismo cruel

Por Dalton L. C. de Almeida



“Uma história Severina”... Esse é o título de um documentário curta-metragem dirigido por Eliane Brum, jornalista famosa e amplamente premiada pela academia. Assisti ao vídeo essa terça-feira em aula na faculdade e após a exibição formou-se uma interessante discussão, fomentada por nosso professor. Que devido ao tempo escasso e a hora adiantada, ficou inacabada e superficial.

Meu posicionamento (que gerou certa “grita”) foi:


O curta é manipulativo, baixo e uma vergonha.

Naturalmente que assim - da boca para fora - minha posição aparentemente carece de uma reflexão. A seguir, através de reflexões e contextualizações, pretendo mostrar o porquê de minha opinião.

Primeiramente é importante que eu defina alguns aspectos que balizam minha personalidade e opinião. Isso colabora para a compreensão do meu posicionamento e ao mesmo tempo esclarece que parto de princípios claros.

Sou católico apostólico romano. Como tal, e como o papa, defendo a dignidade e a inviolabilidade da vida humana, mesmo que isso possa causar grandes dores emocionais a terceiros.


Dentro dessa lógica (de inviolabilidade da vida) sou obviamente contra estudo com célula- tronco embrionárias - pois matam embriões- e contra aborto, sendo dentro da gama de opções de aborto, especialmente contra o aborto de criancinhas anencéfalas.


Acredito que exista “o certo” e “o errado” no mundo. Sendo as miríades de opções adaptativas de certo e errado a cada caso ou interesse, algo do campo e lógica de reflexão relativista.

Metodologia de pensamento da qual eu naturalmente discordo.


Acredito que o certo e o errado devem ser baseados na moral judaico-cristã, direito a vida, dignidade e isonomia.


Defendo o Estado de direito e suas leis.

Defendo a laicidade do governo. Lembrando que a separação do Estado e da Igreja, não retira da última o direito a possuir um posicionamento e de o defender frente a sociedade e o Estado.
Acredito na”força do precedente”. Por isso não acredito na validade de exceções judiciais ou legais como forma/metodologia política séria e estruturalmente responsável para um Estado.


Acredito que a justiça deva ser aplicada de forma imparcial e seus preceitos não devem se submeter às pressões infligidas pela dor em escala individual ou social.


Não acredito em “justiça histórica”. Ou seja, através de injustiças no presente, “fazer justiça” a injustiças passadas. Por isso sou contra o aborto de crianças geradas como resultado a estupros. É fazer “justiça” a mãe, através de um assassinato e injustiça ao filho, devido a um histórico do qual ele não é responsável.


Acredito que a dor (como sentimento) e o sofrimento fazem parte da vida e sua existência reforça nossa humanidade. E que a exclusão ou a busca pela total exclusão de qualquer uma das duas invariavelmente leva a uma perda do sentido de humanidade. Em tempos de venda da felicidade como o objetivo máximo e “obrigatório” de vida, defender a existência da dor e seu valor vai contra a maré do que chamo de “discurso do politicamente correto”.

Vamos ao documentário:

O documentário mostra o sofrimento de uma gestante de condição financeira absolutamente pobre, em um teatro de condições que envolve o fato de ela estar grávida de uma criança anecéfala, ter o interesse declarado em fazer um aborto e de ter sido exposta a uma situação de impedimento/postergação do aborto (anteriormente autorizado) devido a um processo de rediscussão da legislação vigente pelo Superior Tribunal Federal e que “congelou” autorizações a partir de determinada data (impedindo que a gestante, anteriormente internada em um hospital, realizasse o procedimento de aborto).
Em “miúdos”. A gestante pobre e sem condições, teve um aborto já marcado, cancelado devido ao início de discussões referentes à manutenção ou não da legalidade do aborto em caso de anencefalia.

Reflexão

Ponto de partida:

Meu professor defendeu/declarou (em sala) que o documentário pretendia mostrar como decisões e eventos em altas esferas da dinâmica do país e o tempo gasto nestas disputas ideológicas, pode ser danoso e injusto para com os mais pobres e desassistidos cidadãos. Sendo o “cerne”, “justificativa”, “objetivo” do documentário, tratar desse assunto através da história de sofrimento de uma gestante, que quer abortar um bebê anencéfalo , mas encontra-se impedida pela morosidade e os efeitos colaterais dos processos de decisão da manutenção ou não da lei de aborto de anencéfalos pelo STF. (Neste caso, entra como efeito colateral, a suspensão do direito a aborto requerido pela gestante, pois a lei estava sendo rediscutida).

Meu posicionamento:

Discordo de que o objetivo do documentário seja realmente discutir sobre os efeitos colaterais da morosidade da dinâmica de poder (no caso do judiciário) e seus impactos sobre os mais fracos e desassistidos. Na verdade, acredito que essa seja a desculpa/pano de fundo para defender, por meio de instigação emocional (leia-se manipulação) nas entrelinhas, o aborto de crianças anencéfalas como forma válida de redução da dor de mulheres gestantes e que sofrem com a perspectiva de ter uma criança condenada a morte. (E indiretamente reforçar o sentido de busca da “felicidade” e supressão da dor, seja por quais meios for....e que de concessão em concessão levará a humanidade a bancarrota moral)


Porque digo isso? Bom .... o documentário é tangencial quanto a justificativa de sua existência. Os personagens até comentam (vária vezes) a respeito de como pretendiam abortar, como a mudança de legislação “abortou” esse intento, como se sentiram frustrados com essa situação e como ainda lutam para conseguir a autorização. Fica claro ao ver o documentário, que a mulher não chora ou sofre porque o processo de aborto está congelado. Isso é apenas um incômodo/atraso técnico aos objetivos dela e do marido. Ela sofre sim, e não tiro sua razão, com a perspectiva de carregar diariamente um filho com pouquíssimas chances de sobrevivência e que está invariavelmente condenado a morte. Chora porque uma mãe quer o melhor a suas crias e porque é triste, torturante e um grande peso carregar uma vida que não há de florescer. (entendo a dor, mas não considero ela justificativa para o assassinato da criança)


Reflexão secundária...

Nesse ponto já se mostra um triste paradoxo em nossa realidade. Em geral, as pessoas fazem todo o possível para postergar a dor de uma perda, tanto que expõem familiares e amigos a beira da morte a expedientes de manutenção da vida extremos, que trazem dor e sofrimento aos enfermos. Ainda sim isso é feito na tentativa de manter nesse mundo aqueles que amam. Nossa sociedade, que mantém pessoas vivas a todo o custo, vive um momento onde se prega que a melhor forma de se resolver a dor da perda de uma criança anencéfala é adiantar sua morte e se despedir o quanto antes da mesma, negando a ela o tempo de vida que lhe resta, em favor da dita “sanidade emocional e espiritual” dos pais. Irônico... e cruelmente sem sentido.


Entristeço-me ao ver a dor que passou a gestante. Mas não compartilho com ela que a solução seja matar a criança. Pois para mim, matar essa criança condenada à morte seria o mesmo que abortar uma criança qualquer que já se sabe, nascerá com alguma deficiência debilitante e que lhe cerceará anos de vida. Sou contra a lógica do sacrifício pelo “bem do sacrificado”. Principalmente quando este não foi inquirido a respeito. E porque na maioria das vezes os maiores interessados e beneficiários são terceiros. Ex: pais que querem poupar trabalho, prejuízo e dor, Estado que reduz custos, Clínicas que lucrarão com o processo de aborto etc.
Definir quem merece morrer antes de nascer é o precedente que leva a médio e longo prazo a humanidade a primores como a eugenia.


