sexta-feira, 12 de março de 2010

Eduardo Giannetti: Há pensamento sério no Brasil?

Vítima farsesca

Editorial do jornal Folha de S. Paulo em 07 de março de 2010

Com tese de que a "mídia" o persegue, PT mantém figurino autoritário e se faz de injustiçado para encobrir falência moral

O TRUQUE é velho, e sua repetição só indica o hábito petista de afetar ares de pureza em meio ao pragmatismo mais inescrupuloso. Em documento oficial, a Executiva Nacional do PT reeditou, quinta-feira, a tese de que há uma "guerra de extermínio" contra o partido. Posteriormente, amenizou os termos. A promover tal "guerra" estariam "amplos setores do empresariado, particularmente a mídia".

Mídia, no jargão corrente, significa todo jornal ou empresa de comunicação que não defenda figuras notórias do partido.

Como, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu, beneficiário de uma contribuição de R$ 620 mil pela assessoria prestada a um grupo com interesse na reativação da Telebrás. Ou como os mensaleiros denunciados por quem era então aliado do governo, o deputado Roberto Jefferson; ou ainda os "aloprados" -termo que o presidente Lula foi o primeiro, aliás, a empregar- da campanha eleitoral de 2006. Como, também, aquele assessor de um deputado petista, que foi preso ao tentar embarcar num avião com cerca de U$ 100 mil dólares na cueca.

Aliás, se noticiar esse sistema de transportar dinheiro sonante fosse sinal de "guerra de extermínio", seria agora o DEM, e não o PT, a principal vítima de uma suposta conspiração.
Mas nem mesmo os sequazes do governador Arruda arriscaram-se a ir tão longe no cinismo. É que a capacidade petista para a mentira tem origens diferentes, e mais antigas, do que a simples charamela lacrimosa dos espertalhões de voo curto.

Pois o PT, no clássico figurino stalinista, sempre pode dar uma interpretação "de classe" às críticas que venha a merecer. Como o partido se julga o representante místico dos "trabalhadores", o financiamento escuso que receba de empreiteiras, as alterações legais casuísticas que promova em favor de uma empresa de telecomunicação, não representarão escândalo jamais.

Ao contrário: aliar-se financeiramente a "setores do empresariado" que vivem à sombra das benesses do governo, e aliar-se politicamente à escória do Legislativo brasileiro, torna-se um sinal de esperteza política na linha dos fins justificam os meios.

Autoabsolvido pelo venerável espírito hegeliano-marxista da História, o petismo pode fazer tudo o que condenava em seus adversários, e apresentar-se ainda assim como detentor das virtudes mais cristalinas.

Quem apontar a farsa será tachado de inimigo dos trabalhadores -e, na tese de uma imaginária "guerra de extermínio", o PT mostra apenas a sua própria tentação totalitária.

Nessa lógica, que não admite críticas, faz-se de perseguido aquele que se apronta para perseguir; faz-se de vítima quem pretende ser algoz; faz-se de democrata o censor, de honesto o corrupto, de inocente o bandido. O PT perdeu a moral que tantas vezes ostentava quando na oposição. Perdeu a moral, mas não perde o autoritarismo, a mendacidade e a arrogância.

terça-feira, 2 de março de 2010

Entrevista com o sociólogo Demétrio Magnoli sobre racismo no Brasil

Série Artigos Interessantes: Ai que tédio, digo eu

Por Luiz Felipe Pondé (Folha de S. Paulo, caderno Ilustrada)

Por que usar roupa de uma pessoa de outro sexo dá direito a alguém de furar a fila?

TOMO REMÉDIO , faço ioga, meditação, o diabo, mas não adianta. O mundo me obriga a me ocupar com coisas "menores" do tipo a política criando novos seres humanos. Temo novos seres humanos porque são monstros com cara de anjos, prefiro velhos e miseráveis viciados. Não confio em pessoas que não se reconhecem viciadas em algo. Detesto por definição toda política que quer "ensinar o Bem".

Ninguém me engana com esse blá-blá-blá de "voto cidadão". Aliás, melhor seria que o voto não fosse uma obrigação legal no Brasil, pois eu teria melhor uso para os feriados do que esta conversa mole ocupa.

