quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crônica: O olhar perseguidor

Por Gutierres Siqueira

O olhar me persegue! Não sou comunista, mas tenho mania de perseguição. Na verdade, só me sinto seguido pelos olhos das centenas de anônimos que vejo todos os dias nessa grande cidade. No ônibus ou no metrô, o olhar me persegue. Por que nos transportes públicos? Nesses espaços fico alguns minutos ou até horas completamente parado, seja de pé ou sentado, mas infelizmente nunca deitado. Nesses momentos acontece a cena ontológica: o olhar começa a me perseguir, o meu ser começa a sentir um incômodo ou prazer.

Muitas vezes sou vítima daquele olhar! Ah, como é bom! Normalmente um redondo verde ou azul, sinto prazer ao ser vítima desse olhar. Agora, fico feliz somente quando esse olhar está completo em seu pacote. Se a dona desses olhos faz jus em todo o seu conteúdo. Mas nesse momento vem a preocupação: Esse lindo olhar verde ou azul é de contemplação ou de desdém? Nunca fico sabendo, pois logo que jogo os meus olhos com os dela, ela vira o rosto e não mais retorna. Será que esse virar de rosto é a continuidade do desdém ou uma timidez natural? Não sei. Talvez, não quero saber.

Muitas vezes sou vítima daquele olhar! Ah, como é ruim! Estava dormindo, estava cochilando e quando abro os olhos alguém está me olhando. Sinto-me mal. Por que essa pessoa estava me olhando? Será que eu estava com a boca aberta? Será que eu estava caindo sobre alguém? Quando o sono me controla, não sei o que acontece! Será que esse olhar ria de mim? Não sei, não sei. Pior ainda é quando esse olhar está acompanhado das descrições acima, dos lindos olhos verdes ou azuis, sobre aquele suave rosto... Ninguém conquista outro com a imagem de sono em um ônibus.

Muitas vezes sou vítima daquele olhar! Ah, que raiva! Pessoas que me olham desafiando. Parece que estamos prontos para briga, como os gladiadores do Coliseu romano. Não sei o porquê desse olhar de raiva adversário. Aliás, porque estamos nessas posições de trincheira? Penso que é mania minha, as pessoas me olham feio porque estão estressadas com o dia de trabalho ou simplesmente porque são feias mesmo!

Muitas vezes sou vítima daquele olhar! Ah, que vergonha! Por vezes vejo algumas pessoas olhando para onde não deveriam. Quando vejo essa cena, muitos percebem e logo coram vermelhos como pimentões. Algumas vezes sou eu esse transgressor por meio dos olhos e outros me percebem e me acusam policialmente com aqueles olhos regalados. Então, a vergonha fica à vista de todos! É o famoso olhar panóptico, quem nunca foi vítima dele?

Muitas vezes sou vítima do meu olhar! Ah, como não tinha percebido isso antes. Minha mania de perseguição do olhar é fruto da perseguição velada efetuada pelos meus olhos. Persigo outros e me sinto perseguido. Ora, ora. Nada a fazer naquele ônibus ou metrô, portanto alimento sempre essa mania de olhar!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Ocidente contra a parede