Continuando....

A jornalista na edição do documentário e na escolha das imagens, capitaliza assim a dor de uma mãe com a perspectiva da perda de um filho, para construir uma “pseudo-situação” de sofrimento por não poder abortar. A farsa na justificativa do porque se usar imagens de sofrimento, como as dos momentos anteriores ao aborto - já então autorizado pela justiça - em que ela (gestante) aparece se apoiando a uma parede com dores excruciantes, enquanto outra pessoa passa com um bebe vivo no colo, cai no momento em que mãe grita e sofre ao ver a criança morta na sala em que o aborto é realizado. Se queria tanto o aborto e sofria tanto com a não feitura do mesmo. Porque então o escândalo ao ver o filho morto? Era esse o objetivo do processo, adiantar o “destino”.


Resposta: Simples! Seu sofrimento era pela morte inevitável do filho, adiantada por ela de forma paradoxal, e não por não fazer o aborto ou porque o STF demorava em tomar uma decisão. É ali que a justificativa, capenga, do documentário para apresentar com requintes de intimidade o sofrimento da gestante simplesmente se desfaz.

O documentário também apresenta em outro momento cenas/recortes de juízes do STF em processo de discussão a respeito da liberação do aborto de crianças anencéfalas. Nesse quesito, ele (o documentário)cria uma atmosfera de isenção, ao trazer ambos lados em disputa. Mas é apenas uma “criação”. O recorte final traz a fala de um dos envolvidos no julgamento do STF, em um sentimental posicionamento, censurando o STF por dar a entender que “não tinha nada haver com o problema das mães das crianças anencéfalas”. Frase de efeito (e que escrevi entre aspas em uma redução livre do conceito central da original) que reforça o posicionamento do documentário e cria um desconforto ao espectador, gerando a perigosa reflexão “tanta discussão e uma mãe sofrendo, eles não se preocupam com isso?”. Perigosa reflexão pois o motivo da discussão é mais profundo que apenas o sofrimento de uma mulher. A discussão trata de questões, que vão do precedente jurídico à noção de direito a vida. Assuntos sequer imaginados pelos pobres e ignorantes(nesse assunto) personagens que brigam pelo direito de matar seu filho anencéfalo e que tem “representados” em si mesmos no documentário, parcela substância da população.

A seqüência de recortes de ministros do STF com o desfecho-final-dramático (obviamente escolhido a dedo), reduz a profundidade e seriedade de uma polêmica discussão. O documentário que diz-se interessado em contar um história, utiliza o sofrimento de uma mãe, como elemento de reforço para deslegitimar o democrático processo de discussão sobre a legislação no STF. Em troca do que? Claro! Da manutenção do paradigma anterior e da “inquestionabilidade” do mesmo. Pergunto. A quem isso interessa?

Através da dor e sofrimento de uma mãe, o documentário faz proselitismo disfarçado de jornalismo, na defesa do aborto como solução mais aceitável para a dor de gestantes com filhos anencéfalos. Sugere nas entrelinhas um padrão de realidade de vida, como se a anencefalia fosse um problema social exclusivo dos muito pobres. (algo que poderia ter sido evitado, com um contra-ponto de personagens ou apenas com informações extras, dando um panorama da incidência da doença frente a população e suas classes – o que faria sentido, já que o documentário se dedicou a apresentar informações extras além da história do casal).


Quanto à defesa de meu professor de que a gestante sofre uma injustiça.

Novamente discordo. ...Que injustiça? Não poder abortar? Isso é definido pela legislação e se a mesma está em discussão e portanto congelada, não existe injustiça. Aliás, ela ter um bebê anencéfalo é parte do “jogo” estatístico da vida. Alguns nascem com habilidades e aptidões que garantirão sucesso, outros com defeitos que podem abreviar a vida. Será que o fato de uns trazerem alegrias e outros tristeza, faz um ou outro menos digno de direito a vida? E a defesa dessa dignidade tornasse assim uma injustiça a mãe?


É necessário um peso e uma medida. E ele não pode ser definido de supetão sob a pressão de quem defende o “direito” de alegrias de uns em detrimento do da vida de outros.

Outras....


Há ainda outras temáticas tratadas no documentário. Que dão apoios secundários a caricaturização do casal como “vítimas”.


Como a dificuldade de compreensão por parte dos personagens da dinâmica legal ao buscar uma nova autorização para aborto. Algo natural visto a óbvia falta de estudos e estrutura dos dois, e que naturalmente é tratado como “uma barreira da sociedade ao pobre”, no melhor do estilo politicamente correto esquerdista de se ler o mundo.


Ou as dificuldades de um sistema de saúde despreparado para atender a demanda de mães autorizadas a matar seus filhos. O que deve configurar na mentalidade esquerdista um ataque a cidadania. Afinal.... Como que pode um hospital não estar 100% preparado para matar bebês??!!


Há inclusive, uma interessante hipocrisia envolvendo uma discussão de uma representante de ONG (ONG Curumim.... um belo nome para quem defende abortos) e um médico. Em que o último explica que muitos médicos se negam a fazer o procedimento de aborto e que a gestante, mesmo autorizada, terá que esperar uma janela de oportunidade. A representante da ONG começa com um “respeitamos o direito dos médicos” (pro forma dedicada ao documentário) e termina com um “mas temos uma autorização e a instituição é obrigada a fazer o procedimento”.


Interessante... e se todos os médicos se negassem? Ela continuaria respeitando a decisão deles, mas ao mesmo tempo forçaria “a instituição” (que é feita por médicos), nem que fosse com a polícia, para alguém cometer o assassinato? Irônico. E um exemplo de sinal dos tempos. Uma ONG voltada à vida, brigando ferrenhamente pelo direito de se matar seres vivos e indefesos.


Em resumo:


O documentário é em minha opinião manipulativo porque capitaliza a natural empatia do público com o sofrimento da gestante (sob a desculpa de uma justificativa de foco falsa), com o objetivo de convencê-lo de que o aborto de crianças anencéfalas é a solução para esse sofrimento.Quando não é. Abortar ou não, não mudará o fato de que essas mães que perderão os filhos hão de sofrer.
O documentário é baixo, porque utilizasse da dor e da ignorância de seus personagens para fazer proselitismo mascarado.


O documentário é uma vergonha. Pois embora em jornalismo a isenção total e completa seja algo utópico. A manipulação e o uso de pessoas para fins ideológicos é anti-ético.

O documentário é um ótimo exemplo de jornalismo com intenções cruéis, mascarado de sensível e engajado, ao se dizer focado em “apenas em contar uma história” e “criticar os efeitos colaterais de uma estrutura social”.


