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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dez razões demagógicas dadas por esquerdistas para votar em Aécio com comentários que as desmascaram

 

Comentário: A lista de razões dadas pela propaganda de Dilma não só é composta de mentiras, como é baseada em demagogia, hipocrisia e em esconder a realidade das coisas. Para ter uma ideia liberal para cada um dos pontos, sugiro fortemente ao leitor que leia meus apontamentos. A preguiça, neste caso, só manterá você alienado. Claro, ao final da leitura você pode discordar, mas aí, meu caro, sua discordância é fruto de uma opção ideológica independente da razão.

"Dez boas razões para votar em Aécio respondidas/comentadas;

1 - Se você acha que o que é bom para os bancos é bom para o Brasil, vote em Aécio.

Comentário: Sem bancos não há economia funcional. É um erro grosseiro achar que penalizar os bancos favorece os pobres, pelo contrário, torna o investimento mais caro e isso impossibilita que os pobres tenham acesso a linhas de crédito para investirem em si e dessa forma potencializarem uma saída de sua situação. Não há muitos bancos na maioria dos miseráveis países africanos. Por quê? Oras, porque lá não é um bom lugar para os negócios. Qual é o resultado? Países ricos? Países estruturados? Países eficientes? Não! Miséria. Em contraponto, todos os países em que não se demoniza o sistema bancário há melhor qualidade de vida e dignidade. É idiotice achar que o mal de uma economia são os bancos. O mal da economia são governos intrometidos e excesso de regulação, que acabam SEMPRE estourando no lado mais fraco: os pobres.

2 - Se você acha que o que é bom para Exxon, Texaco, Goldmann & Sachs e J.P. Morgan (o banco do Armínio Fraga) é bom para o Brasil, seu candidato é o Aécio.

Comentário:  As duas primeiras empresas são petroleiras e a últimas duas bancos de investimento, oras, não há livre mercado no setor petrolífero brasileiro, se houvesse, sem a menor dúvida, isso seria bom para a Exxon e a Texaco e, claro, ÓTIMO para todos os brasileiros. Com concorrência a incompetente da Petrobrás ( um mastodonte estatal ineficiente e que com o domínio total do mercado há 60 anos AINDA NÃO CONSEGUIU GARANTIR NEM NOSSA AUTONOMIA EM EXTRAÇÃO E REFINO de petróleo) finalmente teria de se mexer. Com concorrência haveria mais opções e menores preços para os consumidores e o setor funcionaria sem tanta intromissão estatal.
Já o que seria bom para o Goldmann & Sachs e o J. P. Morgan seria o livre mercado no setor de investimentos, isso, obviamente, também seria ótimo para o Brasil, para os tomadores de empréstimo, para os empresários de todos os tamanhos, enfim, para todos. Exceto, claro, para o governo que lucra em manter um mercado de crédito restrito e em interferir com o BNDES na economia escolhendo empresas preferidas e matando um real livre mercado no sistema financeiro nacional. Novamente, o esquerdismo cria falsos demônios para justificar a realidade infernal que trabalha para manter firme e forte, só os otários que acreditam que o Estado é algum ente bonzinho e nos ama acha que deixar tudo a seu encargo vai dar em bom termo.

3 - Se você pensa que os Estados Unidos são os protetores da paz no mundo e que o Brasil deve se alinhar à política norte-americana, tem mesmo de votar em Aécio.

Comentário:  Sim, o EUA são os atuais garantidores da paz no mundo. Os EUA nunca começaram guerras contra democracias. Suas guerras até o presente momento foram contra monarquias, fascistas, nazistas, comunistas (URSS, Vietnã, Coréia do Norte) e, atualmente, islâmicos terroristas. Todos os países aliados aos americanos que se tem notícia evitaram novas guerras e avançaram fortemente em direção a democracia, economia forte e qualidade de vida digna. Os grandes exemplos são Alemanha, Japão e todas as nações da OTAN. Retira-se dessa conta, obviamente, países não democráticos como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, ainda assim, eles matem a paz com seus vizinhos e vêm lucrando bastante com o comércio internacional. Pessoalmente, vale destacar, considero a vista grossa americana a manutenção dessas autocracias uma mácula na política externa ianque, mas, ainda assim, é uma opção muito melhor que o alinhamento a China (que dá apoio militar e econômico a ditaduras assassinas como a Coréia do Norte e perpetra políticas expansionistas contra território japonês), a Rússia (com seus apoios militares e econômicos a separatistas em países democráticos como a Ucrânia e a venda de armas a terroristas na África e Oriente Médio), a Cuba (com financiamentos a grupos guerrilheiros em democracias como a Colômbia, apoio ao tráfico internacional de drogas e armas e apoio técnico a destruição de democracias como a da Venezuela e de outros países por toda a América Latina).

Em suma, estar alinhado com os EUA é estar alinhado como livre mercado, com a Declaração dos Direitos Humanos da ONU, com o Direito a Soberania Territorial de uma nação (uma vez que esta não infrinja o direito equivalente de outras e os Direitos Humanos de seu povo ou outros povos) e com a defesa da Democracia. Estar alinhado com quaisquer outras opções reais de poder geopolítico global, atualmente, é flertar ou abraçar o terrorismo, a autrocracia, o socialismo/comunismo genocida ou o autoritarismo russo. Os EUA não são perfeitos, mas em um mundo de imperfeitos, sob sua tutela o mundo avançou mais em 50 anos do que em 100 sob o Império Britânico.

4 - Se você acha que a educação e a saúde estariam em bem melhor situação se fossem privatizadas, apoie Aécio.

Comentário: Sim, elas estariam muito melhor. A melhor educação fundamental e básica no Brasil já é particular e isso não é uma coincidência. Muito pelo contrário, é resultado da lógica de mercado, ainda que ele não seja efetivamente livre. Instituições de ingerência estatal como o MEC são utilizadas como armas ideológicas do governo para influenciar a livre escolha e definição de currículos em unidades particulares de ensino e como forma de atrasar quaisquer inovações ou soluções no setor. A educação superior estatal AINDA possui algumas das melhores instituições do país, mas a um custo altíssimo ao erário e que só beneficia efetivamente os ricos, já que seus sistemas de seleção são meritocraticos ( o que é ótimo, obviamente meritocracia não inclui cotas). Infelizmente, hoje, a solução imbecil (e mal intencionada) dos governantes é abolir a meritocracia e fazer justiça social nas salas de aula....oras,com a derrubada da qualidade dos alunos o resultado é, obviamente, a derrubada do ensino superior público. A solução para que as universidades HOJE públicas continuem a se manter no topo e abandonem a clara decadência em que se encontram é privatizar o sistema e acabar de uma vez por todas com o MEC e quaisquer outras ingerências estatais.

O livre mercado em todos os níveis de educação trará concorrência e com isso menores preços e maior qualidade para os clientes. No nível superior, os pobres deixarão de pagar pelo ensino dos ricos, economizando dinheiro que pode ser usado para distribuir bolsas de estudos para quem não puder pagar uma universidade ou escola de qualquer nível, mas apresentar dedicação e vontade de entrar nelas e apresentar resultados. Em uma ou duas gerações, o resultado será que os pobres livres da ideologia estatal terão acesso à educação de melhor qualidade, paga, mas a preços acessíveis e os que não tiverem como pagar, mas estiverem prontos a se dedicar e oferecer resultado, contarão com apoio de bolsas estatais.