Sei que muitos leitores dirão: "Lá vem o colunista de direita de novo, alguém o faça calar a boca!" Ai que tédio, digo eu. Que mania essa de enquadrar a selvagem multiplicidade do mundo em gavetinhas mentais!

Jurei que não iria falar dessa aberração fascista que é a guinada à esquerda do governo e seus subprodutos do tipo "3º Programa Nacional de Direitos Humanos". Sim, fascismo e esquerdismo são chifres da mesma cabra. Muitos leitores e amigos (tenho, sim, uns poucos) me cobraram um artigo sobre as últimas tentativas do PT de refazer a esquerda "moldando" hábitos e costumes. Resisti, rezei, mas não deu.

Mas voltando às "gavetinhas mentais". Recentemente, vimos um show de sarros com relação à possível candidata republicana à Presidência dos EUA, Sarah Palin. "Burra, tapada, caipira!" Lembremos, caros irmãos, que com o Reagan foi a mesma coisa. "Esse ator burro", diziam. E o cara foi de longe o melhor presidente dos EUA nos últimos 40 anos. Botou a casa em ordem depois dos estragos do incompetente "bonzinho" do Jimmy Carter.

Será que os intelectuais e a mídia não aprenderam a lição? Só porque a mulher escreveu uma singela cola na mão em seu discurso em Nashvil-le, caíram de pau em cima dela. Eu achei até sensual (ela é um avião, as feias devem odiá-la) e puro vintage num mundo onde qualquer matuto brega saca um palmtop quando vai dar conferência motivacional por aí.

Outros, piores, ainda a comparam a integrantes da Klu Klux Klan (KKK). Toda vez que alguém discorda do bê-á-bá da esquerda americana, alguém saca esse lero-lero da KKK. Ai que tédio, digo eu.

Mas voltando à nossa própria cozinha. Nada tenho contra essa invenção francesa de direitos humanos. Tão francês quanto o croissant. Mas, me digam: por que alguém deve ter direito de "furar a fila" porque se veste com a roupa do outro sexo?

Acho que se vândalos espancam alguém porque ele usa roupa de mulher quando nasceu homem, devem ser punidos, assim como quem bate em velhinhas e rouba suas compras na feira deve ir em cana. Mas por que um cara deve ganhar algo do Estado só porque usa saias em vez de calças? E essa coisa de criminalizar linguagem e gestos sob suspeita de serem "homofóbicos"? Daqui a pouco, ninguém dará emprego para um gay porque, se for demiti-lo, poderá ser processado por homofobia.

O controle de linguagem e gestos é claramente prática fascista. Assim como a criação de "cidadãos" intocáveis por serem considerados vítimas a priori.

"Democraticamente", o ideário desses caras que foram "revolucionários" e agora tomam uísque às nossas custas vai se impondo à sociedade. Qual opção nós temos, nas próximas eleições obrigatórias, além de variantes da mesma obsessão esquerdinha aguada? Nenhuma.

Reeditam a culpabilidade a priori de quem ficou rico querendo que paguem mais impostos para que tomem mais uísques de graça (em nome do povo). Ai que tédio, digo eu. Por que taxar as grandes fortunas?

Por que atacar quem move a economia punindo-os porque foram mais competentes nesse mundo cão? Eu também tenho inveja dos ricos, mas tomo remédio todo dia para isso, e vou trabalhar.

E o órgão de controle da "comunicação social"? Esse é mesmo o fim da picada. Dizem que é para combater o monopólio, mas suspeito de que seja mesmo para arrebentar quem não aceitar a "carta" fascista deles e "pontuar" negativamente os rebeldes. Puro chavismo açucarado.

Esse negócio de nos obrigar a ver "produções regionais" é um horror. Por que devo aturar programas chatos só porque quem fez se chama "alguma coisa Silva"? TV deve ser regida por competência, seja "fulano Silva", seja "fulano Smith".

E o MST como "gente boazinha" que só quer o nosso bem? Vão tomar a terra dos outros como se fosse evidente que esses "tomadores" são enviados de Jesus.