Por: Dalton Almeida


No ano 600 d.C. a Europa presenciou o crescimento de um imenso império mulçumano, que superou as fronteiras árabes e com a intenção de dominar todas as terras que circundavam o Mediterrâneo, invadiu seus territórios por volta de 711, tomando a maior parte da Península Ibérica. O avanço só parou na Batalha de Poitiers em 732, em que os mulçumanos derrotados pelos francos tiveram seus objetivos expansionistas frustrados. Ainda sim, os reis católicos da europa teriam de guerrar por mais oito séculos para reconquistar seu território.
Essa pequena aula de história é útil para montar um paralelo, novamente o mundo ocidental encontra-se às portas de uma expansão árabe, mas com diferenças gritantes. Os atuais povos árabes mulçumanos, estão desorganizados, embora armados e motivados, e em nada lembram o império invejável, amante das ciências, artes e da guerra, que por oito séculos incomodou a Europa, obrigando-a a se reorganizar e unificar , ou seja, evoluir frente a um competidor externo mais forte, em uma quase corrida de mercado capitalista.
Novamente o ocidente encontra-se em uma encruzilhada, desenvolvido e democratizado, em sua maioria, após dolorosos ou complexos percalços como Guerras Mundiais, investimento de gerações em pesquisa e educação, criação de instituições fortes, defesa de direitos e deveres do indivíduo, entre outros, incluso a benéfica e inegável influência da religiosidade cristã, hoje, vê bater às suas portas, os árabes mulçumanos, uma “organização social” deficiente em questões humanitarias, legais, democráticas, de respeito as diferenças e que dominada por um oligarquia de poderosos religiosos, chefes militares ou ricos comerciantes de petróleo, com a excessão destes últimos, a mesmíssima estrutura à época da expulsão árabe da Europa, se vê sob ameaça de perder sua estrutura interna, conquistada após mais de um milênio.
Ameaça essa que utiliza-se de uma técnica distinta, o uso de direito criado no ocidente, para minar aos poucos a própria sociedade democrática.
A uma primeira vista e em um contexto midiático que bate incansávelmente nas potênciais mundias que intereferem militarmente no Oriente Médio, em especial nos EUA, é dificil enxergar o povos árabes como mais que uma vítima inocente e mal preparada, do imperialismo ocidental e que se defende na busca de paz e auto-determinação, com o que pode, crianças bomba e ataques terroristas.
Ainda que seja dificil, é necessario que se entenda, que o Oriente Médio de inocente não tem nada e, longe de se esquecer os valores ocidentais que balizam nossa sociedade, que são o direito de auto-determinação dos povos, a liberdade em suas várias esferas e o respeito a cultura e a religião alheia, é preciso ter bom senso para perceber quando eles estão sendo utilizados e manipulados contra nós e debaixo de nossos narizes.
E o ponto crucial são as guerras patrocinadas pelos EUA.
A mídia bate sistematicamente nos americanos e defende a retirada de tropas e a liberdade dos países sob intervenção, mas esquece os motivos de tais intervenções. Os americanos, entre outros ocidentais, foram atacados de forma covarde, por grupos terroristas patrocinados por governos arábes e com livre circulação e atuação em seus países de origem. Isso não acontece no ocidente, aqui não há grupos terroristas apoiados por democracias e que pregam a morte de civis inocentes em outros países. Aqui, no geral, domina o sentido de responsabilidade e de respeito a vida, seja ela a favor ou não das ideologias dominantes. A diferença é que os americanos, como o resto dos ocidentais, não sofreu os ataques e deixou por isso mesmo, eles foram em busca de uma solução.
Não negarei aqui que a estabilidade no fornecimento de petróleo do Oriente Médio para o ocidente não seja uma preocupação americana, é óbvio que é, o mundo com a globalização reduziu-se e a interdependência aumentou, o que faz do fornecimento de petróleo um elemento de sobrevivência e estabilidade para grandes países consumidores de energia.
Mas é fato, se esses países sob intervenção fossem levemente mais democráticos e estruturados, primeiramente não teriam sido invadidos, pois hoje não existem guerras entre democrácias e, se alguma potência tentasse, a oposição interna e externa seria um empecilho quase insuperável, visto a dificuldade de se justificar uma guerra contra um país democrático, legitimamente eleito e portanto que tem vias diplomáticas para negociações. Não é o caso do Iraque, que foi invadido ainda que a ONU fosse contrária.
Secundariamente a manutenção do “status quo” da economia mundial, também seriam uma preocupação para estes países, o que faria com que o ocidente não se preocupasse com a manutenção do fornecimento de petróleo, pois ele ocorreria naturalmente, através das vias comerciais, ganhando o vendedor e o comprador. Ou seja, os americanose todo o ocidente não precisam roubar o petróleo de ninguém, podem pagar por ele, e caro aliás, mas precisam de quem venda.
Só que isso não é garantido, visto que a grande massa das populações dos países arábes mulçumanos, não-democraticos, são reféns de uma situação lamentável de desenvolvimento e marginalizadas da dinâmica capitalista mundial, devido a estrutura política e de poder reinantes, que permite a seus líderes religiosos e militares extremistas, uma condição favorável única para chantagear o ocidente com a não venda de petróleo e ainda utilizar os recursos obtidos com a venda em planos para destruir os compradores.Seguindo seus interesses ideológicos, pessoais ou religiosos, sem que suas populações se revoltem, pois no geral não são beneficiadas com os valores das vendas e ainda são educadase induzidas a culpar os “demônios ocidentais” pelas mazelas inflingidas por eles (os líderes locais).
Sendo a única excessão os ricos “shakes” do petróleo, que por quererem gastar “seu dinheiro” no melhor da sociedade capitalista, ironicamente, são elementos de estabilidade nas relações ocidente-oriente, visto o interesse que tem na venda do ouro-negro e na estabilidade das relações diplomáticas, embora isso não os impeça de criarem cartéis para manipular os preços do petróleo e concentrarem a riqueza apenas em suas gordas contas.
Quanto as intervenções militares ocidentais própriamente ditas, estas são inegavelmente mais justas em questão de tratamento ao povo local do que as administrações oligárquicas anteriores, pois tem de prestar contas a contribuintes, politicos, jornalistas, sociólogos e muitos outros profissionais de sociedades de moral judaico-cristã, humanitaristas e que votam na manutenção dos seus chefes–militares máximos em exercício,ou seja, os presidentes e primeiros ministros nacionais ocidentais.
Obviamente não quero dizer que em guerras não existam baixas, elas são inevitáveis, mas a opção seria a continuidade do status anterior e ele não seria sem baixas, tendo o ônus de ser em estado indefinido e estático.
Ainda há o aspecto técnico, as intervenções pretendem democratizar e estabilizar, entendendo que para isso tem de reconstruir a estrutura social. Se não fosse este importante detalhe, “o interesse por reestruturar e melhorar os países invadidos”, as guerras já teriam terminado, bastaria o aniquilamento de todos os indivíduos sob ocupação, uma forma de guerra completamente inadimissivel no ocidente, que até para guerras criou regras, nas Convenções de Genebra, embora não o seja para os extremistas islâmicos, com suas promessas de holocaustos.
Portanto é pura demagogia, feita por uma incrível parcela de ditos sociólogos e humanitaristas, defender a livre-determinação dos povos árabes mulçumanos, visto primeiro que estes povos estão sob a mira do rifle de um ditador, ou seja, não são livres, ainda menos livre-determinadores, e segundo, esses mesmos países com “livre-determinação” investem em tentar derrubar os países democráticos que são os originais defensores da idéia de livre-determinação. Basicamente a defesa demagógica é um tiro no pé, praticamente o mesmo que soltar um leão faminto em uma sala em que está só com ele.
Naturalmente nem todos os países árabes enquadram-se no grupo dos intervencionáveis, mas os atuais, Afeganistão de um governo teocrático radical que oprimia a população e patrocinava terroristas e Iraque de um ditador genocída que não só oprimia a população como desestabilizava a região, com certeza estão sob administrações com intenções melhores que as anteriores, administrações atuais que pretendem democratizar e reestruturar os países, ainda que para isso tenham que eliminar imensos contingentes de partidários dos regimes anteriores que não poupam a própria população local na sua busca de poder.
Não nego que as administrações beneficiarão mais que apenas a população local, sendo a estabilidade da região positiva para os preços e a exportação de petróleo, mas, isso não desqualifica o serviço prestado, e garante a todos algum bônus, aos ex-oprimidos um potencial futuro melhor e aos compradores de petróleo um preço sem altas variações devidas a falta de estabilidade, criada por grupos extremistas e pouco preocupados com o povo que administram.