5 - Se você acha que o salário mínimo está alto demais, agravando o “custo Brasil”, vote sempre em Aécio.

Comentário: Não deveria existir porcaria nenhuma de salário mínimo. Deve se dar ao profissional o direito de precificar seu trabalho. O salário mínimo e a CLT (uma ferramenta absurdamente burocrática e autoritária contra o gerador de empregos) são amarras que prejudicam principalmente os mais pobres. Elas impedem que um trabalhador desqualificado trabalhe para vários empregadores ao mesmo tempo a baixos salários, mas assim componha uma renda e uma forma de possa estruturar sua requalificação ou salvar seus filhos. Elas o jogam na indigência ou ilegalidade, o fazendo flertar com a miséria, afinal, ninguém pagará um salário mínimo por um serviço que não o valha e não quererá (se honesto) cometer um crime e se arriscar a pesadas multas.

Se Aécio EFETIVAMENTE defendesse o fim desse sistema de opressão aos pobres, este, por si só, seria um ótimo motivo para votar nele. Mas Aécio é um socialdemocrata e NUNCA iria contra essa dita “conquista”. Essa é só mais uma mentira (que bem que poderia ser verdade) que jogam contra o candidato.


6 - Se você acha que o lugar de criança delinquente é no Carandiru, não deixe de votar em Aécio.

Comentário: O Carandiru foi desativado, mas ignorando a tentativa tacanha de colar a luta por um sistema penal mais justo (ou seja, que não favoreça o criminoso) ao lamentável e famoso histórico dessa antiga unidade prisional. A noção de que “lugar de criminoso é na cadeia”, está certa. O que é preciso, além de leis duras, é um sistema de avaliação do criminoso menor de idade, conforme é feito nos EUA, onde se avalia por meio de uma junta de psicólogos e psiquiatras a efetiva capacidade do jovem criminoso. Em complemento, obviamente, é preciso que haja uma divisão nos métodos, locais e públicos lotados nas penitenciárias. Não se deve jogar um jovem em uma cadeia com adultos, mas também é inaceitável que um jovem, só por ser jovem, possa cometer com efetiva impunidade quaisquer crimes. Um jovem pode e deve ser condenado a 30 anos por um assassinato. O que não significa que deva cumprir com adultos muito mais perigosos ou de folha corrida mais longa. Impedir a modificação da idade penal, só e simplesmente, é transferir a sociedade o ônus da criminalidade, ao dar carta branca a que um ser humano faça o que quiser com outro apenas com base em uma definição arbitrária de idade e que não leva em conta um princípio jurídico do código penal: a individualização da pena. Se um jovem (com menos de 18 anos) é ciente e sabe o que está fazendo, não deve sair impune.

7 - Se você acha que os ricos, os fazendeiros, os empresários e os donos de supermercados pagam impostos demais, Aécio é seu candidato.

Comentário:  TODOS os brasileiros pagam impostos demais, incluídos os pobres. TODOS são iguais perante a lei e, por isso, NINGUÉM deve ser submetido a mais ou menos impostos devido apenas a sua condição financeira. Inclusive, cobrar mais dos mais ricos é um tiro no pé, um plano dos mais estúpidos. Ao se penalizar a eficiência e o lucro, se espanta o dinheiro para países que não fazem isso e, ainda, se desmotiva a criação de riquezas. Quem em sã consciência irá trabalhar mais para pagar mais impostos a serem gastos por um Estado mastodôntico que lhe sugará e, como bônus, o demonizará o culpando pelas mazelas que ele próprio causa?

O que o Brasil precisa é de mínimos impostos para todos, mínimo tamanho de Estado. E independente da renda, a pessoa possa usufruir dos frutos de seu trabalho sem ser espoliada autoritariamente por um governo gastador e ineficiente.

8 - Se você acha que o neoliberalismo demonstrou, na Europa, sua eficácia para enfrentar a crise econômica e o desemprego, Aécio é seu homem.

Comentário:  Fosse verdadeiramente LIBERAL (essa pataquada de neoliberal é invenção de esquerda que cria um “demônio” ideológico imaterial para por a conta de todos os desastres criados por ela mesma) a Europa não teria quebrado. Ela quebrou por ser EXATAMENTE POR NÃO SER LIBERAL (OU O QUE OS OTÁRIOS CHAMAM DE NEOLIBERAL). Ela queboru por ser SOCIALDEMOCRATA!!!! Ou seja, defender uma larga e ativa intromissão estatal que infantiliza o povo e custa fortunas. A Europa quebrou por gastar mais do que podia, leia-se emprestar e não poder pagar, Quebrou por bancar milhões de pessoas para que não trabalhassem e, assim, não gerassem riqueza para garantir recursos para tais pagamentos.

Fosse LIBERAL, nem teria sentido a bolha imobiliária criada por dinheiro estatal no EUA. O liberalismo mostrou sua força, efetivamente, em Hong Kong! Quem aí ouviu falar de miséria pelas ruas do lugar? Ninguém! Motivo? Lá as pessoas não são pajeadas pelo governo e este não contraiu dívidas que não tinha como pagar, ao mesmo tempo que não penaliza o lucro como é feito na Europa (ao custo de milhões de empregos que eles precisam agora e, por não ter, estão com dificuldades de se reerguerem). Em Hong Kong a população tem acesso a crédito barato, empregos que pagam bem e vive com dignidade. O preço da dignidade na Europa socialdemocrata (filha bastarda do socialismo) era a venda do futuro. Uma hora a realidade cobrou a conta e os espertos esquerdopatas colocam a conta nas costas de um liberalismo (ou neoliberalismo para otários) que NUNCA efetivamente existiu por lá. Aliás, o país mais liberal da região é a Alemanha e, veja só, ela não quebrou!


9 - Se você acha que a taxa de juros esta baixa demais, prejudicando os detentores da dívida pública, seu candidato é mesmo Aécio.

Comentário: O governo não deveria ter o poder de definir porcaria de taxa de juros nenhuma. Se a taxa de juros baixa faz mal ao mercado é porque ela está em um nível artificial, e isso sempre causa danos à economia e, por tabela, aos empregadores e acerta inevitavelmente os trabalhadores. Achar que se pode definir um fator de mercado na canetada e que vai ficar tudo bem, é a típica ignorância de esquerda que leva países a miséria.

10 - Se você acha que a Reforma Agrária é coisa do passado e que o futuro de um Brasil moderno é o agronegócio produtor de commodities, por favor, vote em Aécio.

Comentário:  Sem dúvida a Reforma Agrária é coisa do passado, aliás, nunca foi coisa do futuro. Essa tal “reforma”, que de reforma não tem nada, não passa de bastião de luta de socialistas/comunistas antidemocráticos e que querem um degrau para implantar uma ditadura no Brasil. A civilização SEMPRE avança para a concentração urbana, foi o que fez no período romano e é o que faz agora. O campo precisa ser a base de criação de riqueza de forma eficiente para uma população urbana cada vez maior e mais sedenta por alimentos. Subdividir o campo em pedacinhos para subsistência não só não favorece o futuro dos assentados como prejudica o futuro dos urbanizados. O Brasil tem natural condições para ser exportador de commodities e isso não é vergonha ou pecado. Mas, obviamente, não nos obriga a ser apenas isso. Achar que transformar terra produtiva em locais de subsistência e aumentar o número de pessoas no campo ( alienadas dos avanços civilizacionais e submetidas a ideólogos de esquerda) é solução para elas, ou para o país, é o mesmo que pensar que brincar de roleta russa é uma coisas saudável a médio e longo prazo. O campo, como qualquer outro lugar, precisa (para o bem da sociedade) estar sob a lógica do livre mercado. Só assim será produtivo, gerará riqueza e favorecerá o máximo de pessoas. Criar legiões de pequenos proprietários incapazes de se autossustentar ou sobreviver às exigências de mercado é só uma forma de dar mais poder ao Estado por meio da submissão de mais gente a sua dependência.