Mais um produto ideológico, que a meu ver, cheira ao ranço da justificadamente temida eugenia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Cenário incompleto tira elegância de retrospectiva de Woody Allen


Por Dalton L. C. de Almeida

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) está encravado no centro velho de São Paulo em um prédio de porte respeitável e de arquitetura híbrida que comporta estilos como rococó, greco-romano, clássico, vitoriano e francês. Durante o fim de semana de 28 e 29 de novembro, a retorpectiva "A Elegância de Woody Allen"contou com um público maior e ingressos mais concorridos, mas durante a semana o Centro Cultural apresentou uma procura média de ingressos e nas tardes dos dias úteis uma lotação parcial da sala de exibição.
Não há do que reclamar na estrutura do CCBB à primeira vista - amplo, bem iluminado e resfriado por um potente sistema de ar condicionado -, o local é um agradável oásis de conforto em meio a uma cidade que nas últimas semanas de novembro e dezembro vem sendo castigada por altas temperaturas e fortes chuvas. O atendimento também agrada: os funcionários são educados e eficientes. Os pontos negativos são os resquícios da desmontagem da última exposição, sujeitando o público a desagradáveis cheiros de tinta nova e uma visão nada artística de plásticos-bolha, fitas e escadas.

Embora os horários de exibição dos filmes da mostra sejam respeitados com rigor (e ninguém entra depois de a sessão começar), no primeiro andar, onde se encontra a sala de projeção, a fila para entrada é organizada em um corredor junto ao vão central do prédio, em que os interessados em bons lugares precisam aguardar de pé, expostos ao mau cheiro da tinta.
As condições do cinema - cadeiras, qualidade de imagem e som, isolamento sonoro e temperatura - são irrepreensíveis e confortáveis, desde que o telespectador não tenha mais de 1m70 de altura, pois o espaçamento entre as fileiras de cadeiras, embora não seja pequeno é com certeza desconfortável para pernas levemente mais longas que a média nacional.
Pouco antes da exibição do filme, em todas as sessões, um funcionário do CCBB, de forma educada e robótica avisa, os presentes a respeito das oficinas sobre Woody Allen organizadas para o mês de dezembro e sobre a possibilidade da troca de cinco ingressos de sessões distintas da mostra por um livro sobre o cineasta. Um brinde de ótima qualidade e bom gosto, por sinal.

Em geral a estrutura do CCBB para exibições é suficiente, deixando apenas a desejar no quesito "extras", sendo que estes poderiam ser desde uma pequena mostra fotográfica a painéis com mais informações a respeito do cineasta.

Importante ressaltar que a estrutura que será apresentada em dezembro com o inicio das oficinas a respeito do cineasta provavelmente será melhor, mas é claramente desagradável ao público a impressão de ir a uma exposição cinematográfica que parece um "tapa buraco" no cronograma do Centro Cultural. Isso pode influenciar negativamente a opinião geral sobre a visita, o que não é justo com a obra cinematográfica de Woody Allen, que em si já conta com variações de complexidade e temática suficientes para dificultar a um público leigo a definição de um posicionamento de apreço ou não.No geral até o momento a retrospectiva se mostra mediana em questões de infraestrutura.

Serviço:

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
De 18 de novembro a 13 de dezembro de 2009
Rua Álvares Penteado, 112, Centro Ingresso: R$ 4 e R$ 2 (meia entrada)
Telefone: (11) 3113-3651 / 3113-3652

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

É assim tão grande o sacrifício?


Por Dalton L. C. de Almeida


“A raça humana está prestes a ser extinta. Restam-nos 50 mil pessoas, e só. Agora, se nós vamos sobreviver como espécie. Precisamos sair logo daqui e começar a ter bebês".


Está foi a frase da recém empossada presidente Roslim, a mais nova executiva da imensa civilização dos Coloniais, outrora dona de 12 planetas (colônias) e composta de bilhões de eleitores, repentinamente mortos ou morrendo sobre um pesado e eficiente ataque nuclear inimigo, que de uma vez só, em apenas algumas horas, apresentou à humanidade o extermínio como única saída, além é claro, da fuga.

Esta triste fala (tremendamente) bem interpretada, é apenas uma parte dos muitos outros problemas que seriam enfrentados pelos coloniais na mini-série Battlestar Galactica (2004 - posteriormente estendida em mais quatro temporadas), agora reduzidos a um povo sem casa, espremido em um punhado de naves e sem condições mínimas de sobreviver, quem dirá, trazer com conforto e segurança ao “mundo”, delicados e rechonchudos rebentos.
Em situação pior encontravam-se os personagens de “Filhos da Esperança” (2006), que gozavam da experiência de viver em um mundo ensandecido pela própria falta de expectativa, onde a inexplicável infertilidade de todas as mulheres do planeta congelou as perspectivas de futuro da humanidade e gradualmente destruiu o que chamamos de civilização. Mas resta uma esperança... assista ao filme!


E o que 50 mil almas enlatadas no espaço têm haver com milhões de almas presas em um planeta azul de nome Terra, coberto por seres humanos estéreis e que aguardam “pacientemente” o ocaso da humanidade se aproximar, minuto a minuto, nos dentes polidos e impiedosos do tempo?

A necessidade de bebês! Óbvio (sequer tentei esconder isso de você caro leitor)
E o que estes quadros desagradáveis têm haver com nosso tempo? Em época de países super povoados, campanhas de controle de natalidade e da moda do filho único?

Tudo!E a Folha de S. Paulo de ontem (6/09/2009), em sua matéria “
Brasil fez em décadas o que a Europa levou séculos para fazer” arranha a superfície de um problema, já há muito entre nós, e do qual gostaria de tratar brevemente.

A notícia cita o mais novo dado de natalidade por mulher no Brasil, que alcançou a média de 2,1 e também explicita o impacto disso, ao explicar com didática o Modelo de Transição Demográfica (MTD), proposto em 1929 por Warren Thompson, e que prevê com desagradável precisão as “fases” das dinâmicas de crescimento populacional em um país, quando diretamente relacionadas com seu status econômico.

De qualquer forma o que interessa é que o Brasil se igualou a Europa. Bom não é?
Agora só falta que nos igualemos a todo o amplo espectro de assuntos que fazem da Europa um local invejável. Seja nos âmbitos culturais, tecnológicos e sociais, pois no aspecto da falta de visão de futuro ancorada na mais simples, embora não menos importante unidade social, a família, eles optaram por falhar estupidamente. E condenar seu próprio futuro... ou melhor... o nosso também, pois cegamente seguimos o exemplo. Então, se é para desaparecermos, precisamos a partir de agora nos esforçar, para deixar vestígios arqueológicos exemplares, afinal os atuais são uma verdadeira vergonha.

Entendeu? Não? Pois então continue...

A Folha de S. Paulo, informa que nos encontramos na fase 3, configurada basicamente pela redução nas taxas de fecundidade, explicadas por diversos fatores, em especial pela urbanização, que retira a utilidade prática de crianças no dia a dia, pois não são mais úteis para trabalhos como carregar lenha e água para a família e nem como salvaguardas na velhice, visto que os pais têm acesso a sistemas de previdência. De forma que alimentar, vestir, cuidar, educar entre outros muitos e nada baratos gastos, torna-se um investimento nem um pouco atrativo.

Até este ponto a Folha foi muito política e avançou a explicação ao próximo passo/fase brindando o leitor com a perspectiva nada animadora de um cenário onde a população não só para de crescer, como começa a diminuir, ceifada pelo tempo, e o país é “invadido”, pela mão de obra importada, vulgo imigrantes, que causam uma série de problemas sociais, o mais famoso deles a xenofobia, por parte da velharada encarquilhada e desdentada que ainda vivente e da juventude inexpressiva e irrelevante para a manutenção de uma população “pura” e “original” de locais.