Chegamos então ao principal exemplo de uma ideologia positiva do ocidente utilizada contra ele próprio, “a defesa da livre-determinação dos povos”, pois é pregada de forma cega.
Não defendo que nos esqueçamos de que todos tem liberdade de se auto-determinar, e sim que não nos esqueçamos que a liberdade de um termina nos direitos do outro. A sociedade árabe pode se determinar, desde que nesse processo, não tenha como foco, derrubar a sociedade ocidental ou querer impor seu barbarismo além das próprias fronteiras. Não é aceitável ou certo concordar impassível com a administração de líderes que defendem um novo holocausto judeu, como o líder do Irã, morte ao ocidente como a média dos líderes religiosos mulçumanos no poder, destruição ao cristianismo entre outros absurdos. Quem defende estes líderes, em uma sociedade ocidental livre, deveria ser indiciado por apologia a crimes contra a humanidade, por que é exatamente o que está fazendo. Afinal, não seria indiciado alguém que defendesse em praça pública o extermínio/ assassinato de judeus, imigrantes entre outros e se organizasse, preparando-se para tal?
Em resumo, as intervenções militares ocidentais no oriente não devem ser vistas como pontuais. Elas não são as primeiras e não podem ser as últimas. Os países arábes sob domínio de grupos extremistas islâmicos,não irão parar ou arrefecer, seus objetivos são grandes e seus líderes não economizaram em técnicas para destruir o ocidente, qu suicída, os deixa agir quase livremente. Retirar as tropas de intervenção hoje no Oriente Médio, é assinar um atestado de incapacidade de reestruturar um lugar que a séculos, desde a queda do império mulçumano, está desestruturado, e mostra-se claramente incapaz de desenvolver-se em direção a democracia, aos direitos e a busca de uma menor desigualdade social. Isto pois está engessado cultural, religiosa e socialmente, com fracos sempre fracos e manipulados demais e ricos, graças a sede do ocidente por energia, que nadam em lucros sem ter que fazer nada para ajudar seus povos.
A Europa a séculos viu um império invádi-la e por séculos teve de lutar e morrer para se libertar. Hoje o mundo ocidental tem duas opções, sentar e esperar que os “loucos, terroristas e mártires” atravessem a fronteira, para, ai sim, ir a guerra pelo que já era seu, ou hoje, enquanto ainda temos força e recursos superiores ao inimigo declarado, democratizar e civilizar àqueles que reféns de líderes não-democráticos, são preparados abertamente como o exército para nos destruir. Obviamente o dito “respeito pela cultura” terá de ser flexibilizado, pois não é aceitável respeitar “uma cultura” do “destruir o ocidente/ diferente/não-islâmico”. A guerra é inevitável, mas o número de baixas e o futuro de ambos os lados pode ser mínimo e brilhante, depende de coragem de nossos líderes, atenção de nossa fiscalização e a noção de que o politicmente correto, nem sempre é o estruturalmente funcional ou viável.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O jejum de Evo Morales

Por Gutierres Siqueira

O esquerdismo latino-americano sofre de uma síndrome aguda do “coitadismo”. Sempre a culpa é externa, seja dos imperialistas ianques, dos imperialistas brasileiros ou da oposição golpista. O último a expressar sintomas dessa síndrome foi o presidente da Bolívia, Evo Morales. Os governantes da esquerda latina sempre bradam: “Não conseguimos conduzir essa nação, mas a culpa é deles”.

Morales mantém uma greve de fome para aprovação no parlamento da nova Lei Eleitoral. Um dos pontos dessa nova lei inclui eleições para o final do ano, que beneficiaria o líder boliviano e bolivariano. Para pressionar os deputados oposicionistas, Morales mantém o jejum regado com folhas de coca, bolachas e água.

O presidente não procura negociar com a oposição, em respeito às instituições do seu país, mas prefere uma greve de fome para chantagens junto à opinião publica. Sendo assim, acusa todos os que contrariam suas idéias de golpistas ou outros adjetivos pejorativos. Nesse domingo voltou a afirmar, em entrevista, que os Estados Unidos e a “direita fascista” planejam seu assassinato.

Não assumindo suas responsabilidades, a liderança coitada acaba provocando instabilidades em seus países e ainda mantém uma popularidade alta ao transferir culpas. Essa técnica tem funcionado muito bem, pelo menos num primeiro momento, nos países da América Latina.
No Brasil, o apóio do Partido dos Trabalhadores (PT) ao boliviano, mostra como o governo considera normais essas atitudes infantis para um chefe de Estado. O presidente brasileiro Lula da Silva também sofre da “síndrome coitadista”. A marolinha da crise é culpa dos homens “brancos de olhos azuis” e o atraso do PAC é resultado de prefeituras sem projetos. Lula ainda mantém a tendência de acusar outrem por sua própria ineficiência.

sábado, 28 de março de 2009

O "pacote Obama" de resgate aos bancos dará certo?

Por Gutierres Siqueira

O Programa de Socorro de Ativos Problemáticos (TARP, em inglês) alcançara os resultados esperados? Ninguém sabe. Aliás, as opiniões sobre esse pacote de resgate não estão moldadas por certezas, mas sim por muitas dúvidas. O certo é que as bolsas de todo o mundo ficaram muito animadas, mas as empolgações nos pregões nos últimos meses não tem se mostrado estável.

Pontos positivos

A decisão de envolver o setor privado nesse pacote tem sido apresentada como um ponto positivo. Os pacotes anteriores estavam atrelados exclusivamente nas soluções governamentais, sendo que o setor privado só clamava por socorro, mas não se envolvia como a solução do problema. Outra vantagem do envolvimento privado é que evita mais pedidos de recursos ao congresso, diante de impopularidade de Wall Street na sociedade norte-americana.
Um ponto interessante é que a proposta está na solução via mercado, e não por medidas radicais como da estatização. Evitando a nacionalização dos bancos, um desgaste político para o presidente Barack H. Obama fica minimizado.

Pontos de críticas

O pacote evita a estatização, porém permite que a antiga diretoria continue no comando, mesmo depois dos grandes erros cometidos por essas gestões. Ao emitir trilhões de dólares para pacotes de socorro, os Estados Unidos estão correndo riscos futuros de grandes proporções, principalmente relacionada à inflação. Em resposta as críticas, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner disse: "Não existe nenhum dúvida de que o governo está assumindo um risco".

Pontos de incerteza

Os bancos mostraram todos os seus papéis podres correndo o risco de piorar sua imagem como "banco podre"? Como despertar o interesse de investidores em papéis podres garantidos pelo governo? Quanto tempo essa medida do pacote pode durar? Como separar papéis podres dos bons?
Muitas são as perguntas sobre esse plano. Algumas indagações ainda são da própria natureza dessa crise, pois nenhuma resposta objetiva ainda foi dada sobre o real problema do mercado. A pergunta crucial ainda não respondida é se a crise resulta dos prejuízos de longo prazo das instituições financeiras ou são os riscos de liquidez de curto prazo.

Conclusão

Se o plano der certo, o governo e investidores sairão com lucros, o sistema bancário volta com uma confiabilidade para colocar créditos no mercado. Ou seja, muitos leões serão mortos com uma só paulada. Se o plano der errado, o governo aumentará ainda mais o déficit dos Estados Unidos e os bancos continuaram com os problemas centrais e o crédito prejudicado.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Salve Obama, o agraciado entre todos os homens!