Moral da propaganda esquerdista: Se entretanto, por alguma razão obscura – ignorância, preconceito anticapitalista, esquerdismo, falta de confiança em nossas elites – você não acredita em nada disso, provavelmente votará na Dilma…

Comentário a essa moral torta: É exatamente por eu entender o mundo para além da doutrinação de esquerda tacanha enfiada goela abaixo dos estudantes brasileiros que voto no Aécio e vejo na Dilma e na lista dupla de mentiras acima (primeiramente porque a maioria das propostas não são defendidas pelo Aécio e secundariamente por elas, ao contrário do que se dá a entender, não são ruins, são boas, mas enviesadas e se aproveitando do desconhecimento de economia e mercado das pessoas comuns) um motivo urgente para que ela e seu partido sejam retirados do poder.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O preço da Copa, uma visão demagoga de esquerda

 

Assisti ao documentário “The price of the World Cup” (O preço do Mundial), dirigido e produzido por Mikkel Keldorf, que busca analisar (obviamente sob uma lupa esquerdopata) o que considera o legado “social” da Copa do Mundo. Tenho uma série de apontamentos que considero relevantes sobre a película e que me sinto moralmente obrigado a registrar. Seguem:

1 – Desigualdade: O DOC sistematicamente utiliza o conceito de desigualdade social como algo intrinsecamente ruim, ignorando o fato de que a igualdade é um ideal inalcançável e impraticável, aliás, assustadoramente não interessante a qualquer sociedade. Vale a pena ler mais a respeito nos links abaixo. Fosse mais bem informado ou ideologicamente menos manipulador, o autor teria reclamado é de como a falta de liberalismo leva massas à miséria nas regiões retratadas.

Igualdade: o ideal desconhecido

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1551

O igualitarismo é uma revolta contra a natureza

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1206

A igualdade de renda é moralmente indefensável e seu legado é humanamente trágico

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1802

A igualdade econômica é imoral e atenta contra o “bem comum”

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1859

2 – Estatísticas: O documentarista utiliza dados de número de crianças de rua mortas dado por um dito especialista em ONGs que atendem este público específico. Oras, qual diabos é a credibilidade do número apresentado? Fosse eu dirigente de uma ONG de atendimento a velhinhos em situação de desamparo, tendo a oportunidade, inflaria o máximo possível os dados de forma a ampliar minhas chances de obter verbas. (Exatamente o que fazem os cientistas no concernente ao aquecimento global) No Brasil, vale destacar, as ONGs são reconhecidamente grandes receptoras do dinheiro de doações e de divisas governamentais. Motivos estes pelos quais são sistematicamente relacionadas a casos de corrupção e desvio de verbas. Obviamente, o número de casos de morte de crianças de rua da SSP do CE ser zero é digno de desconfiança, mas daí a se trabalhar com o número de 121 é um grande salto, principalmente, porque se parte do pressuposto implícito (no documentário) que seriam jovens executados à mando do “capital local e/ou internacional”. Em suma, os números não possuem credibilidade e vem carregados de rancor ideológico. Fossem uma média de dados de institutos, pastorais, ONGs e pesquisadores, ok, mas um “certo cálculo” tirado da cartola não dá para levar a sério.

3 – Removidos: A entrevista de moradores de favelas impactadas por obras da Copa, sem fazer delongas, omite de que eles não são proprietários legais dos espaços em que moram na maior parte das vezes. Favelas são em sua totalidade invasões ilegais de terrenos particulares ou da própria União. O uso de parâmetros como “uso capião”, que muitas vezes permite na Justiça que esses invasores ganhem direito a habitação dos locais devido ao tempo de permanência, é muito mais uma prova de um Estado que não leva a sério os direitos a propriedade, do que prova de um “direito adquirido”. Ainda assim, como o próprio documentário mostra, as desapropriações respeitaram o ordenamento legal oferecido a proprietários legais, ou seja, a devida indenização. Se o documentarista que justificar alguma injustiça, deveria trazer o quanto foi que as famílias receberam antes de serem retiradas e o quão abaixo do mínimo necessário este valor é. Mas ele não fala! Motivo? Aposto que o Estado deve ter pago um valor justo (afinal, o contrário levaria a uma grita geral na mídia) e isso não contaria “pontos” para o documentário.

É claro (e mais do que óbvio) que uma área legal e urbanizada, em equivalente localização das favelas, não terá um aluguel ou preço de metro quadrado de barraco. Até aí, tem muita gente que paga aluguel há décadas, para poder viver nestes espaços legalizados e o dia que tiver que se mudar não sairá com uma bolada em dinheiro. Para quem vivia as margens da lei, agora, poder comprar uma casa dentro da lei, na periferia, pode não ser ideal, mas é muito mais do que justo. Isso, se tais famílias tiverem em mente entrar na legalidade, o que eu duvido (vide os incentivos do Estado para isso, já que nunca ouvi falar de que famílias tivessem um limite máximo de vezes em que possam ser beneficiadas com desapropriações de ambientes invadidos...) O mais provável, até mesmo tendo em vista a realidade econômica delas, é que tenham armado outro barraco na mesma área (mas fora da zona de retiradas indenizadas) e embolsado a diferença de custo. A reclamação da moradora falando do custo de aluguéis na região chega a ser patética. De onde ela tirou que pode exigir condições idênticas de localização só porque o barraco ilegal anterior tinha isso? Nem o dono de um propriedade legal, uma vez indenizado, pode! Mas ela pode entrar pedindo uma indenização por danos morais. Duvido que tenha tentado.

4 - Genocídio: Ao entrevistar um especialista alemão em violência no Brasil, o documentário deixa de destacar/explicar/descrever/citar ou chutar os motivos que levaram os estados de SP e do RJ a terem reduzido seus casos de extermínio de moradores de rua e o porquê de no nordeste e norte esta ser a nova “moda”. Pronto a oferecer o microfone a um “especialista” de ONGs que só falta dizer que todo o policial militar em folga é um potencial matador de aluguel de pobres , o documentarista “esquece” de abordar como as regiões que destaca estão, desde que se sabe, nas mãos de partidos governistas com programas assistencialistas de cunho eleitoreiro e administrações profundamente corruptas e acomunadas com o crime organizado.