O que faltou a Folha? Simples. Dar uma solução ao problema. E por que não o fez? Também simples. Vai contra a dinâmica atual de mundo, que prega o “EU, Eu mesmo e Eu ainda mais porque a Irene custa!”

A verdade é que o egoísmo e falta de bom senso social em escala individual, está levando o Brasil e todo o Ocidente a um erro que a andropausa, menopausa e envelhecimento dos óvulos femininos com a idade, tornarão impossível de corrigir na última hora. O ocidente está cometendo, no pior de sua tradição, um auto-holocausto.

No passado tinham-se muitos filhos por suas utilidades na vida diária, seja no campo, seja nas cidades (ainda não muito urbanizadas) e porque a morte de crianças era algo comum. Ou seja, se garantia na quantidade de filhos a força de trabalho e a seguridade da velhice em um intuitivo jogo contra as probabilidades.

Com a urbanização, avanços da tecnologia, saúde e a elevação do “EU em prazer” ao pedestal do sacrossanto objetivo da vida ocidental, os filhos tornaram-se adornos ou simplesmente o componente final de uma longa lista de requisitos que variam desde objetivos profissionais femininos e masculinos, concentração de riqueza e bens, até o aproveitamento de prazeres que responsabilidades como as crianças, tornariam um risco elevado demais. (pára-quedismo esporadicamente ou não, é um exemplo).

Como último detalhe de uma longa tabela de realizações pessoais, estes “objetivos” de alto custo, tendem a ser incorporados a dinâmica familiar da forma menos impactante possível. Em miúdos, no menor nível possível, sendo zero um número válido. E que não obrigue os pais a uma redução de seu nível de conforto tão merecidamente conquistado.

Assim quando adicionadas ao núcleo familiar, tal criança, quando em lares com posses em grau significativo, tende há ter seu tempo e sua vida inundados com tudo do “bom e do melhor”.
Obviamente que podemos analisar a super fartura de opções ao(s) rebento(s) por dois ângulos distintos e que não são excludentes. Os altos gastos são a forma de providenciar a melhor educação, conforto e qualidade possíveis para um futuro e produtivo membro da sociedade e também podem ser, ao mesmo tempo ou não, a nova vitrine de ostentação, pois ter dois “carros do ano” iguais para mostrar para os amigos é idiotice,então, porque não declamar por minutos a fio toda a miríade de investimentos culturais, esportivos, técnicos e supérfluos dados ao filhote?

E ai está o ponto crucial do suicídio social do ocidente. A pequena quantidade de filhos. Principalmente nas famílias mais abastadas.

Em resumo, não é necessário ser o “Ás” da matemática para chegar ao cálculo de que se cada dois seres humanos, que formam um casal, produzem apenas um filho. A quantidade de pessoas a ter que bancar o sistema de um país através de impostos e trabalho no futuro, cai pela metade. Se tiverem dois filhos, praticamente a média máxima (e que obviamente não corresponde necessariamente as famílias de maior renda), a população jovem ficará em paridade temporária com a população economicamente ativa. E assim só continuará se todos os velhos atuais caírem mortos, antes que seus pais, tornem-se os próximos responsáveis por pressionar os sistemas de saúde e previdência.

O futuro do ocidente europeu, se delineou há muito tempo, e o europeu preferiu viver a vida dele, dar do melhor a seus filhos únicos e dar de ombros com a perspectiva de que seu filho teria de trabalhar muito mais que ele para manter a máquina de seu país funcionando. Tudo isso, claro, para que ele pudesse desfrutar do máximo que a vida pode lhe dar de prazer e seu filho pudesse ter o máximo que ele pode dar.

O futuro do Brasil seguirá o mesmo rumo, mas ele será pior, pois nossa infra-estrutura previdenciária é menos forte,nosso mais é mais corrupto e nossas diferenças sociais mais profundas.

Hoje a Europa envelhece e paulatinamente é substituída por populações de países pobres e que não tem a preocupação doentia pelo prazer e pelo melhor. E sim que não fazem controle de natalidade por motivos culturais ou porque preferem ter muitos filhos a apenas um “supermimado”.

O brasileiro hoje, em especial com condições, deveria pensar de forma menos egoísta e simplista, tendo tantos filhos quanto suas condições econômicas permitem, dando-lhes uma educação descente e digna, saúde, diversão de qualidade e tudo sem desperdício. Pois uma criança não precisa do último "Max Steel Cromado com LED e que grita” para ter um desenvolvimento cognitivo positivo. Precisa é de pais que estejam minimante presentes, amigos, jogos educativos e brinquedos dos mais simples e baratos. Tornando-se na maturidade, junto a seus muitos irmãos, o produtivo ser humano que a sociedade tanto precisa e que irá garantir seu progresso.

Infelizmente na sanha de dar “do melhor” aos rebentos, por motivos muitas vezes dúbios, o ocidental esquece que sua história como civilização não foi montada baseada sempre na obtenção máxima de prazer pessoal, e sim, na maioria das vezes, baseada na doação a comunidade e ao futuro dela. Filhos educados e saudáveis são o futuro de um país e a manutenção de uma herança de gerações, que muitas vezes optaram por não "viajar a passeio" para que os filhos pudessem estudar e que não tinham como valor, não ter filhos, interrompendo suas “dinastias” apenas para portar e ostentar coisas como uma foto no Orkut, como prova de ter ido a algum ponto turístico de alcance monetariamente dispendioso.
Basicamente, o futuro e sua manutenção se dará pela lógica em desuso, do sacrifício em nível pessoal, que hoje nem é assim tão doloroso , visando o bem da maioria, pelo simples ato de "doação" de bons e muitos filhos a sociedade. E quem sabe, daqui 60 ou 70 anos, posamos dar do “bom e do melhor” para não um, mas para tantos filhos quantos a nação tiver, sem prejuízo ao seu presente e a seu futuro. Alcançando o vitorioso patamar que os Europeus chegaram tão perto e que os "Coloniais" e a "humanidade estéril" das obras de ficção citadas sequer tem perspectivas de alcançar.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os malditos vícios

