O Opuslux passou os últimos meses por um momento de baixa. Mas isso está para acabar. Novos textos estão sendo gestados e muito em breve novas análises e materiais serão disponibilizados. Fique atento!
Dalton L. C. de Almeida
Opus Lux é a obra da razão. Um espaço com reflexões sem amarras sobre política, economia, ciência, cultura e sociedade.
O Opuslux passou os últimos meses por um momento de baixa. Mas isso está para acabar. Novos textos estão sendo gestados e muito em breve novas análises e materiais serão disponibilizados. Fique atento!
Dalton L. C. de Almeida
Quando se têm olhos para enxergar, os fatos demonstram claramente que Lula e o PT não têm projeto de governo, apenas de poder. Foi a opção que assumiram quando se cansaram de ser derrotados nas urnas. Passaram então a fazer tudo, o que quer que seja, passando por cima, se necessário, dos valores éticos que até então defendiam, e até mesmo sobre as instituições da República, para garantir vitórias nas urnas. Primeiro, houve a guinada radical nas principais proposições programáticas do PT com a Carta aos brasileiros, em 2002. Depois, a manipulação da opinião pública, especialmente dos segmentos menos instruídos e por essa razão mais vulneráveis à demagogia, com a massificação de inverdades como a de que o governo Fernando Henrique legou ao País uma "herança maldita". A partir daí, aprendida a lição, Lula e seu partido passaram a defender e praticar, sem constrangimentos, exatamente o contrário do que originalmente pregavam. Se antes, na oposição, o Plano Real tinha que ser combatido, agora, para manter o poder, é bom continuar aplicando seus princípios (sem admitir isso publicamente, é claro); se antes, na oposição, as oligarquias políticas do Norte e Nordeste eram duramente condenadas, agora, para manter o poder, é melhor a elas se associar; se antes, na oposição, qualquer deslize dos administradores públicos era implacavelmente denunciado, agora, para manter o poder, melhor fingir que isso não é nada, coisa pouca, meros desvios.
É impressionante, aliás, a mudança de atitude do inspirador e principal operador desse projeto de poder. Lula, que antes de chegar ao Palácio do Planalto tinha ataques de virtuosa indignação diante de atos de corrupção no governo, uma vez no poder varreu para debaixo do tapete os "erros" cometidos por seus aliados e colaboradores, frequentemente sob suas barbas, quando não lhes passou a mão na cabeça. Não há registro no noticiário, durante toda a era Lula, de uma vez sequer que o presidente tenha vindo a público para condenar explicitamente a corrupção no seu governo ou em sua base partidária - e não foi por falta de escândalos. O máximo a que se permitiu foi a tentativa de desqualificar acusados com o debochado apodo de "aloprados". Toda sua teatral indignação, todo o ímpeto de sua revolta, Lula reservou para atacar quem, por dever de ofício, tem denunciado a falência ética de seu governo: a imprensa.
De qualquer modo, o projeto de poder de Lula chega hoje a um ponto decisivo. O chefe do PT colherá os frutos do que plantou, por um lado, com seus acertos e, por outro, com a extraordinária esperteza que revelou para se manter imune aos efeitos negativos de qualquer tipo de desacerto, especialmente aqueles provocados pela concupiscência da companheirada. Blindado pela imagem do trabalhador de origem humilde que não se intimidou diante da perfídia das elites e logrou o feito histórico de "colocar o povo no poder", descansa agora o presidente na expectativa de sua maior recompensa. O que virá as urnas o dirão. Há que respeitá-las. Mesmo que o maior efeito dessa festa democrática venha a ser uma enorme ressaca para a consciência cívica do Brasil.
RedaçãoCom possível apoio de Arnold Schwarzenegger, veículo ainda em fase de projeto leva governo a propor novas estratégias de controle social da mídia
São Paulo, 20 de setembro de 2010 - Foi constatada em recente verificação online que o número de respostas da pesquisa para revista de economia "Brasil 21" deu um salto de quase 50% nos últimos 2 dias, o que potencializa a qualidade da revista em projeto e suas chances de bom futuro. Este crescimento é devido ao repasse orquestrado pelo professor de jornalismo e editor da Band Wagner Belmonte, que não foi encontrado para dar depoimento sobre a questão.