Infelizmente, o que ele (documentarista) faz é dar a entender que é o “capitalismo” por trás dos grandes eventos internacionais a mola propulsora do aumento dos assassinatos de moradores de rua. E com base no que? Na acusação insensata de um dito especialista em ONGs da região, é claro! O mesmo que acusa o comércio local, por exemplo, de contratar matadores para se livrar de ladrões e moradores de rua. O que, não posso afirmar que não é um fato, mesmo que seja, é muito mais o resultado da ineficiência estatal em oferecer segurança pública de qualidade e muito menos um mero preciosismo de quem possui dinheiro. O fato de se esconder que os assassinatos, muito provavelmente, são promovidos é pela própria bandidagem em aberto processo de organização (o que sempre gera pilhas de corpos de bandidos concorrentes menos organizados), é apenas um detalhe.

É mais do que óbvio que não interessa aos governos brasileiros populistas que o mundo conheça as mazelas nacionais e regionais, mas jogar o problema nas costas da organização da Copa é livrar a cara dos verdadeiros responsáveis, aqueles que há décadas dominam sistematicamente os governos locais e nada fizeram para resolver a questão dos moradores de rua (entre muitas outras), com especial destaque ao PT que está no poder e é o principal beneficiado pelo evento.

5 – Liberalismo: Em um determinado momento do documentário um garoto diz como sobrevivia inicialmente mendigando e como passou a vender balas para assim conseguir seu sustento diário. É uma situação triste, mas menos desesperadora do que a de um garoto de rua em uma república africana falida pós (ou ainda) sob tutela de governos de esquerda e que não terá à sua disposição um mercado interessado ou capaz de comprar bombons. A livre-empresa do garoto é o símbolo de como o CAPITALISMO gera riquezas e, ainda, que se fosse menos combatido pela corja ideológica que edifica as bases filosóficas do documentário, seria a solução para que muito menos meninos e meninas estivessem nas ruas. Fosse este um país menos hipócrita, as tais duas “pobres” ONGs que o “especialista” diz terem fechado por falta de dinheiro, poderiam se manter com base no trabalho da molecada.

Um moralista gritará “Trabalho infantil é crime!”. Melhor então morrer de fome? Oras, pode um menino de rua, desde que sozinho, vender doces, mas não podem, de forma organizada, centenas de crianças venderem doces e todo o tipo de bugiganga a interessados em benefício delas mesmas? Qual a diferença, fora que em maior escala todos se beneficiariam? O dinheiro arrecadado, se bem administrado por verdadeiras organizações sem fins-lucrativos, garantiria a todos estes jovens um teto, comida de qualidade, roupas e educação no meio período que não estivessem trabalhando. Para que doações se essas crianças podem aprender logo cedo o valor do trabalho, usufruir do fruto dele e garantir o seu próprio futuro? Só uma sociedade hipócrita, preferirá crianças brincando imundas, abandonadas e doentes no chão da rua, a crianças fazendo um trabalho leve, mas que garanta sua dignidade e sobrevivência. O mundo ideal pode ser de molecada rindo nos parques, mas se o mundo possível é de garotada de barriga cheia, estudada e que não gerará mais uma geração de moradores de rua, já está de bom tamanho!

6 – Cidadãos: Segundo o documentário no Rio de Janeiro a polícia mata cerca de 885 cidadãos por ano. Sério? 885 cidadãos ou esse número de seres humanos? Uma pessoa não é um cidadão só por ser um indivíduo, pelo menos, não segundo a definição do termo cidadão. Vejamos:

Segundo o dicionário da Porto Editora “cidadão. nome masculino. indivíduo pertencente a um estado livre, no gozo dos seus direitos civis e políticos, e sujeito a todas as obrigações inerentes a essa condição”. Um bandido morto em confronto é um cidadão? Oras, dirão: “mas nem todos são bandidos!”, oras, direi, mas nem todos são cidadãos! Na dúvida, não rotular traficante de cidadão é importante. Ao mesmo tempo, esquecer das outras 50 mil vítimas por ano da criminalidade brasileira, ou seja, dos cidadãos de segunda-classe (ou candidatos a cidadãos, já que não se pode dizer que sejam todos merecedores da classificação), é esquecer “sem querer” que no Brasil, faz muito sentido a polícia abater só no RJ 885 por ano. Pode parecer cricri da minha parte, mas as palavras fazem toda a diferença e um estrangeiro, principalmente um que desconheça a realidade brasileira e a montanha anual de corpos do país, será induzido a imaginar que a PM carioca anda metendo bala em qualquer um que lhe passa na frente. Ainda que, concorde, a corrupção da corporação no Rio, leva a muitos casos de abuso de poder e assassinato de inocentes e cidadãos. Mas frente à realidade nacional, generalizar a atuação da polícia como “assassina” eminentemente de gente inocente é, simplesmente, o cúmulo da demagogia de esquerda. A mesma que faz, pasme, regiões muito menos policiadas do norte e nordeste a EXPLODIR em criminalidade e em assassinatos. Mostrar que o aumento do efetivo das tropas, incremento no policiamento ostensivo, investimento em inteligência e em número de prisões em São Paulo fez com que hoje a criminalidade no Estado seja equivalente a de Nova Iorque nos anos 90, o alemão na direção não fez. Preferiu dizer que o índice de mortes no RJ é de 1 para 10 mil, enquanto em NY é de 1 para 1 milhão. Mas, porque não comparou com o de SP ou, melhor, com o de Fortaleza? Simplesmente, porque se fizesse isso, teria de admitir que quanto maior o policiamento, menor os índices, e seu projeto de “estigmatização” da polícia militar iria por água abaixo.

Em suma, o documentário é uma colcha de retalhos das demagogias de esquerda e nem se dá ao trabalho de criticar um problema que todo o brasileiro sério vê escancarado na simples frase “Brasil, país do futebol”. A saber, o mal que é um país ter como ápice e, talvez, única forma de gente pobre vencer na vida, a profissão de chutador de bola. Pelo contrário, com o tom emotivo clássico de todo material de propaganda esquerdopata, o documentário retrata na vibração de meninos de rua em uma Copa exclusiva para crianças de toda a parte do planeta na mesma situação (algo por si só horroroso de se pensar pelo motivo que retratei neste parágrafo, mas dessa vez em escala global) a “beleza e esperança” de um futebol que não resolverá nada na vida delas. É quase como dizer “estamos aqui combatendo o Capital, ok? Esse esporte ser o ópio de um povo ignorante, a nós serve muito bem”.

Assista o documentário e vomite também:

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Populismo, democracia e liberdade


(Texto vencedor do VII Prêmio Donald Stewart Jr. 2010, promovido pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro-RJ)


Por Gutierres Siqueira

A disciplina é fundamental para o avanço da revolução e essa revolução tem um líder... Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba! (Hugo Chávez, líder populista)

O populismo, a democracia e a liberdade são palavras diferentes que se relacionam positivamente ou negativamente no contexto político das nações. Portanto, partindo de uma análise da América Latina, verificam-se as características e consequencias políticas do populismo na qualidade da liberdade e da democracia nesta parte do globo, principalmente nos últimos anos com o advento do neopopulismo.

O populismo: democracia e liberdade ameaçadas

O populismo é um estilo político de cunho personalista, sendo um traço marcante na vida dos latino-americanos. Os principais governos de vertente populista dominaram quase todos os países latinos, como o Brasil com Getúlio Vargas e a Argentina com Juan Perón. Depois de crise de 1929, os países latinos sofreram transformações importantes, voltando-se para governos autoritários e de discurso demagógico. Os brasileiros, como os demais latino-americanos, conhecem bem as consequencias sociais das políticas aplicadas por presidentes ou ditadores populistas.