Por: Dalton L. C. de Almeida

Se há uma coisa que o cérebro humano é eficiente em criar como subproduto de toda a sua, até o momento, quase incomensurável complexidade e que desafia diariamente milhares e milhares de cientistas por todo o mundo a entender seus processos bioelétricos em lóbulos, áreas, zonas, campos e reentrâncias, são os vícios.
A diversidade de vícios é também mais surpreendente do que a maioria pode imaginar. Existindo vícios em álcool, tabaco, glicose (leia-se doces), massas, substâncias ilegais como heroína, crack, maconha, ecstasy, lança-perfume, cocaína entre outros.
A sociedade indubitavelmente tem uma parcela de culpa e responsabilidade para com os viciados.
Nos jovens drogados pela sua falta de pulso, inapetência educacional, oferecimento de um ambiente libertino e/ou de afeto e religiosidade duvidosos, quando não apenas ausentes ou equivocados.
No caso do obesos, salvo vítimas de deficiências metabólicas congênitas ou hereditárias, pela permissividade de sua legislação e acrítica frente as empresas produtoras de “alimento”, que conscientemente ou não, transformaram o ato de se alimentar no “Éden eterno” de prazer e realização em um mundo estressante, individualista e demasiadamente dinâmico. Onde impera o fast-food, os biscoitos de chocolate entupidos de gordura hidrogenada, salgadinhos hiper-calóricos repletos de sal e conservantes. Entre outras maravilhas ao palato que transitam de gelados milk shakes as quentes e suculentas frituras e pedaços de picanha na brasa.
Também existem os alcoólatras e fumantes, vitimados pela sua falta de bom senso e/ou espírito crítico e/ou tendências biológicas entre outros, que se deixaram viciar em drogas legalizadas ao se levarem pela propaganda de empresas e do boca-a-boca, trocando seu dinheiro e qualidade de vida, pelo status estúpido de dependente de um produto que além de um prazer rápido, só lhe trará na melhor das hipóteses prejuízo financeiro e na pior, uma imensa lista de mágoas, sofrimentos, danos e arrependimentos.
Mas além dos vícios aparentes nos quilos extras, overdoses acidentais e vexames sociais, existe um cepa obscura, aparentemente inócua e que se desenvolve na calada da noite, nos agarrando sem que percebamos e muitas vezes causando danos terríveis. Estes são os vícios intelectuais.
Se compreender o funcionamento do cérebro e seu sistema de recompensa já é difícil, em questões de vícios em substâncias com potencial psicoativo, que bem ou mal nos proporcionam prazer físico, como será que se explica um vício intelectual?
Bom, existe uma grande diversidade deles. Sendo os mais famosos e também hilários:
- A síndrome de “São Tomé” – Uma tendência patológica de desconfiança em tudo e em todos, que quando moderada é importante para policiais, juízes e jornalistas, mas que se torna danosa ao alcançar picos de exagero, quando frente a provas, teorias embasadas, cálculos matemáticos e apresentação de evidências. Resume tudo a “intrigas da oposição”, “conspirações” e ou em casos extremos, a ação efetiva do Demônio ou de homenzinhos verdes.

- A síndrome do “Ducontra” – Uma tendência mais irritante do que patológica, em que o individuo discorda de absolutamente todas as defesas que ouve a respeito dos mais diversos assuntos, crente de que conhece respostas para tudo, na maioria assustadora das vezes baseando se só e puramente em achismos profundos como uma poça, que jamais caem ou secam, mesmo frente às argumentações mais racionais, embasadas e pacientes.

- A síndrome da pré-negativa literária – Uma patologia cruel para os amantes ou meros interessados em leitura ou literatura em que a pessoa doente sofre de uma sistemática necessidade de negar indicações de livros ou a existência e importância dos mesmos, com o argumento “odeio ler”, “isso não serve pra nada” e “pra que iria perder meu tempo com isso”, e se não bastasse desfaz, zomba e socialmente taxa de nerd quem gosta de ler, acreditando do alto de sua ignorância que todos já nascem com todo o conhecimento relevante de mundo em suas cabeças, necessitando apenas que de vez em quando se atualizem em algum programa humorístico da Globo.

- O vício de linguagem – Este é o mais preocupante e subdividido, possuindo cepas específicas que impregnam grupos sociais, classes, tribos jovens e ramos ideológicos. Seu poder de destruição é diretamente proporcional a importância que o discurso oral tem para o individuo contaminado. Os mais famosos são:

- Tipo assim = Comum em jovens patricinhas e jovens descolados de classe média alta independente de gênero;
- Cara = termo já transformado em padrão por grande parte da população que substitui o tradicional “individuo”. Ainda que dê um “que” de meliante ao terceiro indicado em um história ou causo sendo contado a um quarto ser humano;
- Só = Quase exclusividade de consumidores sistemáticos da planta Cannabis, vulgo maconheiros. Substituição universal para quase todas as expressões e colocações críticas, intelectuais, emocionais e de manutenção do canal de comunicação. O dicionário Houaiss tornou-se ultrapassado para seus usuários, seja por falta de necessidade prática, seja por situação de incapacidade ou lesão cerebral avançada.
- Né = considerado um dos piores vícios de linguagem, exatamente por ter escapado de seu original grupo de afetados, a comunidade japonesa recém ou mal adaptada ao português corrente. Configura-se em além de ser uma expressão de afirmação interrogativa, um som ou expressão inconsciente para a manutenção do canal de comunicação aberto, substituindo expressões como “huuum”, “então”, e “ahhh”. Tem impacto direto na seriedade do assunto tratado pelo usuário,sendo cruel, pois este não percebe a utilização do termo.

Enfim, o que explica um vício?
Basicamente a falta de policiamento social e individual de todas as pessoas, sua confiança demasiada em si mesmas (levar-se a sério demais), a falta de preocupação com o próximo e de compreender que o mundo e nossas responsabilidades não terminam só e simplesmente no limite de nossos interesses.
Talvez seja difícil e por vezes ingrata a tarefa, mas atentar uma pessoa aos riscos de ela estar a enveredar pelo caminho da dependência alcoólica por tomar muitas e repetidas doses de bebidas alcoólicas nos Happy Hour’s da empresa, avisá-la dos perigos de que saia com companhias com históricos negativos, de ser adepta de ideologias ou estilos de vida que focam-se na busca por prazer acima de tudo, entre outra miríade de possibilidades. Pode ser ingrato, para alguns ingerente, mas é uma atitude que se espera, pelo menos entre amigos.
E será a mesma atitude que irá criticar/avisar sobre vícios intelectuais, gerados muitas vezes por desatenção ou falta de pensamento crítico, colaborando no aperfeiçoamento dos indivíduos e indiretamente de toda a sociedade.
O texto acima pode parecer por vezes irônico e bem humorado, o que é proposital, mas a mensagem é que vícios são muitos e diversos, mas na maioria das esferas há formas da sociedade e dos indivíduos ajudarem-se em maior ou menor escala.
Eu pessoalmente agradeço a minha irmã, que identificou esses dias um vício de linguagem que nem percebi que possuía.... e que é relativamente novo, pelo menos até onde pude verificar..... o vicio do “Né” ...está sendo uma recuperação complicada, pois ele é usado na manutenção do canal de comunicação aberto, em geral quando estou preparando o resto de uma vocalização mais complexa. Acredito que talvez ele tenha ocorrido em minha última entrevista de estágio mal fadada, mas não percebi, se ocorreu, pode ter sido um real elemento negativo e que quem sabe gerou minha "eliminação".
Felizmente tenho quem me policie quando meu inconsciente está distraído. E você, tem? Se não, arranje alguém, pois a busca do aperfeiçoamento é um serviço individual, mas não necessariamente solitário. E ninguém é perfeito... pelo menos nenhum humano desde Cristo!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A irracionalidade tragicômica