Ai que tédio, digo eu.

Carlos Alberto Sardenberg- Governo deveria privatizar somente setores que não funcionam

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um jornalismo cruel

Por Dalton L. C. de Almeida



“Uma história Severina”... Esse é o título de um documentário curta-metragem dirigido por Eliane Brum, jornalista famosa e amplamente premiada pela academia. Assisti ao vídeo essa terça-feira em aula na faculdade e após a exibição formou-se uma interessante discussão, fomentada por nosso professor. Que devido ao tempo escasso e a hora adiantada, ficou inacabada e superficial.

Meu posicionamento (que gerou certa “grita”) foi:


O curta é manipulativo, baixo e uma vergonha.

Naturalmente que assim - da boca para fora - minha posição aparentemente carece de uma reflexão. A seguir, através de reflexões e contextualizações, pretendo mostrar o porquê de minha opinião.

Primeiramente é importante que eu defina alguns aspectos que balizam minha personalidade e opinião. Isso colabora para a compreensão do meu posicionamento e ao mesmo tempo esclarece que parto de princípios claros.

Sou católico apostólico romano. Como tal, e como o papa, defendo a dignidade e a inviolabilidade da vida humana, mesmo que isso possa causar grandes dores emocionais a terceiros.


Dentro dessa lógica (de inviolabilidade da vida) sou obviamente contra estudo com célula- tronco embrionárias - pois matam embriões- e contra aborto, sendo dentro da gama de opções de aborto, especialmente contra o aborto de criancinhas anencéfalas.


Acredito que exista “o certo” e “o errado” no mundo. Sendo as miríades de opções adaptativas de certo e errado a cada caso ou interesse, algo do campo e lógica de reflexão relativista.

Metodologia de pensamento da qual eu naturalmente discordo.


Acredito que o certo e o errado devem ser baseados na moral judaico-cristã, direito a vida, dignidade e isonomia.


Defendo o Estado de direito e suas leis.

Defendo a laicidade do governo. Lembrando que a separação do Estado e da Igreja, não retira da última o direito a possuir um posicionamento e de o defender frente a sociedade e o Estado.
Acredito na”força do precedente”. Por isso não acredito na validade de exceções judiciais ou legais como forma/metodologia política séria e estruturalmente responsável para um Estado.


Acredito que a justiça deva ser aplicada de forma imparcial e seus preceitos não devem se submeter às pressões infligidas pela dor em escala individual ou social.


Não acredito em “justiça histórica”. Ou seja, através de injustiças no presente, “fazer justiça” a injustiças passadas. Por isso sou contra o aborto de crianças geradas como resultado a estupros. É fazer “justiça” a mãe, através de um assassinato e injustiça ao filho, devido a um histórico do qual ele não é responsável.


Acredito que a dor (como sentimento) e o sofrimento fazem parte da vida e sua existência reforça nossa humanidade. E que a exclusão ou a busca pela total exclusão de qualquer uma das duas invariavelmente leva a uma perda do sentido de humanidade. Em tempos de venda da felicidade como o objetivo máximo e “obrigatório” de vida, defender a existência da dor e seu valor vai contra a maré do que chamo de “discurso do politicamente correto”.

Vamos ao documentário:

O documentário mostra o sofrimento de uma gestante de condição financeira absolutamente pobre, em um teatro de condições que envolve o fato de ela estar grávida de uma criança anecéfala, ter o interesse declarado em fazer um aborto e de ter sido exposta a uma situação de impedimento/postergação do aborto (anteriormente autorizado) devido a um processo de rediscussão da legislação vigente pelo Superior Tribunal Federal e que “congelou” autorizações a partir de determinada data (impedindo que a gestante, anteriormente internada em um hospital, realizasse o procedimento de aborto).
Em “miúdos”. A gestante pobre e sem condições, teve um aborto já marcado, cancelado devido ao início de discussões referentes à manutenção ou não da legalidade do aborto em caso de anencefalia.