Nos últimos anos a América Latina tem sofrido um novo retrocesso político. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, boa parte dos países sofreu a suspensão da ordem democrática por meio de regimes militares. Nos últimos anos, países como Bolívia com Evo Morales; Equador com Rafael Correa; Nicarágua com Daniel Ortega; Paraguai com Fernando Lugo e a Venezuela com Hugo Chávez elegeram governantes de tendência populista e autoritária, sendo eles contastes críticos da liberdade dos mercados e da liberdade de imprensa. O maior representante do neopopulismo latino é o protoditador venezuelano Hugo Rafael Chávez Frías. Chávez denominou o seu populismo de “socialismo do século XXI” e “bolivarianismo”, baseado no libertador Simón Bolívar.

Definir as políticas de Hugo Chávez como neopopulistas são mera força de expressão, já que o populismo de hoje é praticamente o mesmo, tanto em suas características, como em suas consequencias. O neopopulismo nesse começo de século se alinhou aos sonhos autoritários de uma esquerda carnívora. As principais características do populismo, sejam as de hoje ou do passado, são:

Popularidade pelo assistencialismo

Os governantes populistas praticam o assistencialismo como política de compra e sustentação de votos. Além disso, o assistencialismo serve como manutenção da popularidade. Baseados nas necessidades de classes populares e carentes, os populistas não usam programas assistenciais como paliativos, mas sim como meios perpétuos de dependência do Estado pelo indivíduo.

Diante desse quadro, os populistas criticam todos os que defendem a meritocracia como sustentação própria do homem. Os populistas detestam a ideia do homem como ser autônomo. Preferem achar que o homem é um necessitado do cuidado paternal do Estado em lugar de condições de emprego e estudo para o crescimento pessoal.

Messianismo

Os líderes populistas se comportam como messias. No discurso demagogo se apresentam como a “salvação” para o país. O messianismo é atraente em uma região culturalmente ligada à Península Ibérica. No imaginário de santos e mártires, ligados ao forte catolicismo popular, acabou por fortalecer a figura de homens e mulheres especiais, designados divinamente para uma grande missão libertadora. Fato é que países de tradição protestante são mais resistentes aos líderes messiânicos.

O populismo e suas políticas já são um traço tão marcante da vida nacional. O sociólogo Alberto Carlos Almeida constatou por meio de pesquisas que a maior parte dos brasileiros são defensores de um Estado pesado que gerencie todos os aspectos da economia. Uma mentalidade menos estatizante é mais presente quando o brasileiro aumenta sua escolaridade:

No Brasil, a maioria da população, que tem escolaridade baixa, prefere um Estado mais forte. A mentalidade antiliberal é dominante. Mas, ao colocarmos uma lupa, observamos a divisão de mentalidade entre a escolaridade baixa e o nível superior. O canudo universitário dá poder e aqueles que o têm preferem um Estado mais fraco. [1]

Muitos, inclusive, não se importam com liberdade de imprensa, liberdade de mercados e acham que ser liberal é elitista. Em uma sociedade assim, qualquer discurso paternalista é capaz de mobilizar milhões e milhões de seguidores.

Criação de inimigos

Os populistas sempre enfatizam os seus inimigos reais ou imaginários. “O diabo é o outro”, como diz o chavão. No contexto latino os inimigos de sempre são o terrível imperialismo americano, as grandes multinacionais, os agentes financeiros e os organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Os neopopulistas sempre enfatizam o suposto “golpismo” da oposição, sendo que diante de qualquer crítica ou protesto é visto como um braço que quer derrubar o governo.

Mau gerenciamento econômico

As leis econômicas não fazem os gostos dos líderes populistas. Quase todos os governos latinos somente desmantelaram a economia com o “governo do povo”. Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, escreveu uma sobre o populismo econômico na América Latina, e constatou sobre as consequencias de políticas demagógicas:

Sem dúvida, o século XX não foi bom para os vizinhos aos sul dos Estados Unidos... A Argentina começou o século com PIB per capita real maior que o da Alemanha e dos Estados Unidos. O do México, durante o século, caiu de um terço para um quarto do PIB per capita dos Estados Unidos. O empuxo econômico de seus vizinhos do norte não foi suficiente para evitar a queda. Durante o século XX, os padrões de vida dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e da Ásia subiram, cada um deles, mais de um terço mais rápido que os da América Latina. Apenas a África e a Europa Oriental apresentaram desempenho pior. [2]

Quando a economia está em frangalhos, os populistas apelam para demonizar o inimigo. Confiscam mercadorias, taxam com mais impostos, congelam preços, consequentemente elevam a inflação para taxas astronômicas. Diante da crise, acusam as empresas de desestabilizarem o governo. Tal cenário já foi visto no Brasil, e hoje se repete na Venezuela de Hugo Chávez e, em menor grau, na Argentina do casal Kirchner.

A Venezuela, como citado, é um exemplo contemporâneo de desajustes econômicos, mesmo possuindo uma grande reserva de petróleo. O cientista político peruano Álvaro Vargas Llossa escreveu sobre a economia venezuelana comparando com a economia mexicana, assim apontando alguns dados ruins surgidos sob o governo do caudilho Hugo Chávez Frías:

De 1998 a 2005, a desvalorização da moeda foi de 16% no México e de 292% na Venezuela; a taxa de desemprego era de apenas 3,8% no primeiro e de (oficialmente) 12,9% na segunda, embora, pelas razões expostas, esse índice possa ser consideravelmente maior caso se descartem os empregos ocasionais financiados pelo governo; os lares em situação de extrema pobreza diminuíram no México em 49%, enquanto na Venezuela subiram cerca de 4,5%. [3]

Os recentes problemas como o racionamento de energia na Venezuela, além do câmbio artificial e da alta inflação, mostram que as leis de mercado simplesmente não se curvam diante dos mandos e desmandos de algum presidente. O Brasil, por exemplo, conseguiu uma verdadeira “revolução” econômica com o Plano Real em 1994, sem nenhum processo que visava uma ação midiática ou narcisista do líder da nação.

Empatia retórica com “o povo”

Os populistas dizem que amam “o povo”. Gostam de usar frases de empatia para com a população carente. Falam contra ricos e poderosos, sendo eles mesmos os primeiros ricos e poderosos. Apresentam grande facilidade de se apresentarem como “pai dos pobres”, “amigo dos desvalidos” e outros conjuntos de adjetivação atraentes. Aliás, os populistas olham para a população como uma grande massa e, por isso, usam e abusam da palavra “povo”.

A tendência populista é contrária ao individualismo. Contra essa tendência, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu: “Eu não acredito no povo. O povo é uma abstração totalitária. Eu acredito em pessoas” [4]. Na demagogia a ideia de “povo” é usada tanto para esconder o autoritarismo, como para camuflar a verdadeira intenção do governante, que é o bem pessoal em detrimento do trabalho pela sociedade.

Populista é nacionalista. O nacionalismo se converte em mais poder

O nacionalismo se manifesta de forma grotesca e alucinada. A nação precisa defender os seus recursos naturais e se militarizar contra os inimigos imperialistas. A nação também torna-se inimiga do capital financeiro, que segundo os populistas, só tem interesse em expropriar o país. Longe de usarem argumentos sinceros, os populistas buscam no orgulho nacional uma unidade para preservação e perpetuação do poder.