Por Gutierres Siqueira

Pesquisa recente do Instituto Harris mostrou que para os norte-americanos o maior herói é Barack Obama. Ou seja, Obama ganhou até de Jesus Cristo, que ficou em segundo lugar. O presidente recém-eleito também ficou também na frente de Martin Luther King, Ronald Reagan, George W. Bush, Abraham Lincoln, John McCain, John Kennedy, Chesley Sullenberger e Madre Teresa. Sendo essa a seqüência dos votos.

Isso tudo é fruto do messianismo obâmico, que está solto nos Estados Unidos, no Brasil e no mundo! E como todo messianismo beira ao ridículo, fruto da ignorância transvertida de esperança, cheirando pura idolatria no Estado e no seu representante.

Um dado curioso dessa pesquisa é o forte culto aos presidentes no EUA. Ora, são eles que praticamente estão eleitos para salvar o mundo, como ungidos por uma força maior. Na campanha de Obama, esse messianismo bocó fez até jornalistas chorarem de emoção pela vitória do iluminado!

Gene Healy, autor do livro "O culto à presidência: A Perigosa Devoção da América ao Poder Executivo" escreveu um artigo onde cita o pensador conservador Barry Goldwater, que em 1964 disse:

... parte da idolatria atual a executivos poderosos vem daqueles que admiram qualquer tipo de força e realização. Outros aclamam a demonstração de força presidencial... simplesmente porque eles aprovam o resultado alcançado pelo uso da força. Isso é nada menos do que a filosofia totalitária, segundo a qual o fim justificam os meios... Se existe uma filosofia de governo totalmente em guerra com aquela dos Pais Fundadores dos EUA, este é um exemplo. [1]

Em outro momento, Goldwater declarou:

Aqueles que procuram o poder absoluto, mesmo que eles o procurem para fazer o que consideram como bom, estão simplesmente pedindo o direito de forçar suas próprias versões de paraíso na terra; e deixe-me lembrá-los que eles são exatamente os mesmos que sempre criam a mais infernal tirania.

Portanto, é isso. Os Estados Unidos estão regredindo na sua tradição liberal, que sempre desconfiou de homens muitos fortes e poderosos! Retrocesso total e perigoso meio de fortificar os homens da Casa Branca acima daquilo previsto pela constituição.

Nota:

[1] HEALY, Gene. Campanha de 2008 e o culto à presidência. Digesto Econômico, 2008, n° 450, vol. 63. pp 82-85.

sábado, 14 de março de 2009

Cuba Livre, comunismo, neoliberalismo e social-democracia!

Por Gutierres Siqueira

Quando eu era um pré-adolescente, meu pai recebeu de presente o CD do seu primo, um cantor não profissionalizado. O título do CD era “Cuba Livre”. Lembro que então com 11 anos, o “Cuba Livre” me chamava mais atenção do que as músicas MPB daquele disco. Infelizmente ainda não contemplamos o “Cuba Livre”, mas o ditador Fidel continua a jogar todo o seu ódio contra o “maldoso” e “feroz” liberalismo econômico. Realmente, ditadores não gostam dos liberais.

Nessa última semana, o cubano falou mais uma vez sobre a crise em suas reflexões [1]. Sempre que vejo uma pessoa como o ele opinando sobre economia, olho isso como uma grande piada. O que é a economia de Cuba? Nada, absolutamente nada! Bem, na verdade Fidel não opina nesse texto, simplesmente reproduz as palavras de um “companheiro comuna economista”. A única coisa que Fidel fala, logo no final do texto, é uma crítica a grande imprensa. Aliás, os comunistas sempre acusam a grande imprensa de alguma coisa, não é a toa que os regimes “neo-socialistas” latinos, como de Hugo Chávez, persigam jornalistas por meio de milícias que estão a serviço do governo.

Por que Fidel é tão contra o liberalismo econômico? Ora, pois liberalismo combina com democracia, liberalismo político, pouca interferência do Estado em nossa vida particular. Tudo isso Fidel como ditador tem pavor em ouvir. Fidel sabe que se a ilha cubana implantasse o regime econômico neoliberal, os habitantes dessa ilha logo clamariam por uma abertura democrática. Isso é inadmissível para o sanguinário Fidel. Liberalismo é a defesa intransigente da liberdade individual.

Em nome da liberdade defendemos mercados competitivos (e não essa palhaçada do monopólio no Brasil), livre concorrência (princípio pouco observado em nosso país), facilitação de ingresso comercial e evitar ao máximo a intervenção econômica do Estado, pois a mão dele sempre é pesada, burocrática e ineficiente.

Neoliberalismo é o pai da crise econômica mundial?

Acusar o neoliberalismo de pai da crise econômica mundial é uma grande falácia, como mostra o ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega:

A crise teria sido efeito da crença cega no mercado. Ocorre que não existe livre mercado no sistema financeiro. Na verdade, o detonador da crise nasceu de intervenção do estado, qual seja a norma pela qual se financiou a casa própria para milhões de americanos sem condições de pagar. Analistas de esquerda adoram apontar a desregulação. A culpa seria da revogação do Glass-Steagall Act, no governo de Bill Clinton. Essa lei, dos anos 30, separava as atividades de banco comercial das de investimento, mas ficou gagá com a sofisticação e a globalização dos mercados. Penalizava os bancos americanos. [2]

Portanto, ainda na era mais “regulamentada” do governo democrata, os Estados Unidos tomaram algumas medidas. O neoliberalismo simplesmente é o saco de pancadas de todos os males desse mundo, incluindo a crise econômica.

Social-Democracia como solução?

A social-democracia ou “liberalismo-socialismo” falhou na década de 70 com seu programa de “bem-estar social” (Welfare Stat), mas nos últimos anos voltou com força da Europa e especialmente na Inglaterra de Tony Blair. O modelo desregulamentado dos Estados Unidos caiu na crise, isso é um fato, mas não tão profundamente como na mais “regulamentada” Europa social-democrata. Vários analistas econômicos apontam que os Estados Unidos sairão primeiro da crise do que a Europa. Promover o “bem-estar social” pesa o Estado e chama a ineficiência econômica- financeira. Logo, essa política deu certo em países que já tinham feito o dever liberal, portanto já eram ricos e pequenos em sua população, mas promoveram o desejo de acabar com as desigualdades e implantaram essa política meio socialista, meio liberal.

Conclusão

Portanto, bom seria para aquela pequena ilha do Caribe implantasse o liberalismo, tanto na economia e na política. Cuba assim seria livre, assim como o titulo daquele CD.