Reflexão

Ponto de partida:

Meu professor defendeu/declarou (em sala) que o documentário pretendia mostrar como decisões e eventos em altas esferas da dinâmica do país e o tempo gasto nestas disputas ideológicas, pode ser danoso e injusto para com os mais pobres e desassistidos cidadãos. Sendo o “cerne”, “justificativa”, “objetivo” do documentário, tratar desse assunto através da história de sofrimento de uma gestante, que quer abortar um bebê anencéfalo , mas encontra-se impedida pela morosidade e os efeitos colaterais dos processos de decisão da manutenção ou não da lei de aborto de anencéfalos pelo STF. (Neste caso, entra como efeito colateral, a suspensão do direito a aborto requerido pela gestante, pois a lei estava sendo rediscutida).

Meu posicionamento:

Discordo de que o objetivo do documentário seja realmente discutir sobre os efeitos colaterais da morosidade da dinâmica de poder (no caso do judiciário) e seus impactos sobre os mais fracos e desassistidos. Na verdade, acredito que essa seja a desculpa/pano de fundo para defender, por meio de instigação emocional (leia-se manipulação) nas entrelinhas, o aborto de crianças anencéfalas como forma válida de redução da dor de mulheres gestantes e que sofrem com a perspectiva de ter uma criança condenada a morte. (E indiretamente reforçar o sentido de busca da “felicidade” e supressão da dor, seja por quais meios for....e que de concessão em concessão levará a humanidade a bancarrota moral)


Porque digo isso? Bom .... o documentário é tangencial quanto a justificativa de sua existência. Os personagens até comentam (vária vezes) a respeito de como pretendiam abortar, como a mudança de legislação “abortou” esse intento, como se sentiram frustrados com essa situação e como ainda lutam para conseguir a autorização. Fica claro ao ver o documentário, que a mulher não chora ou sofre porque o processo de aborto está congelado. Isso é apenas um incômodo/atraso técnico aos objetivos dela e do marido. Ela sofre sim, e não tiro sua razão, com a perspectiva de carregar diariamente um filho com pouquíssimas chances de sobrevivência e que está invariavelmente condenado a morte. Chora porque uma mãe quer o melhor a suas crias e porque é triste, torturante e um grande peso carregar uma vida que não há de florescer. (entendo a dor, mas não considero ela justificativa para o assassinato da criança)


Reflexão secundária...

Nesse ponto já se mostra um triste paradoxo em nossa realidade. Em geral, as pessoas fazem todo o possível para postergar a dor de uma perda, tanto que expõem familiares e amigos a beira da morte a expedientes de manutenção da vida extremos, que trazem dor e sofrimento aos enfermos. Ainda sim isso é feito na tentativa de manter nesse mundo aqueles que amam. Nossa sociedade, que mantém pessoas vivas a todo o custo, vive um momento onde se prega que a melhor forma de se resolver a dor da perda de uma criança anencéfala é adiantar sua morte e se despedir o quanto antes da mesma, negando a ela o tempo de vida que lhe resta, em favor da dita “sanidade emocional e espiritual” dos pais. Irônico... e cruelmente sem sentido.


Entristeço-me ao ver a dor que passou a gestante. Mas não compartilho com ela que a solução seja matar a criança. Pois para mim, matar essa criança condenada à morte seria o mesmo que abortar uma criança qualquer que já se sabe, nascerá com alguma deficiência debilitante e que lhe cerceará anos de vida. Sou contra a lógica do sacrifício pelo “bem do sacrificado”. Principalmente quando este não foi inquirido a respeito. E porque na maioria das vezes os maiores interessados e beneficiários são terceiros. Ex: pais que querem poupar trabalho, prejuízo e dor, Estado que reduz custos, Clínicas que lucrarão com o processo de aborto etc.
Definir quem merece morrer antes de nascer é o precedente que leva a médio e longo prazo a humanidade a primores como a eugenia.


Continuando....

A jornalista na edição do documentário e na escolha das imagens, capitaliza assim a dor de uma mãe com a perspectiva da perda de um filho, para construir uma “pseudo-situação” de sofrimento por não poder abortar. A farsa na justificativa do porque se usar imagens de sofrimento, como as dos momentos anteriores ao aborto - já então autorizado pela justiça - em que ela (gestante) aparece se apoiando a uma parede com dores excruciantes, enquanto outra pessoa passa com um bebe vivo no colo, cai no momento em que mãe grita e sofre ao ver a criança morta na sala em que o aborto é realizado. Se queria tanto o aborto e sofria tanto com a não feitura do mesmo. Porque então o escândalo ao ver o filho morto? Era esse o objetivo do processo, adiantar o “destino”.