O nacionalismo na América Latina tem sido usado sistematicamente com o objetivo de poder. O caudilho, termo usado para ditadores latinos e espanhóis, abusam desse discurso para que a opinião pública apoie todos os planos do líder, dando mais poder sobre o legislativo e judiciário. Sob um estado de guerra, o populista tenta justificar todos os seus abusos contra a democracia e a liberdade. E logo proclama: “O Estado sou eu”.

O clássico Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano já alerta sobre isso nos idos da década de 1990:

O caudilho encarna o Estado- o personifica – mas também encarna a sociedade em seu conjunto. O caudilho é a nação. Quando o caudilho se aborrece, a nação se aborrece. Quando está triste, a sociedade se amofina. Quanto ele, o macho, está contente, ela, a fêmea sorri. Quanto mais amantes passam pela cama do chefe, mais se admiram os bíceps políticos do caudilho, mais assustam suas fobias e mais alegram suas inclinações. O humor do caudilho é marco jurídico, político, institucional a servir de referência diária ao país. Diante da ausência de instituições sólidas, o caudilho surge com sua força viril. A lona duração do governo compensa a instabilidade de sociedades incompletas. O caudilho torna-se a única coisa permanente, um verdadeiro projeto nacional em si mesmo [5].

Eis um retrato perfeito da Venezuela atual, onde o caudilho Hugo Chávez já resolveu mudar até o fuso horário do país. Ainda por cima, Chávez governa a vida das pessoas pela televisão, falando do tempo no banho e até da suposta influência dos vídeos games sobre as crianças.

Liberdade às favas

Os populistas minam a liberdade por acreditar que “o povo” é incapaz de se governar. Acham sempre que a população precisa de sua tutela. Dessa forma, decidem desde a comida que a população deve consumir até o jornal que devem ler. Em um Estado governado por um populista, a liberdade sempre será confrontada e solapada pelos gostos do governante. Aliás, quando um líder é maior que a instituição que representa, o autoritarismo já bate na porta.
O populista não possui mecanismos de controle, portanto é um estilo de líder incompatível com a democracia. Com seu discurso inaugural, esse tipo de governante implanta a divisão no país, fazendo com que toda a população se volte contra este ou aquele grupo político. Aliás, o populista acredita em completamente “puros” e completamente“ímpios”, sendo ele o exemplo máximo do melhor que há no mundo. A visão maniqueísta somente leva para a divisão de uma sociedade marcada pela violência e corrupção. Em regimes assim sempre haverá presos políticos.

Democracia reinventada e distorcida

Os esquerdistas sempre valorizam a chamada “democracia direta”, que por meio de plebiscitos e movimentos sociais, a sociedade decide o que quer. Bem, os populistas também acreditam na “democracia direta”, ao ponto que utilizam vários plebiscitos para supostamente manifestar a vontade da maioria. Com propagandas e a máquina do Estado, o líder usa desse artifício para impor a sua vontade.

Sobre a democracia direta, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirmou em entrevista que “a tese de contato direto com a população foi usada pelo fascismo” [6]. Certamente, tal artifício somente esconde as intenções autoritárias que minam a democracia por dentro. É bom lembrar que a democracia e o Estado Democrático de Direito não acabam de um dia para a noite, mas sim por processos lentos e constantes rumo ao autoritarismo. Portanto, toda a atenção é pouca diante das várias tentativas de destruir os preceitos democráticos.

Como nem sempre a maioria está certa, e também lembrando que as leis são feitas na base de muita reflexão, nada melhor do que a democracia representativa. Realmente o legislativo no Brasil não ajuda na imagem da representação, mas apesar das imperfeições, a democracia necessita ser um espaço de moderação e civilidade, e não uma maneira de agir baseado na emoção e calor do momento. O professor Ricardo Vélez Rodríguez escreveu que a união entre “povo” ou “massa” supostamente representada sem instituições mediadoras é certamente autoritarismo: “Preocupa notadamente o fato... da tentativa dos Executivos hipertrofiados pretenderem se vincular diretamente às massas- ao povão que dizem representar – deixando de lado as instituições do governo representativo” [7].

Conclusão

O populismo não combina com democracia. A verdadeira representação passa por representantes legitimamente eleitos, e não nos desdobramentos narcisistas de um líder autoritário. A liberdade sempre é ameaça quando um homem ganha a estatura de um Estado.

Referência Bibliográfica:

[1] ALMEIDA, Alberto Carlos. A Cabeça do Brasileiro. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p 211.
[2] GREENSPAN, Alan. A Era da Turbulência- Aventuras em um novo mundo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p 323.
[3] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. A Volta do Idiota. 1 ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007. p 73.
[4] AZEVEDO, Reinaldo. Máximas de um País Mínimo. 1 ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. p 154.
[5] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. 7 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil e Instituto Liberal, 2008. p 243.
[6] RODRIGUES, Leôncio Martins. Democracia direta é impossível de realizar. Entrevista. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 17 jan. de 2010. Caderno Nacional. A8.
[7] RODRÍGUEZ, Ricardo Vélez. O Neopopulismo na América do Sul- Aspectos Conceituais e Estratégicos. Disponível em: <> Acesso em: 18 jan. 2010.

A globalização e a liberdade de expressão

Por Gutierres Siqueira

O fenômeno chamado globalização tem como uma de suas características a ampliação da informação por meios eletrônicos que surgem mediante a inovação e a competição tecnológica. A necessidade do homem como animal social é comunicar, informar e ser informado. Ao mesmo tempo que o mundo vive uma efervecência de informação, ainda há muitas sociedades que estão sob regimes totalitários.

Quando se estuda a globalização e a liberdade de expressão, logo duas questões surgem: 1) A globalização e a sua consequente inovação tecnológica estão ajudando na consolidação da democracia no mundo? Eis um problema que nasce da reflexão sobre o papel que os templos globais exercem sobre os processos políticos internos de várias nações no mundo. 2) Outra questão importante é se a democracia reclamada pelas sociedades liberais não é mais um processo de hegemonia cultural por parte das grandes empresas de comunicação. Assim pensam aqueles que defendem uma restrição de grandes grupos comunicacionais, pois argumentam que a liberdade de expressão não pode ser confundida com a liberdade das empresas.

A hipótese para a primeira questão é positiva. A globalização, por meio da tecnologia, é um poderoso auxílio na transmissão de informações. Tal processo não é parte de um movimento organizado ou proposto por um líder carismático com um partido forte. A liberdade de expressão é uma reação espontânea que as novas tecnologias permitem. A expressão dos sentimentos mais íntimos é a essência da comunicação digital. Não é à toa que os blogs nasceram como diários virtuais de adolescentes que partilhavam detalhes de suas vidas na web. Depois, os blogs ganharam espaço na divulgação de ideias políticas, econômicas, ideológicas e partidárias.
Levando em conta a segunda questão, a hipótese é de que a liberdade sofre dois tipos de restrição: a humana ou a “natural”. A primeira restrição pode ser chamada de censura, mas a segunda não. Quando alguém não tem um computador com acesso à internet, por exemplo, esse não está sendo censurado. A falta do meio eletrônico (computador pessoal, notebook, netbook ou celular) é um processo “natural”. Vários fatores determinam a não posse do objeto. Já quando alguém é blogueiro e outro intervém em seu acesso à internet, aí sim há uma censura. A censura tem raiz latina e significa “pesar, avaliar e julgar”. Portanto, censurar é uma ação de restringir a liberdade de uma pessoa contra outra pessoa ou de um grupo contra outro grupo. Não poder, por exemplo, construir uma grande emissora por falta de condições financeiras não é censura, como argumentam os defensores da própria censura, tentando justificar os seus atos.