Notas:

[1] Veja a “reflexão” de Fidel nesse site: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52131

[2] NÓBREGA, Maílson da. Crise: como chegamos a este ponto? Revista Veja. Ed. 2103, ano 42, n. 10. p 106.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A solução é exportar problemas

Por Dalton Almeida


Há poucos dias atrás, indo me servir de um lanchinho à tarde, encontrei meu pai que, objetivava a mesma coisa que eu. Ele observava o interior da geladeira atentamente, vasculhando suas prateleiras em busca de algo, que não sabia bem o que, mas necessitava para se sentir saciado. Como é de costume nestes momentos, os quais você leitor já deve ter experimentado incontáveis vezes, meu pai não encontrou o que buscava, mas enquanto eu me empanturrava com um delicioso copo d’água, afinal me lembrará de controlar a gula (um pecado que sistematicamente venho cometendo), surgiu um assunto “completamente contextualizado” ao agradável cheiro de mangas amadurecendo, próximas a uma respeitável pilha de louça a guardar, este era: A inviabilidade de se viajar a Marte com a tecnologia atual.
Naturalmente que o objetivo desse texto não é esmiuçar as diversificadas facetas do assunto, então tratado, com naturalidade em meio à fria atmosfera cerâmica da cozinha, e nem acabar com os sonhos dos leigos que acreditam piamente, que hoje, já possuímos tecnologia mais que suficiente para um pulinho ao “Deus da Guerra”, só bastando arranjar loucos que se submetam a meses intermináveis de viagem comprimidos em naves desconfortáveis.
Nem vale a pena citar, portanto, os probleminhas fisiológicos degenerativos advindos da ausência de gravidade, a radiação solar, stress psicológico e da necessidade de uma fé quase religiosa, de que os supercomputadores, sem alma e sentimentos, responsáveis pelos cálculos das coordenadas para a janela de lançamento, não tenham errado em nada, principalmente, pois ao contrário de um pulinho à Lua, à aproximadamente 300.000 quilômetros de distância, Marte é uma longa avenida, com retorno só e exclusivamente no destino.
Mas afinal, o que tem haver um homem olhando para a geladeira e uma viagem a Marte? Bom.... fora o fato de que, com certeza ,os astronautas (ou cosmonautas, caso você prefira a nomenclatura russa ) terão de comer, a semelhança está exatamente na “busca” por alguma coisa, embora não se saiba bem o que. E, é importante destacar, que esta se expressa em muitas outras formas além da gula, sendo a mais comum, a curiosidade.
Esta busca, é a mesma que a Enterprise (de A a E) se engaja “indo onde nenhum homem jamais esteve” (e voltando para contar); é o motivo pelo qual em “Hellboy 2 e o exército Dourado” os homens, como conta a lenda retratada na película, foram a Guerra contra os seres mágicos, numa busca de expressão expansionista. E é também, o “motor que impulsiona” os homens na obra de Tolkien, mesmo com suas vidas “curtas” e almas facilmente “corrompíveis” (em contrate aos Sábios Elfos) a crescerem, desenvolverem-se e evoluírem rapidamente, transformando-se no futuro da Terra Média. E colateralmente expulsando tais sábios, representantes vivos de quando o homem não passava de uma criança, e tinha de ser cuidado, velado e principalmente direcionado. Com a mudança deste último quesito(agora o homem tem uma direção: completar a si mesmo), os Elfos rumam para o mar e inicia-se a Era dos Homens.
É este mesmo vazio, citado nas referências de caráter “Pop” acima, que levou dois ricos países a construir um imenso acelerador de partículas, sob protestos da sempre presente “turma do fim do mundo”, para investigar os segredos mais recônditos da matéria, enquanto na direção oposta, empurra a maior nação do mundo, maior potencia militar do planeta e maior economia global, a investir uma significativa fortuna para planejar o envio de delicados seres de carbono, para fora da proteção terrestre. Mesmo que, internamente, tal poderosa nação, sofra com uma miríade nada desprezível de problemas sociais, que agradeceriam (caso fossem entidades conscientes) a aplicação, neles mesmos, dos recursos disponibilizados a tais empreendimentos dignos de uma “Space Opera” de Ficção Científica. Ainda mais com o fato, de o destino de paradisíaco não ter nada.
Sendo exatamente esta a conclusão, a que cheguava, próximo ao fim da conversa com meu pai:

- “Longe de mim ir contra a exploração do espaço, negando minha paixão pela Ficção Científica, mas talvez por hora, fosse mais importante aos americanos investirem no bem estar interno deles, tendo em vista, uma perspectiva realista, de que não irão ajudar nenhum outro povo ou nação, como é de praxe.
E recebi como resposta:
- “Pelo contrário, temos tantos problemas, está na hora de exportarmos alguns, acredito ser de profunda importância investir-se nisso”.
O interessante, no rápido diálogo acima, é que não me foi necessário mais argumentos, entendi logo de cara o que ele queria dizer. Minha compreensão alcançada em instantes, como se a frase de meu pai funcionasse como uma chave, bebeu nas fontes já salpicadas anteriormente no texto( um “todo” de repertório literário e Pop), referências nas quais não importa o ambiente em que se encontrasse o homem, se é em velocidade de Dobra trocando torpedos fotônicos com Romulanos ou sitiando com suas linhas de infantaria Bara-Dûr, forçando o todo poderoso Sauron a descer para o corpo-a-corpo. O importante, é que o homem, com sua capacidade de se levantar e buscar algo, através de objetivos nem sempre muito claros, se renova, evolui e melhora a si e a existência de todos de sua espécie, direta ou indiretamente.
Marte é apenas mais um objetivo da eterna busca do homem pelo “pedaço que lhe falta”, e que as religiões apontam estar nos céus, em um plano que nenhum Saturno V é capaz de alcançar. Neste contexto, Marte é apenas, mais um expediente, entre muitos outros, pelo qual a humanidade tem uma opção extra de se melhorar,e talvez, por que não, compreender melhor sua pequenez perante a imensa obra de Deus e/ou Big Bang à sua volta, e assim poder acelerar o processo já tão debilitado do "cuidar com amor e respeito de seu próximo", além de tolerar melhor as diferenças.
Com tais possibilidades, os custos da “missão Marte” são uma verdadeira barganha, em que exportamos nossos problemas, na busca de resolver nossa incompletude, com potenciais e preciosos resultados colaterais, aqui mesmo, sob o “azul céu de ozônio”.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Blogosfera: Relações e Interação