Alunos de diversas faculdades e anos, provavelmente, ajudaram a lançar o número de pesquisa de 51 ao patamar de 73 e há especialistas que garantem que é uma questão de tempo até o "Pesquisa para revista de economia" subir aos trending topics do Twitter.
Em depoimento em sua casa de campo no Alpes o aluno de jornalismo Dalton Almeida declarou "estamos trabalhando em uma inovadora proposta. Por sermos aparentemente inclinados a uma visão mais tucana de política, única opção de oposição no Brasil, e crentes em Deus e na democracia, com certeza tocaremos os corações de centenas de jovens que vêem no lulo-petista de objetivos nazi-fascistas algo a se evitar".
O aluno também disse que já está em conversa com fontes para a revista e, ainda, aventa a possibilidade de, com alguma sorte, "conseguirmos, em breve, um depoimento gravado do megastar da política americana Arnold Schwarzenegger apoiando, o que em sua opinião é um viés republicano e democrático". " Sua opinião não está correta, mas na atual situação da mídia nacional não podemos culpá-lo por essa impressão", complementa Almeida.
O porta-voz da presidência da república negou-se a comentar o assunto do crescimento das pesquisas de uma revista claramente desalinhada com o projeto de poder petista, mas fontes internas garantem que o governo planeja enviar ao congresso, para aprovação, ainda este mês, uma nova legislação de controle social de posições acadêmicas na área de comunicação com foco em trabalhos de conclusão de curso. A proposta têm o objetivo de evitar que ainda nas universidades, posições "du contra" e "anti-patrióticas" tenham espaço ou sejam consideradas válidas para formação de novos profissionais na área da comunicação.
Após os escândalos sobre cobertura de comícios de Dilma Rousseff e contratos sem licitação,fontes internas da TV Brasil, disseram que a emissora dará apoio a nova proposta de controle ideológico de TCC's, a ser proposta pelo governo. Para isso pretende lançar um nova série de documentários mostrando os danos que a pluralidade de posicionamento político, ideológico, filosófico e religioso podem causar a uma democracia libertária de partido único e a sua "sociedade ideal".
Ainda não há previsão para o lançamento da série, mas políticos de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Irã e China, já deram seu apoio e iniciaram conversações para a exportação e preparação de versões locais dessa nova proposta de serviço social. Que de acordo com o embaixador chinês para a defesa dos diretos humanos é "algo que o mundo precisa há muito tempo".
O PSDB até o fechamento dessa matéria não respondeu as reiteradas solicitações de posicionamento. O partido Verde reclamou da grande falta de participação de ONGs na construção da base de fontes da revista, o que considera “um aspecto importante para credibilidade politicamente correta de qualquer veículo que se preze”. Almeida foi categórico em sua resposta a questionamentos sobre este assunto "ONGs infelizmente não são fontes oficiais para os assuntos tratados, mas, de qualquer forma, o politicamente correto não é o objetivo a ser alcançado por nossa proposta".
A entrega de pautas foi realizada nesse último sábado e é previsto para os próximos dias a conclusão de várias entrevistas.
Da redação,
Opus Lux
Obs: todo e qualquer conteúdo/citação dessa "MATÉRIA", exceto dados de crescimento no número de respostas e o principal responsável por ele, são fictícios e têm o único objetivo de causar algumas risadas. Ou seja, humor! Leiam as TAGS!
Responda você também! Link: http://bit.ly/aBaLhx
Por Dalton L. C. de Almeida
Por Gutierres Siqueira
Tento achar um texto legal do teólogo Leonardo Boff, mas está difícil. Há um amontoado de besteiras em seus artigos que fico até espantado. Boff, tão admirado por milhares de seminaristas católicos e evangélicos, escreve muito sobre política. Desta vez publicou um texto com rasgados elogios à política externa do governo Lula. E também para não variar criticou as críticas dos jornais sobre essa política. (Leia o texto aqui).