01) Tecnologia, globalização e acesso à informação, dialogando com Thomas Friedman

A inovação tecnológica caminha junto com a globalização. A competição é o motor que move a industria da tecnologia. A tecnologia abre espaço para a comunicação mais ampla e barata. Os modernos meios de comunicação são cada vez mais eficazes contra atos de censura. Portanto, raciocinando assim, a globalização é um facilitador da liberdade de expressão. Assim pensa o escritor, ensaísta e jornalista Thomas Friedman, autor do livro O Mundo é Plano [1], um tratado pró-globalização.

“A globalização não é uma ideologia nem um programa econômico a ser defendido; é, isso sim, uma interpretação daquilo que está acontecendo no mundo”[2], defende Friedman. Portanto, a globalização é um processo de séculos de integração dos povos. O transporte, a comunicação, o comércio e outros fatores têm diminuído a distância entre os povos e suas culturas. Não é por acaso que a democracia avança como um valor nessa era da informação, mesmo em ditaduras fechadas.

No Irã, o uso do Twitter por meio de celulares conectados à internet, por exemplo, permitiu que o todo o mundo soubesse da repreensão política que o regime comandado pelo aiatolá Ali Khamenei e pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad implantaram nas eleições fraudulentas de 2009. Na China, a repreensão do Estado policial aos tibetanos foi repassada em imagens produzidas por telefones celulares. Em Cuba, a blogueira e jornalista Yoani Sánchez manda suas impressões da ilha sob a ditadura castrista, além do incentivo e treinamento de jovens blogueiros.

Todos esses exemplos mostram a tecnologia a serviço da liberdade de expressão. Thomas Friedman comenta:

Aqueles países que possuem boas instituições vão se dar bem em tempos globais, os que não tiverem vão ter um problema sério para resolver. E isso não tem apenas a ver com os altos e baixos da economia. Seu governo é uma espécie de tomada, que liga você ao sistema. Se ele for um bom governo, você estará ligado com segurança. Se for corrupto ou fraco, o trânsito entre seu país e o 'rebanho eletrônico', ou seja, o fluxo de capitais que se move digitalmente pelo mundo, será interrompido, asfixiando sua economia. E isso acontece não apenas porque as ditaduras e a corrupção sejam imorais, mas porque elas são antiprodutivas. Um bom governo tem de ser equipado com uma burocracia eficiente e honesta, bons tribunais, boas instituições regulatórias. As pessoas estão excessivamente preocupadas com o chamado 'abismo digital'. Eu não. Em cinco anos, quem hoje ganha apenas o equivalente a 1 dólar por dia poderá comprar um Palm Pilot (smartphone americano). A democratização tecnológica se encarregará disso. Mas será que daqui a cinco anos teremos a segurança de que, por exemplo, os julgamentos serão justos em Manaus, sem que os juízes brasileiros sejam corrompidos? O que dizer do abismo entre as pessoas? É isso que importa. [3]

Portanto, é possível que a tecnologia possa, diferente do que temido por George Orwell, servir como controle do Estado pelo indivíduo e não para o controle exercido pelo Estado.

02) Liberdade de expressão é necessariamente liberdade de imprensa, dialogando com Isaiah Berlin

Não há sentido em falar que as empresas de comunicação exercem uma ditadura nas democracias. Em primeiro lugar, em um país com instituições estáveis (como Brasil, União Europeia, África do Sul, Japão, Canadá, EUA e outros) é possível que qualquer empresário, com condições financeiras para tal, possa abrir uma empresa de comunicação com uma linha editorial própria. Nenhuma empresa de comunicação, em países estáveis institucionalmente, pode impedir a abertura de outra empresa.

A verdadeira censura não é a impossibilidade física, biológica, econômica ou geográfica de fazer alguma coisa. Censura é ato de pessoa contra pessoa. O filósofo lituano Isaiah Berlin, que foi professor da Universidade de Oxford, argumentava nesse sentido:

Mas o sentido em que isso o torna não livre não é necessariamente mais social ou político do que físico, histórico ou geográfico. Quando a sua falta de liberdade é concebida como caracteristicamente social ou política, o que está implícito é que ele é impedido de conseguir, fazer ou ser algo específico por fatores sociais ou políticos, isto é, pela relação dos outros seres humanos com ele.[4]

Berlin lembra que a censura é restrição de liberdade quando essa é possível de ser exercida. Por exemplo, reclamar que poucas emissoras mantêm repórteres no interior da Amazônia ou no Cazaquistão não pode ser comparado com uma restrição governamental que impede um blogueiro amazonense de denunciar o governo local. O primeiro sofre restrições técnicas e financeiras, o segundo é violentado no seu direito de expressão: "Só reclamo da ausência de liberdade pessoal quando num certo sentido acho que estou sendo impedido de fazer o que quero por outros seres humanos que poderiam, no que diz respeito às leis de natureza material, comportar-se de forma diferente” [5], escreveu Berlin.

03) Exemplo na Venezuela

Hugo Rafael Chávez Frias assumiu a presidência da Venezuela em 02 de fevereiro de 1999, e se mantém até hoje no poder por meio de duas reeleições (2000 e 2006). Eleito democraticamente com amplo apoio dos movimentos sociais e partidos de esquerda venezuelanos, Chávez era o militar que antes tentara um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992. Até então, a Venezuela era um dos poucos países na América Latina que não tinha sofrido um rompimento da ordem democrática através de um golpe.

Em abril de 1999, Chávez convocou um referendo para chamar uma nova Assembleia Nacional Constituinte. Com uma coligação que conquistou 121 cadeiras das 131 disponíveis, Chávez aprovou a constituição bolivariana. Reeleito e com novos poderes, Chávez acabou com o Senado e instituiu um Parlamento com câmara única. Então apoiado pelo crescente preço do petróleo, Chávez aplicou várias políticas assistencialistas perante a pobre população venezuelana, aumentando sua popularidade.

Em 2002, Chávez radicaliza na sua crença contra a propriedade privada: desapropria latifundiários, estatiza os direitos de pesca e aumenta a cobrança sobre direito da exploração do petróleo. Mediante essas medidas, a Fedecámaras, entidade representante do empresariado, convocou uma greve geral de dois dias em abril daquele ano. Pedro Carmona, presidente da entidade, com apoio de militares, da Igreja Católica e de setores da mídia, anunciou a deposição de Hugo Chávez do poder no dia 12 de abril. As ruas de Caracas foram tomadas de violência, com protestos contra e pró-Chávez, resultando em 13 mortes. Chávez foi mantido preso pelo exército e reassumiu à presidência dois dias depois, com apoio de um grupo de militares.