Por Gutierres Siqueira

Os blogs[1] nasceram como diários virtuais, especialmente de adolescentes ávidas por paradoxalmente esporem suas vidas nas livres páginas da web. Blogs são páginas pessoais de acesso gratuito na internet, onde por meio de mecanismos simples é possível publicar textos [2], fotos e vídeos. Os blogs começaram a “bombar” no ano de 1999 nos Estados Unidos e foram importantes com agentes informativos em fatos relevantes, como o 11 de setembro e a reeleição do presidente norte-americano George W. Bush[3]. O termo webblog já era usada em 1997 para definir páginas da internet com aspecto de diário ou caderno. A gaúcha Viviane Vaz de Menezes foi a primeira brasileira a criar um blog, o Delights to Cheer, era escrito totalmente em inglês e teve início em fevereiro de 1998.
Os blogs são oferecidos por grandes portais com Google, que detém o mecanismo Blogger[4]. O Wordpress é a principal concorrente do Google e também tem usuários em todo o mundo. Sites com UOL, TERRA, Portal da Editora Abril, Globo e outros também oferecem serviços de blogues para aqueles que assinam o serviços desses sites. O IG foi o primeiro portal brasileiro a aderir à onda dos blogs, criando seu próprio serviço de hospedagem gratuita, o Blig, isso ainda em novembro de 2001. As facilidades dos mecanismos disponíveis e a estética atraem os novatos produtores de conteúdo na web.
Os blogs superaram a fase de meros diários pessoais, sendo hoje uma vasta rede de mini-sites dos mais diversos assuntos. Apesar de ter abandonado o lado “diário de ser”, as páginas dos blogs não perderam o formato de caderno. Esse formato já invadiu até os tradicionais sites. Muitos blogues já fazem muito barulho, principalmente daqueles que falam de política e são sucessos nas páginas virtuais do computadores instalados no Congresso Nacional. Muitos jornalistas que já tinha uma fama considerável aderiram a blogmania. Alguns desses jornalistas aumentaram a visibilidade ao mesmo tempo de se expuseram em polêmicas, como o caso do jornalista Luís Nassif, que criou um blog especialmente para criticar o modus operandi da Revista Veja. Artistas, cantores, políticos e muitos que já tinham uma página na web resolverem acrescentar blogs em seus sites. A blogmania realmente pegou nos últimos anos, principalmente no Brasil, um dos países que mais acessam a internet no planeta.
O fato mais fascinante para os estudos da comunicação sobre os blogs são a grande adesão de pessoas anônimas que começaram a fazer sucesso por meio dessa ferramenta. Os blogs não tornaram nenhum desconhecido em uma grande celebridade, pois esse novo meio de comunicação não veio concorrer com as chamadas mass media. Os blogs criam uma audiência um tanto familiar, quando as polarizações se reúnem em torno de temas controversos. Por exemplo: Um blog que defenda ideologias de direita acaba cercado daqueles que se identificam com o tema, assim como atrairá muitos esquerdistas que farão plantão para discordar do que ali for escrito. O contrário também é verdadeiro.
A audiência de um blog costuma ser constituída de fiéis leitores, assim como daqueles que passam uma única vez sobre aquela página. A maior parte dos leitores de um blog não são usuários desse mecanismo, mas gostam dos textos expostos assim como a possibilidade de interação. Blogueiros[5] costumam comentar em outros blogs, pois esse é um meio de aumentar sua audiência, pois outros leram as opiniões que ele escreve, podendo ser atraído para a sua página.
Existem certa de 20 milhões de blogs ativos no mundo, um número muito pequeno diante dos milhões de blogs existentes, pois a cada minuto são criados mais dois blogs no planeta, somando-se aos outros 112,8 milhões que estão na rede, segundo dados de agosto de 2008 da empresa de medição Technorati A explicação para esse fato é que muitos criam suas páginas, mas não encontram disposição para manter a página ativa, pois é necessário dedicação de tempo regular. Tem quem defenda que em um futuro próximo a maior parte da população terá um celular, uma conta de e-mail e um blog. O fato é que boa parte dos internautas no mundo ainda não conhecem profundamente esse mecanismo. Segundo últimas pesquisas, 85% dos brasileiros que acessam a internet visitaram uma rede social, como o Orkut, em setembro de 2008, ficando atrás somente do Canadá. A blogosfera ainda não chegou a tanto!

Relações na blogosfera

Blogosfera é um termo genérico para designar uma rede de blogs que apresentam características em comum. Os blogueiros costumam criar laços com outros blogueiros, principalmente com aqueles que compartilham das mesmas afinidades. Blogueiros que escrevem sobre rock são normalmente freqüentadores assíduos de outros blogs de rock, sejam de desconhecidos ou de algum cantor famoso. A blogosfera cria laços entre pessoas que não tinham uma amizade prévia, o que raramente acontece em ferramentas com MSN e Orkut. As comunidades do Orkut costumam agregar pessoas com gostos em comum, mas normalmente essas comunidades apresentam uma baixa movimentação. A blogosfera normalmente não cria comunidades formais, mas os laços entre os blogueiros não deixa de ser constante e mais sólido, pois o que se partilha na blogosfera são gostos e principalmente ideologias. Há a blogosfera marxista, blogosfera dos roqueiros, blogosfera dos profissionais de TI, blogosfera dos fãs da cantara tal, blogosfera evangélica e inúmeras outras.
O blog ainda não tem a mesma credibilidade dos meios de comunicação tradicionais, mas apresentam uma intimidade do receptor (no caso o leitor) muito maior e mais intensa. A TV, o rádio e o jornal impresso formam “auras” em torno dos ancoras, mas enquanto isso os blogueiros tendem a ser pessoas accessíveis, que respondem os comentários, debatem com os leitores e acabam criando uma relação com o seu público. O público responde da mesma forma, criando uma fidelização em sua leitura. O blogueiro Bruno Garschagen descreve bem a relação blogueiro e leitor:

O blogue para o leitor... é uma espécie de amigo íntimo. Isso talvez explique porque os leitores entram em qualquer briga para ajudar seu blogueiro predileto e ficam indignados se o blogueiro não age da forma como eles esperam. É possível ver isso no dia a dia dos blogues. Quem é blogueiro sabe exatamente como é isso. [6]

Há leitores que comentam em todos os textos de um determinado blog. Esses comentários são, normalmente, sempre para ratificar o que ali está escrito ou então para criticar. O engraçado são leitores que discordam totalmente do blogueiro, mas sempre estão visitando a página da discórdia para alimentar sua aversão.