Resposta: Simples! Seu sofrimento era pela morte inevitável do filho, adiantada por ela de forma paradoxal, e não por não fazer o aborto ou porque o STF demorava em tomar uma decisão. É ali que a justificativa, capenga, do documentário para apresentar com requintes de intimidade o sofrimento da gestante simplesmente se desfaz.

O documentário também apresenta em outro momento cenas/recortes de juízes do STF em processo de discussão a respeito da liberação do aborto de crianças anencéfalas. Nesse quesito, ele (o documentário)cria uma atmosfera de isenção, ao trazer ambos lados em disputa. Mas é apenas uma “criação”. O recorte final traz a fala de um dos envolvidos no julgamento do STF, em um sentimental posicionamento, censurando o STF por dar a entender que “não tinha nada haver com o problema das mães das crianças anencéfalas”. Frase de efeito (e que escrevi entre aspas em uma redução livre do conceito central da original) que reforça o posicionamento do documentário e cria um desconforto ao espectador, gerando a perigosa reflexão “tanta discussão e uma mãe sofrendo, eles não se preocupam com isso?”. Perigosa reflexão pois o motivo da discussão é mais profundo que apenas o sofrimento de uma mulher. A discussão trata de questões, que vão do precedente jurídico à noção de direito a vida. Assuntos sequer imaginados pelos pobres e ignorantes(nesse assunto) personagens que brigam pelo direito de matar seu filho anencéfalo e que tem “representados” em si mesmos no documentário, parcela substância da população.

A seqüência de recortes de ministros do STF com o desfecho-final-dramático (obviamente escolhido a dedo), reduz a profundidade e seriedade de uma polêmica discussão. O documentário que diz-se interessado em contar um história, utiliza o sofrimento de uma mãe, como elemento de reforço para deslegitimar o democrático processo de discussão sobre a legislação no STF. Em troca do que? Claro! Da manutenção do paradigma anterior e da “inquestionabilidade” do mesmo. Pergunto. A quem isso interessa?

Através da dor e sofrimento de uma mãe, o documentário faz proselitismo disfarçado de jornalismo, na defesa do aborto como solução mais aceitável para a dor de gestantes com filhos anencéfalos. Sugere nas entrelinhas um padrão de realidade de vida, como se a anencefalia fosse um problema social exclusivo dos muito pobres. (algo que poderia ter sido evitado, com um contra-ponto de personagens ou apenas com informações extras, dando um panorama da incidência da doença frente a população e suas classes – o que faria sentido, já que o documentário se dedicou a apresentar informações extras além da história do casal).


Quanto à defesa de meu professor de que a gestante sofre uma injustiça.

Novamente discordo. ...Que injustiça? Não poder abortar? Isso é definido pela legislação e se a mesma está em discussão e portanto congelada, não existe injustiça. Aliás, ela ter um bebê anencéfalo é parte do “jogo” estatístico da vida. Alguns nascem com habilidades e aptidões que garantirão sucesso, outros com defeitos que podem abreviar a vida. Será que o fato de uns trazerem alegrias e outros tristeza, faz um ou outro menos digno de direito a vida? E a defesa dessa dignidade tornasse assim uma injustiça a mãe?


É necessário um peso e uma medida. E ele não pode ser definido de supetão sob a pressão de quem defende o “direito” de alegrias de uns em detrimento do da vida de outros.

Outras....


Há ainda outras temáticas tratadas no documentário. Que dão apoios secundários a caricaturização do casal como “vítimas”.


Como a dificuldade de compreensão por parte dos personagens da dinâmica legal ao buscar uma nova autorização para aborto. Algo natural visto a óbvia falta de estudos e estrutura dos dois, e que naturalmente é tratado como “uma barreira da sociedade ao pobre”, no melhor do estilo politicamente correto esquerdista de se ler o mundo.