Dentro desse contexto de instabilidade política e econômica da Venezuela, a principal emissora de TV aberta foi fechada pelo governo do país. A RCTV (Rádio Caracas Televisión) não teve a concessão renovada pelo governo. Chávez atribui à emissora, assim como outros canais importantes, a tentativa de golpe ou contra-golpe de 2002. A RCTV deixou de transmitir o sinal aberto às 23:59 do dia 27 de maio de 2007, no fuso horário local. O encerramento do sinal aberto interrompeu a novela mais assistida do país, assim como programas populares.

3.1) Burlando a censura

A globalização abre passagens para furar o bloqueio da censura. No caso da RCTV, os caminhos para a continuação de sua programação foram a internet e o canal a cabo por meio da RCTV Internacional. A RCTV Internacional Corporation e stá situada em Miami (EUA). A emissora foi fundada em solo norte-americano no ano de 1982. Ainda em 2007, o empresário Marcel Granier, presidente do grupo, negociou com empresas de comunicação no México para transmissão da RCTV a partir daquele país. Neste ano porém, a RCTV Internacional foi proibida de transmitir para a Venezuela via sinal a cabo. Em 24 de janeiro, a Comisión Nacional de Telecomunicaciones (Conatel), determinou o encerramento das transmissões do canal internacional. De acordo com o governo de Caracas, os canal não cumpriu com o determinado que exige a veiculação em pelo menos 30% do conteúdo transmitido da Venezuela. A transmissão continua pelo site http://www.rctv.net/.

Conclusão

A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão estão relacionadas entre si, e a tecnologia permite o uso livre da informação sem a restrição externa de alguém ou do Estado. A globalização possibilita o maior fluxo de informação, que é o fato em si, não necessariamente as interpretações e ideologias. Mas mesmo essa liberdade de expressão ajuda na divulgação de ideias e diálogos entre escolas ideológicas. O fechamento da RCTV é claramente um ato de restrição à liberdade. Alegando golpismo, o governo personalista da Venezuela tenta impedir que uma voz contrária possa ser ouvida nas ruas de Caracas.

Referências Bibliográficas:

[1] FRIEDMAN, Thomas. O Mundo é Plano: uma breve história do Século XXI. 2 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p 560.
[2] FRIEDMAN, Thomas. Perceptivas para o Século XXI. Veja. ed. 1681, 27 dez. 2000. Disponível em: <
http://veja.abril.com.br/especiais/perspectivas/p_090.html> Acesso: 06 jun. 2010.
[3] FRIEDMAN, Thomas. Idem.
[4] BERLIN, Isaiah. Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e influências no pensamento moderno. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p 150.
[5] BERLIN, Isaiah. Idem.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Relembrando as Vítimas do Comunismo

Por Gutierres Siqueira

Paulo Francis dizia que o Brasil é o único país do mundo que leva o comunismo a sério. Creio que sim. Nossa síndrome vila lata, conforme dizia o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, os brasileiros não acompanharam de perto os males causados pelo comunismo. Na tentativa de justificar a miséria moral culpando os outros, os comunistas esquecem que uma ideologia que valoriza mais a igualdade do que a liberdade acaba em tirania. Logo porque a igualdade é utopia, mas a liberdade é possível. Veja esse vídeo:

sábado, 14 de março de 2009

Cuba Livre, comunismo, neoliberalismo e social-democracia!

Por Gutierres Siqueira

Quando eu era um pré-adolescente, meu pai recebeu de presente o CD do seu primo, um cantor não profissionalizado. O título do CD era “Cuba Livre”. Lembro que então com 11 anos, o “Cuba Livre” me chamava mais atenção do que as músicas MPB daquele disco. Infelizmente ainda não contemplamos o “Cuba Livre”, mas o ditador Fidel continua a jogar todo o seu ódio contra o “maldoso” e “feroz” liberalismo econômico. Realmente, ditadores não gostam dos liberais.

Nessa última semana, o cubano falou mais uma vez sobre a crise em suas reflexões [1]. Sempre que vejo uma pessoa como o ele opinando sobre economia, olho isso como uma grande piada. O que é a economia de Cuba? Nada, absolutamente nada! Bem, na verdade Fidel não opina nesse texto, simplesmente reproduz as palavras de um “companheiro comuna economista”. A única coisa que Fidel fala, logo no final do texto, é uma crítica a grande imprensa. Aliás, os comunistas sempre acusam a grande imprensa de alguma coisa, não é a toa que os regimes “neo-socialistas” latinos, como de Hugo Chávez, persigam jornalistas por meio de milícias que estão a serviço do governo.

Por que Fidel é tão contra o liberalismo econômico? Ora, pois liberalismo combina com democracia, liberalismo político, pouca interferência do Estado em nossa vida particular. Tudo isso Fidel como ditador tem pavor em ouvir. Fidel sabe que se a ilha cubana implantasse o regime econômico neoliberal, os habitantes dessa ilha logo clamariam por uma abertura democrática. Isso é inadmissível para o sanguinário Fidel. Liberalismo é a defesa intransigente da liberdade individual.

Em nome da liberdade defendemos mercados competitivos (e não essa palhaçada do monopólio no Brasil), livre concorrência (princípio pouco observado em nosso país), facilitação de ingresso comercial e evitar ao máximo a intervenção econômica do Estado, pois a mão dele sempre é pesada, burocrática e ineficiente.

Neoliberalismo é o pai da crise econômica mundial?

Acusar o neoliberalismo de pai da crise econômica mundial é uma grande falácia, como mostra o ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega:

A crise teria sido efeito da crença cega no mercado. Ocorre que não existe livre mercado no sistema financeiro. Na verdade, o detonador da crise nasceu de intervenção do estado, qual seja a norma pela qual se financiou a casa própria para milhões de americanos sem condições de pagar. Analistas de esquerda adoram apontar a desregulação. A culpa seria da revogação do Glass-Steagall Act, no governo de Bill Clinton. Essa lei, dos anos 30, separava as atividades de banco comercial das de investimento, mas ficou gagá com a sofisticação e a globalização dos mercados. Penalizava os bancos americanos. [2]

Portanto, ainda na era mais “regulamentada” do governo democrata, os Estados Unidos tomaram algumas medidas. O neoliberalismo simplesmente é o saco de pancadas de todos os males desse mundo, incluindo a crise econômica.

Social-Democracia como solução?

A social-democracia ou “liberalismo-socialismo” falhou na década de 70 com seu programa de “bem-estar social” (Welfare Stat), mas nos últimos anos voltou com força da Europa e especialmente na Inglaterra de Tony Blair. O modelo desregulamentado dos Estados Unidos caiu na crise, isso é um fato, mas não tão profundamente como na mais “regulamentada” Europa social-democrata. Vários analistas econômicos apontam que os Estados Unidos sairão primeiro da crise do que a Europa. Promover o “bem-estar social” pesa o Estado e chama a ineficiência econômica- financeira. Logo, essa política deu certo em países que já tinham feito o dever liberal, portanto já eram ricos e pequenos em sua população, mas promoveram o desejo de acabar com as desigualdades e implantaram essa política meio socialista, meio liberal.

Conclusão

Portanto, bom seria para aquela pequena ilha do Caribe implantasse o liberalismo, tanto na economia e na política. Cuba assim seria livre, assim como o titulo daquele CD.

Notas:

[1] Veja a “reflexão” de Fidel nesse site: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52131

[2] NÓBREGA, Maílson da. Crise: como chegamos a este ponto? Revista Veja. Ed. 2103, ano 42, n. 10. p 106.