Cego pelo antiamericanismo retrógrado, Leonardo Boff elogia a “diplomacia pacífica” de Lula em contrapartida a “diplomacia violenta” de Hillary Clinton, secretária de Estado do governo norte-americano. Na sua “dialética” temos a diplomacia do bem e do mal. O legal mesmo é não ser subserviente ao Império, pois Hegel já nos mostrou os males desse complexo. Se o Império luta contra o armamento nuclear do Irã e da Coreia do Norte, então, nós, os hermanos latino-americanos, devemos ser a favor desses países coitadinhos, vítimas da terrível dama Hillary e do presidente Obama. Coisa terrível é se alinhar ao Império, assim Boff pensa!
Como todo “progressista” (que palavra mal empregada), Leonardo Boff acusa nossa imprensa de ser uma “sucursal do Império”. Realmente, quem sabe deveríamos receber informações das redes de TV árabes ou chinesas. Ora, lá eles têm liberdade de informação, não é mesmo? Ou quem sabe deveríamos ler o jornal cubano Granma, o órgão oficial da ditadura catrista. Nas “Reflexões de Fidel”, uma coluna desse jornal, o nome de Leonardo Boff é de vez em quanto mencionado com honras.
Dá até vontade de rir quando Boff acusa os jornalistas de uma mentalidade antiga, voltada à Guerra Fria. Risos. Será que usar termos como “Império” é estar a par da realidade recente? Quem é realmente o retrógrado dessa história? Quem ainda fala em “luta de classes”, “mais valia” e outras ideias exportadas do Século XIX? Risos e mais risos.
Acima segue uma foto que sugiro para Leonardo Boff decorar seu escritório. Ora, existe coisa mais bonita do que o presidente Lula tirar uma foto com o presidente (?) Mahmoud Ahmadinejad na mesma semana que o regime islâmico ditadorial fuzilou alguns presos políticos? Ora, nada mais progressista, não é? Essa é a diplomacia do Século XXI que Boff tanto se alegra.

(Texto vencedor do VII Prêmio Donald Stewart Jr. 2010, promovido pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro-RJ)
Por Gutierres Siqueira
A disciplina é fundamental para o avanço da revolução e essa revolução tem um líder... Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba! (Hugo Chávez, líder populista)
O populismo, a democracia e a liberdade são palavras diferentes que se relacionam positivamente ou negativamente no contexto político das nações. Portanto, partindo de uma análise da América Latina, verificam-se as características e consequencias políticas do populismo na qualidade da liberdade e da democracia nesta parte do globo, principalmente nos últimos anos com o advento do neopopulismo.
O populismo: democracia e liberdade ameaçadas
O populismo é um estilo político de cunho personalista, sendo um traço marcante na vida dos latino-americanos. Os principais governos de vertente populista dominaram quase todos os países latinos, como o Brasil com Getúlio Vargas e a Argentina com Juan Perón. Depois de crise de 1929, os países latinos sofreram transformações importantes, voltando-se para governos autoritários e de discurso demagógico. Os brasileiros, como os demais latino-americanos, conhecem bem as consequencias sociais das políticas aplicadas por presidentes ou ditadores populistas.
Nos últimos anos a América Latina tem sofrido um novo retrocesso político. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, boa parte dos países sofreu a suspensão da ordem democrática por meio de regimes militares. Nos últimos anos, países como Bolívia com Evo Morales; Equador com Rafael Correa; Nicarágua com Daniel Ortega; Paraguai com Fernando Lugo e a Venezuela com Hugo Chávez elegeram governantes de tendência populista e autoritária, sendo eles contastes críticos da liberdade dos mercados e da liberdade de imprensa. O maior representante do neopopulismo latino é o protoditador venezuelano Hugo Rafael Chávez Frías. Chávez denominou o seu populismo de “socialismo do século XXI” e “bolivarianismo”, baseado no libertador Simón Bolívar.