Ou as dificuldades de um sistema de saúde despreparado para atender a demanda de mães autorizadas a matar seus filhos. O que deve configurar na mentalidade esquerdista um ataque a cidadania. Afinal.... Como que pode um hospital não estar 100% preparado para matar bebês??!!


Há inclusive, uma interessante hipocrisia envolvendo uma discussão de uma representante de ONG (ONG Curumim.... um belo nome para quem defende abortos) e um médico. Em que o último explica que muitos médicos se negam a fazer o procedimento de aborto e que a gestante, mesmo autorizada, terá que esperar uma janela de oportunidade. A representante da ONG começa com um “respeitamos o direito dos médicos” (pro forma dedicada ao documentário) e termina com um “mas temos uma autorização e a instituição é obrigada a fazer o procedimento”.


Interessante... e se todos os médicos se negassem? Ela continuaria respeitando a decisão deles, mas ao mesmo tempo forçaria “a instituição” (que é feita por médicos), nem que fosse com a polícia, para alguém cometer o assassinato? Irônico. E um exemplo de sinal dos tempos. Uma ONG voltada à vida, brigando ferrenhamente pelo direito de se matar seres vivos e indefesos.


Em resumo:


O documentário é em minha opinião manipulativo porque capitaliza a natural empatia do público com o sofrimento da gestante (sob a desculpa de uma justificativa de foco falsa), com o objetivo de convencê-lo de que o aborto de crianças anencéfalas é a solução para esse sofrimento.Quando não é. Abortar ou não, não mudará o fato de que essas mães que perderão os filhos hão de sofrer.
O documentário é baixo, porque utilizasse da dor e da ignorância de seus personagens para fazer proselitismo mascarado.


O documentário é uma vergonha. Pois embora em jornalismo a isenção total e completa seja algo utópico. A manipulação e o uso de pessoas para fins ideológicos é anti-ético.

O documentário é um ótimo exemplo de jornalismo com intenções cruéis, mascarado de sensível e engajado, ao se dizer focado em “apenas em contar uma história” e “criticar os efeitos colaterais de uma estrutura social”.


Mais um produto ideológico, que a meu ver, cheira ao ranço da justificadamente temida eugenia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Relembrando as Vítimas do Comunismo

Por Gutierres Siqueira

Paulo Francis dizia que o Brasil é o único país do mundo que leva o comunismo a sério. Creio que sim. Nossa síndrome vila lata, conforme dizia o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, os brasileiros não acompanharam de perto os males causados pelo comunismo. Na tentativa de justificar a miséria moral culpando os outros, os comunistas esquecem que uma ideologia que valoriza mais a igualdade do que a liberdade acaba em tirania. Logo porque a igualdade é utopia, mas a liberdade é possível. Veja esse vídeo:

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Meus pensamentos politicamente incorretos em axiomas

Por Gutierres Siqueira

“O Brasil não é um país sério”, frase do ex-presidente francês Charles de Gaulle. “O Brasil é o país do futuro”, frase do escritor austríaco Stefan Zweig. O nosso país tem a plena capacidade de transitar entre as duas frases.

Já estão fazendo a campanha: “Vamos acabar com os homens para preservar o meio ambiente”!

Não existe nada mais cafona do que um europeu dançando samba ao lado de uma mulata seminua. Ele deve pensar: “Ah, Brasil, o grande prostíbulo do mundo. Que alegria”!

É patético ver membros da classe média reclamando da violência, enquanto seus filhos consomem a maconha que alimenta o tráfico nas favelas.

Funk é subcultura. Sim, subcultura existe. É aquilo que rebaixa o humano na categoria de animal. No caso do funk, o animal é sexualmente faminto e violento.

O atraso no Brasil é chamado de “progressismo”. Os “progressistas” analisam o mundo segundo os óculos sociais do século XIX. Quem ousa discordar é um reacionário.

Os ultranacionalistas, adeptos do antiamericanismo bocó, querem abolir as palavras inglesas da nossa língua. Por que, então, não abolem as palavras “dama”, “madame”, “moda” que são derivadas do francês? Por que, então, não abolem a palavra italiana “pizza” do nosso vocabulário?