Por: Dalton L. C. de Almeida

Como definir um sentimento? Há séculos a ciência, a religião e o senso comum batalham para encontrar respostas que esclareçam a nós humanos por que e para que, a alegria, a raiva e a tristeza, entre tantos outros sentimentos existem. No teatro grego estes viraram máscaras e em nossa sociedade, por vezes, tabus.
O curta metragem Amor! de José Roberto Torero discorre exatamente sobre este sentimento por vezes considerado comum, mas que foi responsável por grandes acontecimentos na história, desde a queda de Tróia, iniciada pelo amor do príncipe Páris por Helena a até o grande sacrifício de Cristo voltado a obter a comunhão e salvação da humanidade.
O amor no curta de Torero, ao contrário da imensa gama de possibilidades de ângulos de abordagem, inclusive os grandes exemplos citados anteriormente, não se foca em um exemplar caso envolvendo personagens conhecidos ou poderosos. Pelo contrário, volta-se as histórias de amor que podem ser consideradas banais, por um grande público em geral esquecido, que a vida fora da ficção pode ser bela, exatamente devido a sua simplicidade, paradoxalmente rica e profunda.
Amor! ao seu modo, busca através da história de vida do casal Apolo e Diana, permeada por rápidas histórias de amor inusitadas, como a de um padre e uma atriz pornô e por definições técnicas do que é este sentimento, por especialistas como cientistas e até uma alcoviteira, mostrar a imensa riqueza e por vezes irracionalidade tragicômica, de um sentimento que a grande maioria das pessoas busca e idealiza.
Arrancando muitos risos ao mesmo tempo em que leva o público a pensar, Amor! agarra os espectadores e os seduz, apresentando-lhes um ângulo diferente do que no geral é considerado um sentimento positivo. E deixando-o com a seguinte pergunta: Será mesmo o amor tão belo? Cabe ao espectador, se conseguir, dinamitar por si, o tabu da “positividade” intocável de tal sentimento. Conseguirá?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Resenha: A glória e a desgraça de Wilson Simonal

Por Gutierres Siqueira

Entre as décadas de 1960 e 1970 somente havia um cantor em concorrência direta com Roberto Carlos, e o seu nome era Wilson Simonal, o carismático e querido ídolo pop. Wilson Simonal de Castro (1938-2000) nasceu em uma família bem pobre, filho de doméstica e ainda negro, portanto uma raridade na classe artística brasileira daquela época. Fez muito sucesso, sendo que, participou inclusive da delegação brasileira de futebol na Copa do México.

Simonal mistura um ritmo de sucesso: Letras ousadas, roupas coloridas, batidas desconcertantes. Ele dividiu o palco com pessoas como Marília Pera e cantou o épico “The shadows of your smile” como a famosa Sara Vaughan.Era alguém pronto para um estrelado permanente, até que caiu na desgraça.

No auge da ditadura militar, Simonal foi acusado de alcagueta do Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Entre passou a ser visto como uma traíra meio da classe artística. Sob esse estigma, Simonal nunca foi perdoado pelos artistas, que passaram a vê-lo como uma persona no grata. Simonal sempre negou e o episódio ainda não está totalmente esclarecido, porém tal fato acabou com a carreira desse famoso ídolo de décadas passadas, que morreu na pobreza.

Simonal perdeu espaço na televisão, no rádio e nos jornais. O famoso periódico esquerdista Pasquim simplesmente tornou-se um panfleto contra esse ex-ídolo. Simonal que fora apresentador de TV, no final de sua vida se escondia entre a platéia dos shows que ai ver. Esses shows eram dos seus filhos Max de Castro e Simoninha. Simonal não queira prejudicar a imagem deles.

Mário Prata, em uma crônica algumas anos antes de Simonal morrer, conclamava a todos os brasileiros a uma anistia: “Num momento que o Brasil oferece exemplo de democracia e dignidade interna e externamente, é hora de se anistiar o Simonal. Que ele volte com sua voz gostosa e seu jeito de malandro aos palcos do Brasil. Deixemos que ele entre novamente em nossas casas, pela porta da frente. Ou pela gaveta de um CD”.


Essa história é recontada com riqueza de detalhes no documentário Simonal- Ninguém Sabe o Duro que Dei, dirigido por Cláudio Manoel, Mikael Langer e Calvito Leal.


OBS: Esse artigo foi publicado originalmente na Revista IKONE, uma publicação acadêmica para as aulas do 5° semestre de jornalismo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Ocidente contra a parede