Definir as políticas de Hugo Chávez como neopopulistas são mera força de expressão, já que o populismo de hoje é praticamente o mesmo, tanto em suas características, como em suas consequencias. O neopopulismo nesse começo de século se alinhou aos sonhos autoritários de uma esquerda carnívora. As principais características do populismo, sejam as de hoje ou do passado, são:
Popularidade pelo assistencialismo
Os governantes populistas praticam o assistencialismo como política de compra e sustentação de votos. Além disso, o assistencialismo serve como manutenção da popularidade. Baseados nas necessidades de classes populares e carentes, os populistas não usam programas assistenciais como paliativos, mas sim como meios perpétuos de dependência do Estado pelo indivíduo.
Diante desse quadro, os populistas criticam todos os que defendem a meritocracia como sustentação própria do homem. Os populistas detestam a ideia do homem como ser autônomo. Preferem achar que o homem é um necessitado do cuidado paternal do Estado em lugar de condições de emprego e estudo para o crescimento pessoal.
Messianismo
Os líderes populistas se comportam como messias. No discurso demagogo se apresentam como a “salvação” para o país. O messianismo é atraente em uma região culturalmente ligada à Península Ibérica. No imaginário de santos e mártires, ligados ao forte catolicismo popular, acabou por fortalecer a figura de homens e mulheres especiais, designados divinamente para uma grande missão libertadora. Fato é que países de tradição protestante são mais resistentes aos líderes messiânicos.
O populismo e suas políticas já são um traço tão marcante da vida nacional. O sociólogo Alberto Carlos Almeida constatou por meio de pesquisas que a maior parte dos brasileiros são defensores de um Estado pesado que gerencie todos os aspectos da economia. Uma mentalidade menos estatizante é mais presente quando o brasileiro aumenta sua escolaridade:
No Brasil, a maioria da população, que tem escolaridade baixa, prefere um Estado mais forte. A mentalidade antiliberal é dominante. Mas, ao colocarmos uma lupa, observamos a divisão de mentalidade entre a escolaridade baixa e o nível superior. O canudo universitário dá poder e aqueles que o têm preferem um Estado mais fraco. [1]
Muitos, inclusive, não se importam com liberdade de imprensa, liberdade de mercados e acham que ser liberal é elitista. Em uma sociedade assim, qualquer discurso paternalista é capaz de mobilizar milhões e milhões de seguidores.
Criação de inimigos
Os populistas sempre enfatizam os seus inimigos reais ou imaginários. “O diabo é o outro”, como diz o chavão. No contexto latino os inimigos de sempre são o terrível imperialismo americano, as grandes multinacionais, os agentes financeiros e os organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Os neopopulistas sempre enfatizam o suposto “golpismo” da oposição, sendo que diante de qualquer crítica ou protesto é visto como um braço que quer derrubar o governo.
Mau gerenciamento econômico
As leis econômicas não fazem os gostos dos líderes populistas. Quase todos os governos latinos somente desmantelaram a economia com o “governo do povo”. Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, escreveu uma sobre o populismo econômico na América Latina, e constatou sobre as consequencias de políticas demagógicas:
Sem dúvida, o século XX não foi bom para os vizinhos aos sul dos Estados Unidos... A Argentina começou o século com PIB per capita real maior que o da Alemanha e dos Estados Unidos. O do México, durante o século, caiu de um terço para um quarto do PIB per capita dos Estados Unidos. O empuxo econômico de seus vizinhos do norte não foi suficiente para evitar a queda. Durante o século XX, os padrões de vida dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e da Ásia subiram, cada um deles, mais de um terço mais rápido que os da América Latina. Apenas a África e a Europa Oriental apresentaram desempenho pior. [2]
Quando a economia está em frangalhos, os populistas apelam para demonizar o inimigo. Confiscam mercadorias, taxam com mais impostos, congelam preços, consequentemente elevam a inflação para taxas astronômicas. Diante da crise, acusam as empresas de desestabilizarem o governo. Tal cenário já foi visto no Brasil, e hoje se repete na Venezuela de Hugo Chávez e, em menor grau, na Argentina do casal Kirchner.