Debates e formação de fóruns

O campo de comentário nos blogs não faz interação somente entre blogueiros e leitores, mas até entre os leitores. Muitos blogs conseguem transformar o campo “comentário” em verdadeiros fóruns, onde os leitores debatem entre si e com o próprio blogueiro. Essa interação é descrita por Beja Santos:

O blogue é hoje matéria prima do consumo digital, é uma entidade madura da Web, tem interações nos auditórios que cria, põe comunidades diariamente em contacto, transforma a rede de conteúdos que é a Internet numa das mais poderosas infra-estruturas de discussão. [7]

Um grande problema nos comentários de blogs são os famosos “anônimos” ou “pseudônimos”, pessoas que normalmente que fazem comentários de baixo calão e escondem a identificação.

Conclusão

Os blogs podem funcionar perfeitamente como meio de aproximação e assim alimentar um aspecto pobre na comunicação de massa, que é a maior interatividade público e produtor.

Notas:

[1] Blogue é a forma aportuguesada de blog. Essa ferramenta é ainda conhecida como webblog e diário virtual.

[2] Os textos em blogs são chamados de post, palavra de origem inglesa que significa informar, inteirar ou publicar.

[3] Os blogs de Deborah Andrade (http://deb.no.sapo.pt) e Cristiano Dias (http://www.crisdias.com.br), brasileiros residentes em Nova York, receberem milhares de novos visitantes procurando por informações a sobre os atentados ao World Trade Center.

[4] Em 1999 o Blogger (http://www.blogger.com) foi criado pela Pyra Labs e depois comprado pelo Google.

[5] Termo para definir os editores de blogs.

[6] GARSCHAGEN, Bruno.
Blogues em debate: blogueiro e leitor. BrunoGarschagen.com. Disponível em <http://brunogarschagen.com/2008/05/19/blogues-em-debate-4-blogueiro-e-leitor> Acesso em 28 de outubro de 2008.

[7] SANTOS, Beja.
Blogosfera, o nosso lugar de conversa na sala digital.. Artciencia.com, São Paulo. Ano II, Número 6, Fevereiro-Abril 2007. Disponível em < http://64.233.169.132/search?q=cache:h3GztTpgo0YJ:www.artciencia.com/Admin/Ficheiros/BEJASANT358.pdf+futuro+da+blogosfera&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=108&gl=br> Acesso em 28 de outubro de 2008.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como a esquerda levou os EUA para o 11/9

Por Dinesh D'Souza¹
Tradução: Gutierres Siqueira

As administrações Carter e Clinton fizeram os EUA parecerem fracos, alvo atraente para terroristas.

Ao considerar um corte no financiamento dos EUA em tropas no Iraque, a liderança liberal² no Congresso corre o risco de tornar os Estados Unidos mais vulneráveis a ataques futuros não só no Oriente Médio, mas aqui em nos Estados Unidos. Para compreender isto, não é suficiente revisar os fatores que levaram à invasão do Iraque. Temos de considerar as raízes de 11/09 em si. Só compreendendo as políticas que semearam as sementes de 11/09 é que podemos decidir a forma mais inteligente para avançar na luta contra o terror.
Peritos da esquerda dizem que 11/9 foi o resultado de uma "blowback" de resistência do mundo islâmico contra política externa americana. À primeira vista, isso parece fazer sentido. Colonialismo americano no Oriente Médio? Os EUA não têm nenhuma história do colonialismo lá. Washington deu apoio para os antidemocráticos regimes ditatoriais da região? Os muçulmanos não podem estar indignados com isso, porque não existem outros tipos de regimes da região. EUA apoiaram a Israel e as guerras contra os muçulmanos? Sim, mas os americanos freqüentemente têm lutado ao lado dos muçulmanos, como no Afeganistão na década de 1980 ou na Guerra do Golfo Pérsico.
Mas, em certo sentido, os peritos liberais estão certos. Os EUA fizeram dois gigantescos erros na política externa, das últimas décadas, que fez a semear o 11/9. O que os liberais não têm reconhecido é que esses erros foram o resultado direto de suas políticas e ações, e foram realizados por presidentes democratas - Jimmy Carter e Bill Clinton.
Para compreender isto, precisamos de um pouco de perspectiva. O fundamentalismo islâmico tornou-se uma força mundial em 1979, quando ele capturou o seu primeiro grande estado, o Irã. Antes disso, organizações radicais como a Irmandade Muçulmana foram perdendo batalhas na luta pela derrubada de seus governos locais. Isto mudou com o sucesso do regime Khomeini no Irã. O aiatolá Ruhollah Khomeini foi o primeiro líder muçulmano a descrever os EUA como o "Grande Satã" e condenou ao martírio o seu advogado. Irã continua a ser um modelo para os muçulmanos radicais.
A ascensão de Khomeini ao poder foi facilitada pelas políticas do Carter. Carter entrou em funções sublinhando o seu apoio aos direitos humanos. Seus assessores lhe disseram que não podiam apoiar consistentemente o xá³ do Irã, pois o mesmo tinha uma polícia secreta que foi amplamente acusada de violar os direitos humanos. A administração começou a retirar o seu apoio e, finalmente, puxando o tapete debaixo do xá, obrigando-o a descer.
O resultado foi Khomeini, cujo regime foi muito mais cruel do que o xá's. Khomeini desde o golpe de estado patrocinou o radicalismo islâmico e o terrorismo e abriu o caminho para a Osama bin Laden e 11/9.
As políticas de Clinton também ajudaram a provocar 11 / 9. Após a Guerra Fria, levando radicais islâmicos a retornaram aos seus países de origem. Bin Laden deixou o Afeganistão e voltou para a Arábia Saudita; Ayman Zawahiri foi devolvido ao Egito. Eles lutaram contra os seus próprios governantes - o que foram denominados como "inimigos próximos" - a fim de estabelecer estados sob a lei islâmica. Mas, em meados dos anos 1990, estes radicais mudaram de estratégia. Eles decidiram parar de lutar contra o inimigo próximo e atacarem o "inimigo de longe," os Estados Unidos da América.
A única superpotência do mundo parece ser muito mais interessante do que governantes muçulmanos locais, como Hosni Mubarak do Egito ou a família real saudita. Bin Laden argumentou, no entanto, que o inimigo era na verdade muito mais fracos e mais vulneráveis. Ele estava confiante de que, quando atingir órgãos vitais dos EUA, os americanos teriam que se arrumar e correr. Assim como no Vietnã. Assim como em Mogadíscio, Somália. Bin Laden viu sua teoria da fraqueza americana demonstrada durante a época Clinton. Em 1993, radicais islâmicos bombardearam o World Trade Center. A administração Clinton fez pouco. Em 1996, terroristas muçulmanos atacaram as Khobar Towers USA com facilidade em uma base na Arábia Saudita. Sem resposta. Em 1998, Al-Qaeda bombardeou duas embaixadas americanas na África. Clinton respondeu com embate superficial no Sudão e no Afeganistão. Estes fizeram nenhum dano real à Al Qaeda e só reforçou a percepção de inércia americana. Em 2000, radicais islâmicos bombardearam o navio USA Cole. Novamente, a equipe Clinton não atingi Al Qaeda. Por sua própria confissão, Bin Laden concluiu que a sua suspeita de inabilidade e fraqueza americana foi correta. Ele se tornou entusiasta com o enredo dos ataques de 11/9.
Ainda assim, os ataques 2001 poderiam ter sido evitados se a administração Clinton lançasse um ataque efetivo contra Bin Laden nos anos que antecederam a eles. Clinton disse que ele tinha feito todos os esforços contra Bin Laden durante o seu segundo mandato. Ainda o ex-agente da CI, Michael Scheuer, estima que havia cerca de dez chances para capturar ou matar Bin Laden durante este período e que o pessoal do Clinton não conseguiu capitalizar sobre nenhum deles.
Entre 1996 e meados de 2000, Bin Laden não estava profundamente escondido. Ele deu sermões na maior mesquita de Kandahar (Afeganistão). Ele falou abertamente no seu telefone via satélite. Ele também concedeu uma série de entrevistas aos meios de comunicação social: em 1996, com o autor Robert Fisk; em 1997, com Peter Arnett da CNN; em 1998, com John Miller da ABC News; em 1999, com um jornalista filiado a revista "Time". Não é estranho que todas essas pessoas possam se encontrar com Bin Laden, mas a administração Clinton não poderia?
Duas lições podem ser extraídas desses episódios. O primeiro deles, derivados de ações da Carter, é: Em se livrar do mau regime, tenha certeza que você não vai obter um pior. Isso aconteceu no Irã e poderia voltar a acontecer no Iraque, se levado no Congresso a maneira democrata. A segunda lição é de inação, derivada de Clinton, pois a percepção da fraqueza incentiva os nossos inimigos. Se os insurgentes e terroristas muçulmanos acreditam que os Estados Unidos estão divididos e cheio de melindres acerca de vencer a guerra contra o terror e que são susceptíveis de agravar os seus ataques a americanos no estrangeiro e em casa. Nesse caso o 11/9 será apenas o começo.