Por: Dalton Almeida


No ano 600 d.C. a Europa presenciou o crescimento de um imenso império mulçumano, que superou as fronteiras árabes e com a intenção de dominar todas as terras que circundavam o Mediterrâneo, invadiu seus territórios por volta de 711, tomando a maior parte da Península Ibérica. O avanço só parou na Batalha de Poitiers em 732, em que os mulçumanos derrotados pelos francos tiveram seus objetivos expansionistas frustrados. Ainda sim, os reis católicos da europa teriam de guerrar por mais oito séculos para reconquistar seu território.
Essa pequena aula de história é útil para montar um paralelo, novamente o mundo ocidental encontra-se às portas de uma expansão árabe, mas com diferenças gritantes. Os atuais povos árabes mulçumanos, estão desorganizados, embora armados e motivados, e em nada lembram o império invejável, amante das ciências, artes e da guerra, que por oito séculos incomodou a Europa, obrigando-a a se reorganizar e unificar , ou seja, evoluir frente a um competidor externo mais forte, em uma quase corrida de mercado capitalista.
Novamente o ocidente encontra-se em uma encruzilhada, desenvolvido e democratizado, em sua maioria, após dolorosos ou complexos percalços como Guerras Mundiais, investimento de gerações em pesquisa e educação, criação de instituições fortes, defesa de direitos e deveres do indivíduo, entre outros, incluso a benéfica e inegável influência da religiosidade cristã, hoje, vê bater às suas portas, os árabes mulçumanos, uma “organização social” deficiente em questões humanitarias, legais, democráticas, de respeito as diferenças e que dominada por um oligarquia de poderosos religiosos, chefes militares ou ricos comerciantes de petróleo, com a excessão destes últimos, a mesmíssima estrutura à época da expulsão árabe da Europa, se vê sob ameaça de perder sua estrutura interna, conquistada após mais de um milênio.
Ameaça essa que utiliza-se de uma técnica distinta, o uso de direito criado no ocidente, para minar aos poucos a própria sociedade democrática.
A uma primeira vista e em um contexto midiático que bate incansávelmente nas potênciais mundias que intereferem militarmente no Oriente Médio, em especial nos EUA, é dificil enxergar o povos árabes como mais que uma vítima inocente e mal preparada, do imperialismo ocidental e que se defende na busca de paz e auto-determinação, com o que pode, crianças bomba e ataques terroristas.
Ainda que seja dificil, é necessario que se entenda, que o Oriente Médio de inocente não tem nada e, longe de se esquecer os valores ocidentais que balizam nossa sociedade, que são o direito de auto-determinação dos povos, a liberdade em suas várias esferas e o respeito a cultura e a religião alheia, é preciso ter bom senso para perceber quando eles estão sendo utilizados e manipulados contra nós e debaixo de nossos narizes.
E o ponto crucial são as guerras patrocinadas pelos EUA.
A mídia bate sistematicamente nos americanos e defende a retirada de tropas e a liberdade dos países sob intervenção, mas esquece os motivos de tais intervenções. Os americanos, entre outros ocidentais, foram atacados de forma covarde, por grupos terroristas patrocinados por governos arábes e com livre circulação e atuação em seus países de origem. Isso não acontece no ocidente, aqui não há grupos terroristas apoiados por democracias e que pregam a morte de civis inocentes em outros países. Aqui, no geral, domina o sentido de responsabilidade e de respeito a vida, seja ela a favor ou não das ideologias dominantes. A diferença é que os americanos, como o resto dos ocidentais, não sofreu os ataques e deixou por isso mesmo, eles foram em busca de uma solução.
Não negarei aqui que a estabilidade no fornecimento de petróleo do Oriente Médio para o ocidente não seja uma preocupação americana, é óbvio que é, o mundo com a globalização reduziu-se e a interdependência aumentou, o que faz do fornecimento de petróleo um elemento de sobrevivência e estabilidade para grandes países consumidores de energia.
Mas é fato, se esses países sob intervenção fossem levemente mais democráticos e estruturados, primeiramente não teriam sido invadidos, pois hoje não existem guerras entre democrácias e, se alguma potência tentasse, a oposição interna e externa seria um empecilho quase insuperável, visto a dificuldade de se justificar uma guerra contra um país democrático, legitimamente eleito e portanto que tem vias diplomáticas para negociações. Não é o caso do Iraque, que foi invadido ainda que a ONU fosse contrária.
Secundariamente a manutenção do “status quo” da economia mundial, também seriam uma preocupação para estes países, o que faria com que o ocidente não se preocupasse com a manutenção do fornecimento de petróleo, pois ele ocorreria naturalmente, através das vias comerciais, ganhando o vendedor e o comprador. Ou seja, os americanose todo o ocidente não precisam roubar o petróleo de ninguém, podem pagar por ele, e caro aliás, mas precisam de quem venda.
Só que isso não é garantido, visto que a grande massa das populações dos países arábes mulçumanos, não-democraticos, são reféns de uma situação lamentável de desenvolvimento e marginalizadas da dinâmica capitalista mundial, devido a estrutura política e de poder reinantes, que permite a seus líderes religiosos e militares extremistas, uma condição favorável única para chantagear o ocidente com a não venda de petróleo e ainda utilizar os recursos obtidos com a venda em planos para destruir os compradores.Seguindo seus interesses ideológicos, pessoais ou religiosos, sem que suas populações se revoltem, pois no geral não são beneficiadas com os valores das vendas e ainda são educadase induzidas a culpar os “demônios ocidentais” pelas mazelas inflingidas por eles (os líderes locais).
Sendo a única excessão os ricos “shakes” do petróleo, que por quererem gastar “seu dinheiro” no melhor da sociedade capitalista, ironicamente, são elementos de estabilidade nas relações ocidente-oriente, visto o interesse que tem na venda do ouro-negro e na estabilidade das relações diplomáticas, embora isso não os impeça de criarem cartéis para manipular os preços do petróleo e concentrarem a riqueza apenas em suas gordas contas.
Quanto as intervenções militares ocidentais própriamente ditas, estas são inegavelmente mais justas em questão de tratamento ao povo local do que as administrações oligárquicas anteriores, pois tem de prestar contas a contribuintes, politicos, jornalistas, sociólogos e muitos outros profissionais de sociedades de moral judaico-cristã, humanitaristas e que votam na manutenção dos seus chefes–militares máximos em exercício,ou seja, os presidentes e primeiros ministros nacionais ocidentais.
Obviamente não quero dizer que em guerras não existam baixas, elas são inevitáveis, mas a opção seria a continuidade do status anterior e ele não seria sem baixas, tendo o ônus de ser em estado indefinido e estático.
Ainda há o aspecto técnico, as intervenções pretendem democratizar e estabilizar, entendendo que para isso tem de reconstruir a estrutura social. Se não fosse este importante detalhe, “o interesse por reestruturar e melhorar os países invadidos”, as guerras já teriam terminado, bastaria o aniquilamento de todos os indivíduos sob ocupação, uma forma de guerra completamente inadimissivel no ocidente, que até para guerras criou regras, nas Convenções de Genebra, embora não o seja para os extremistas islâmicos, com suas promessas de holocaustos.
Portanto é pura demagogia, feita por uma incrível parcela de ditos sociólogos e humanitaristas, defender a livre-determinação dos povos árabes mulçumanos, visto primeiro que estes povos estão sob a mira do rifle de um ditador, ou seja, não são livres, ainda menos livre-determinadores, e segundo, esses mesmos países com “livre-determinação” investem em tentar derrubar os países democráticos que são os originais defensores da idéia de livre-determinação. Basicamente a defesa demagógica é um tiro no pé, praticamente o mesmo que soltar um leão faminto em uma sala em que está só com ele.
Naturalmente nem todos os países árabes enquadram-se no grupo dos intervencionáveis, mas os atuais, Afeganistão de um governo teocrático radical que oprimia a população e patrocinava terroristas e Iraque de um ditador genocída que não só oprimia a população como desestabilizava a região, com certeza estão sob administrações com intenções melhores que as anteriores, administrações atuais que pretendem democratizar e reestruturar os países, ainda que para isso tenham que eliminar imensos contingentes de partidários dos regimes anteriores que não poupam a própria população local na sua busca de poder.
Não nego que as administrações beneficiarão mais que apenas a população local, sendo a estabilidade da região positiva para os preços e a exportação de petróleo, mas, isso não desqualifica o serviço prestado, e garante a todos algum bônus, aos ex-oprimidos um potencial futuro melhor e aos compradores de petróleo um preço sem altas variações devidas a falta de estabilidade, criada por grupos extremistas e pouco preocupados com o povo que administram.

Chegamos então ao principal exemplo de uma ideologia positiva do ocidente utilizada contra ele próprio, “a defesa da livre-determinação dos povos”, pois é pregada de forma cega.
Não defendo que nos esqueçamos de que todos tem liberdade de se auto-determinar, e sim que não nos esqueçamos que a liberdade de um termina nos direitos do outro. A sociedade árabe pode se determinar, desde que nesse processo, não tenha como foco, derrubar a sociedade ocidental ou querer impor seu barbarismo além das próprias fronteiras. Não é aceitável ou certo concordar impassível com a administração de líderes que defendem um novo holocausto judeu, como o líder do Irã, morte ao ocidente como a média dos líderes religiosos mulçumanos no poder, destruição ao cristianismo entre outros absurdos. Quem defende estes líderes, em uma sociedade ocidental livre, deveria ser indiciado por apologia a crimes contra a humanidade, por que é exatamente o que está fazendo. Afinal, não seria indiciado alguém que defendesse em praça pública o extermínio/ assassinato de judeus, imigrantes entre outros e se organizasse, preparando-se para tal?
Em resumo, as intervenções militares ocidentais no oriente não devem ser vistas como pontuais. Elas não são as primeiras e não podem ser as últimas. Os países arábes sob domínio de grupos extremistas islâmicos,não irão parar ou arrefecer, seus objetivos são grandes e seus líderes não economizaram em técnicas para destruir o ocidente, qu suicída, os deixa agir quase livremente. Retirar as tropas de intervenção hoje no Oriente Médio, é assinar um atestado de incapacidade de reestruturar um lugar que a séculos, desde a queda do império mulçumano, está desestruturado, e mostra-se claramente incapaz de desenvolver-se em direção a democracia, aos direitos e a busca de uma menor desigualdade social. Isto pois está engessado cultural, religiosa e socialmente, com fracos sempre fracos e manipulados demais e ricos, graças a sede do ocidente por energia, que nadam em lucros sem ter que fazer nada para ajudar seus povos.
A Europa a séculos viu um império invádi-la e por séculos teve de lutar e morrer para se libertar. Hoje o mundo ocidental tem duas opções, sentar e esperar que os “loucos, terroristas e mártires” atravessem a fronteira, para, ai sim, ir a guerra pelo que já era seu, ou hoje, enquanto ainda temos força e recursos superiores ao inimigo declarado, democratizar e civilizar àqueles que reféns de líderes não-democráticos, são preparados abertamente como o exército para nos destruir. Obviamente o dito “respeito pela cultura” terá de ser flexibilizado, pois não é aceitável respeitar “uma cultura” do “destruir o ocidente/ diferente/não-islâmico”. A guerra é inevitável, mas o número de baixas e o futuro de ambos os lados pode ser mínimo e brilhante, depende de coragem de nossos líderes, atenção de nossa fiscalização e a noção de que o politicmente correto, nem sempre é o estruturalmente funcional ou viável.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A solução é exportar problemas