Antigamente, quando um aluno recebia nota fraca, logo recebia uma correção dos pais. Hoje, quando a aluno vai mal, a culpa é do professor. Ainda por cima, o pai vai ameaçar a escola e o docente.

Os pacifistas não suportam a ideia que a guerra pode conduzir para a paz. Talvez eles negociassem com Hitler, e ele se convenceria. Ou não?

Cotas para negros e índios é uma forma de segregação. Quem acredita em cotas, acredita em raças. Ora, raças não existem. Raça é uma invenção dos racistas.

A África precisa de democracia e livre comércio. A África não necessita das lamentações daqueles que tentam justificar a barbárie na luta anti-imperialista.

O capitalismo é um demônio para as tropas esquerdistas. O capitalismo de Estado, braço financeiro do totalitarismo, é louvado e adorado.

O bom senso está em extinção. Quantas vezes ouviremos música alta que não pedimos para ouvir?

Movimento social é outro nome para organizações burocráticas, personalistas, corruptas e de tendências autoritárias. Dizem representar o povo, mas na verdade representam interesses de uma “elite” sanguessuga.

Não vai demorar muito para que os corretores políticos proíbam o Natal para não ofender as outras religiões.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Lula e os ditadores

Por Gutierres Siqueira


Leia reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, na edição desse sábado. Comento no final.

Brasil se abstém de votar contra Irã e Coreia

Adriana Carranca

A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou ontem duas resoluções contra a violação de direitos humanos no Irã e na Coreia do Norte. Em ambas, o Brasil se absteve, sob o argumento de dar prioridade ao diálogo e cooperação à pressão sobre os países. Com projeção cada vez maior no exterior e prestes a assumir, em 2010, uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil está na mira dos países democráticos e entidades internacionais.

Eles exigem uma posição mais firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tortura, prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e a falta de liberdade e Justiça da qual Irã e Coreia do Norte são acusados. "As abstenções são inaceitáveis. Mostram a tendência cada vez mais clara de que o Brasil não quer se posicionar sobre a violação dos direitos humanos em países específicos", diz a coordenadora de relações internacionais da organização Conectas Direitos Humanos, Lucia Nader.

No discurso, o Brasil reconhece as violações, mas prefere levar o debate para o Conselho de Direitos Humanos (CDH). "Temos privilegiado a revisão periódica dos países no CDH", disse ao Estado um a fonte do Itamaraty em Brasília. Esse ano, porém, o Brasil também se absteve de votar em uma resolução do CDH sobre violações na Coreia do Norte.

As acusações contra o Irã referem-se, principalmente, ao período após as eleições presidenciais, em junho, em que o presidente Mahmoud Ahmadinejad conseguiu um segundo mandato. Partidários do reformista Mir-Hossein Mousavi foram às ruas protestar contra possíveis fraudes. O governo respondeu com prisões sem julgamento, perseguição aos meios de comunicação e detenção de funcionários de embaixadas, segundo o texto da resolução a ONU.

O documento cita a condenação de menores de 18 anos à pena de morte e a perseguição de ativistas, jornalistas e advogados como violações permanentes no Irã e refere-se à minoria Baha"i, que teve sete líderes presos entre março e maio de 2008. "Aceitamos a soberania dos países, mas os direitos humanos não podem ser relativizados", diz Flávio Rassekh, representante da fé Baha"i em São Paulo.

A votação de uma terceira resolução, contra Mianmar (ex-Birmânia), prevista para ontem foi adiada. A tendência é a de que o Brasil se abstenha de novo, mantendo seu voto na comissão da ONU onde as resoluções foram aprovadas antes de levadas à Assembleia-Geral. A polêmica política de abstenção do Brasil deu-se em votações anteriores sobre violações de direitos humanos na Bielo-Rússia, Chechênia, China, Congo, Sri Lanka e Sudão.

Comentário:

Os fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) nunca amaram a democracia. Eles a usam para solapá-la. Não é à toa que o presidente Lula e os seus diplomatas apoiam as piores ditaduras do mundo.