Notas:

1- Dinesh D'Souza é pesquisador do Hoover Institution, na Universidade de Stanford e autor do "The Enemy at Home: The Cultural Left and Its Responsibility for 9/11.”.
Artigo originalmente publicado no jornal Los Angeles Times de 18 de Janeiro de 2007.

2- NT: Nos EUA o conceito político de direita e esquerda é diferente do Brasil. Direita é sinônimo de conservadorismo e esquerda de liberalismo.

3- NT: Xá ou Shah é um título de monarca, equivalente a “rei”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O protecionismo de Barack Obama

Por Gutierres Siqueira

Nações que adotaram o livre comércio tiveram aumentos na renda per capita, na expectativa de vida, na educação, na saúde. A liberdade para o comércio é o caminho para a prosperidade. Tom Palmer, especialista em globalização. Entrevista para Revista Exame.

Obama anda muito preocupado com o setor automobilístico dos Estados Unidos, sendo um demonstrativo de quanto o seu governo será protecionista e de mercado fechado para o umbigo de agricultores e industriais norte-americanos. Isso é muito ruim para o Brasil, pois queira ou não, os EUA são a maior economia do mundo e o parceiro mais expressivo quando falamos de exportação! Outros países ricos, principalmente nesse momento de crise, com aumento do desemprego, também podem tomar medidas protecionistas. Empresários brasileiros, chineses e até tailandeses estão preocupados com o protecionismo de Obama, natural por ser um democrata.
Em entrevista para a agência EFE, Prakit Apisarthanarax, presidente da consultoria financeira Prakit Holdings disse: “Acreditamos que o novo presidente dos Estados Unidos protegerá a indústria própria acima da promoção de novos acordos de livre-comércio, o que afetará negativamente as exportações da Ásia e Tailândia". O porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Qin Gang declarou: "Esperamos que a política de livre comércio continue sendo respeitada. Devemos evitar o protecionismo comercial, que não é bom para nenhuma das partes".
A doutrina protecionista tem como objetivo proteger o mercado interno das importações, dificultando esse tipo de negociação. Todos os países são em algum grau protecionistas, mas a tradição do Partido Democrata tem como meta política o protecionismo. Em 2006, quando os democratas dominaram a Câmara dos Representantes, o Estado de São Paulo em 23 novembro de 2006, lembrou:

O Brasil tem sido um alvo freqüente do protecionismo democrata. Eles não aceitam como legítima a concorrência brasileira, mesmo num setor em que o Brasil é reconhecidamente eficiente, como a agricultura. Sempre há, contra os brasileiros, alegações de dumping, de exploração de mão-de-obra barata e de agressão ao meio ambiente. Com tudo isso, produtos brasileiros continuam sujeitos a barreiras muito altas. A abertura de mercado para o etanol brasileiro é por enquanto uma hipótese remota. Pelos primeiros lances dos democratas, também os industriais, e não só os agricultores, devem preparar-se para novas pressões.

É claro que existem republicanos ligados aos agricultores e industriais interioranos altamente protecionistas, mas isso foge da tradição republicana, que sempre defendeu o livre-comércio. No último dia 15, na reunião do G-20 em Washington, George W. Bush lembrou que “um dos perigos em uma crise como esta é que as pessoas comecem a adotar políticas protecionistas”.
Ironicamente, o Brasil que torceu e vibrou com a vitória de Barack Obama, será prejudicado pela atrasada visão econômica que o novo presidente possui juntamente com seu partido! Os obanistas apresentam um montão de desculpas, dizendo que até McCain seria protecionista (papo furado!!!). Será que agricultores e industriais brasileiros sentirão saudades de Bush?