Por Dalton Almeida


Há poucos dias atrás, indo me servir de um lanchinho à tarde, encontrei meu pai que, objetivava a mesma coisa que eu. Ele observava o interior da geladeira atentamente, vasculhando suas prateleiras em busca de algo, que não sabia bem o que, mas necessitava para se sentir saciado. Como é de costume nestes momentos, os quais você leitor já deve ter experimentado incontáveis vezes, meu pai não encontrou o que buscava, mas enquanto eu me empanturrava com um delicioso copo d’água, afinal me lembrará de controlar a gula (um pecado que sistematicamente venho cometendo), surgiu um assunto “completamente contextualizado” ao agradável cheiro de mangas amadurecendo, próximas a uma respeitável pilha de louça a guardar, este era: A inviabilidade de se viajar a Marte com a tecnologia atual.
Naturalmente que o objetivo desse texto não é esmiuçar as diversificadas facetas do assunto, então tratado, com naturalidade em meio à fria atmosfera cerâmica da cozinha, e nem acabar com os sonhos dos leigos que acreditam piamente, que hoje, já possuímos tecnologia mais que suficiente para um pulinho ao “Deus da Guerra”, só bastando arranjar loucos que se submetam a meses intermináveis de viagem comprimidos em naves desconfortáveis.
Nem vale a pena citar, portanto, os probleminhas fisiológicos degenerativos advindos da ausência de gravidade, a radiação solar, stress psicológico e da necessidade de uma fé quase religiosa, de que os supercomputadores, sem alma e sentimentos, responsáveis pelos cálculos das coordenadas para a janela de lançamento, não tenham errado em nada, principalmente, pois ao contrário de um pulinho à Lua, à aproximadamente 300.000 quilômetros de distância, Marte é uma longa avenida, com retorno só e exclusivamente no destino.
Mas afinal, o que tem haver um homem olhando para a geladeira e uma viagem a Marte? Bom.... fora o fato de que, com certeza ,os astronautas (ou cosmonautas, caso você prefira a nomenclatura russa ) terão de comer, a semelhança está exatamente na “busca” por alguma coisa, embora não se saiba bem o que. E, é importante destacar, que esta se expressa em muitas outras formas além da gula, sendo a mais comum, a curiosidade.
Esta busca, é a mesma que a Enterprise (de A a E) se engaja “indo onde nenhum homem jamais esteve” (e voltando para contar); é o motivo pelo qual em “Hellboy 2 e o exército Dourado” os homens, como conta a lenda retratada na película, foram a Guerra contra os seres mágicos, numa busca de expressão expansionista. E é também, o “motor que impulsiona” os homens na obra de Tolkien, mesmo com suas vidas “curtas” e almas facilmente “corrompíveis” (em contrate aos Sábios Elfos) a crescerem, desenvolverem-se e evoluírem rapidamente, transformando-se no futuro da Terra Média. E colateralmente expulsando tais sábios, representantes vivos de quando o homem não passava de uma criança, e tinha de ser cuidado, velado e principalmente direcionado. Com a mudança deste último quesito(agora o homem tem uma direção: completar a si mesmo), os Elfos rumam para o mar e inicia-se a Era dos Homens.
É este mesmo vazio, citado nas referências de caráter “Pop” acima, que levou dois ricos países a construir um imenso acelerador de partículas, sob protestos da sempre presente “turma do fim do mundo”, para investigar os segredos mais recônditos da matéria, enquanto na direção oposta, empurra a maior nação do mundo, maior potencia militar do planeta e maior economia global, a investir uma significativa fortuna para planejar o envio de delicados seres de carbono, para fora da proteção terrestre. Mesmo que, internamente, tal poderosa nação, sofra com uma miríade nada desprezível de problemas sociais, que agradeceriam (caso fossem entidades conscientes) a aplicação, neles mesmos, dos recursos disponibilizados a tais empreendimentos dignos de uma “Space Opera” de Ficção Científica. Ainda mais com o fato, de o destino de paradisíaco não ter nada.
Sendo exatamente esta a conclusão, a que cheguava, próximo ao fim da conversa com meu pai:

- “Longe de mim ir contra a exploração do espaço, negando minha paixão pela Ficção Científica, mas talvez por hora, fosse mais importante aos americanos investirem no bem estar interno deles, tendo em vista, uma perspectiva realista, de que não irão ajudar nenhum outro povo ou nação, como é de praxe.
E recebi como resposta:
- “Pelo contrário, temos tantos problemas, está na hora de exportarmos alguns, acredito ser de profunda importância investir-se nisso”.
O interessante, no rápido diálogo acima, é que não me foi necessário mais argumentos, entendi logo de cara o que ele queria dizer. Minha compreensão alcançada em instantes, como se a frase de meu pai funcionasse como uma chave, bebeu nas fontes já salpicadas anteriormente no texto( um “todo” de repertório literário e Pop), referências nas quais não importa o ambiente em que se encontrasse o homem, se é em velocidade de Dobra trocando torpedos fotônicos com Romulanos ou sitiando com suas linhas de infantaria Bara-Dûr, forçando o todo poderoso Sauron a descer para o corpo-a-corpo. O importante, é que o homem, com sua capacidade de se levantar e buscar algo, através de objetivos nem sempre muito claros, se renova, evolui e melhora a si e a existência de todos de sua espécie, direta ou indiretamente.
Marte é apenas mais um objetivo da eterna busca do homem pelo “pedaço que lhe falta”, e que as religiões apontam estar nos céus, em um plano que nenhum Saturno V é capaz de alcançar. Neste contexto, Marte é apenas, mais um expediente, entre muitos outros, pelo qual a humanidade tem uma opção extra de se melhorar,e talvez, por que não, compreender melhor sua pequenez perante a imensa obra de Deus e/ou Big Bang à sua volta, e assim poder acelerar o processo já tão debilitado do "cuidar com amor e respeito de seu próximo", além de tolerar melhor as diferenças.
Com tais possibilidades, os custos da “missão Marte” são uma verdadeira barganha, em que exportamos nossos problemas, na busca de resolver nossa incompletude, com potenciais e preciosos resultados colaterais, aqui mesmo, sob o “azul céu de ozônio”.