A Venezuela, como citado, é um exemplo contemporâneo de desajustes econômicos, mesmo possuindo uma grande reserva de petróleo. O cientista político peruano Álvaro Vargas Llossa escreveu sobre a economia venezuelana comparando com a economia mexicana, assim apontando alguns dados ruins surgidos sob o governo do caudilho Hugo Chávez Frías:
De 1998 a 2005, a desvalorização da moeda foi de 16% no México e de 292% na Venezuela; a taxa de desemprego era de apenas 3,8% no primeiro e de (oficialmente) 12,9% na segunda, embora, pelas razões expostas, esse índice possa ser consideravelmente maior caso se descartem os empregos ocasionais financiados pelo governo; os lares em situação de extrema pobreza diminuíram no México em 49%, enquanto na Venezuela subiram cerca de 4,5%. [3]
Os recentes problemas como o racionamento de energia na Venezuela, além do câmbio artificial e da alta inflação, mostram que as leis de mercado simplesmente não se curvam diante dos mandos e desmandos de algum presidente. O Brasil, por exemplo, conseguiu uma verdadeira “revolução” econômica com o Plano Real em 1994, sem nenhum processo que visava uma ação midiática ou narcisista do líder da nação.
Empatia retórica com “o povo”
Os populistas dizem que amam “o povo”. Gostam de usar frases de empatia para com a população carente. Falam contra ricos e poderosos, sendo eles mesmos os primeiros ricos e poderosos. Apresentam grande facilidade de se apresentarem como “pai dos pobres”, “amigo dos desvalidos” e outros conjuntos de adjetivação atraentes. Aliás, os populistas olham para a população como uma grande massa e, por isso, usam e abusam da palavra “povo”.
A tendência populista é contrária ao individualismo. Contra essa tendência, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu: “Eu não acredito no povo. O povo é uma abstração totalitária. Eu acredito em pessoas” [4]. Na demagogia a ideia de “povo” é usada tanto para esconder o autoritarismo, como para camuflar a verdadeira intenção do governante, que é o bem pessoal em detrimento do trabalho pela sociedade.
Populista é nacionalista. O nacionalismo se converte em mais poder
O nacionalismo se manifesta de forma grotesca e alucinada. A nação precisa defender os seus recursos naturais e se militarizar contra os inimigos imperialistas. A nação também torna-se inimiga do capital financeiro, que segundo os populistas, só tem interesse em expropriar o país. Longe de usarem argumentos sinceros, os populistas buscam no orgulho nacional uma unidade para preservação e perpetuação do poder.
O nacionalismo na América Latina tem sido usado sistematicamente com o objetivo de poder. O caudilho, termo usado para ditadores latinos e espanhóis, abusam desse discurso para que a opinião pública apoie todos os planos do líder, dando mais poder sobre o legislativo e judiciário. Sob um estado de guerra, o populista tenta justificar todos os seus abusos contra a democracia e a liberdade. E logo proclama: “O Estado sou eu”.
O clássico Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano já alerta sobre isso nos idos da década de 1990:
O caudilho encarna o Estado- o personifica – mas também encarna a sociedade em seu conjunto. O caudilho é a nação. Quando o caudilho se aborrece, a nação se aborrece. Quando está triste, a sociedade se amofina. Quanto ele, o macho, está contente, ela, a fêmea sorri. Quanto mais amantes passam pela cama do chefe, mais se admiram os bíceps políticos do caudilho, mais assustam suas fobias e mais alegram suas inclinações. O humor do caudilho é marco jurídico, político, institucional a servir de referência diária ao país. Diante da ausência de instituições sólidas, o caudilho surge com sua força viril. A lona duração do governo compensa a instabilidade de sociedades incompletas. O caudilho torna-se a única coisa permanente, um verdadeiro projeto nacional em si mesmo [5].
Eis um retrato perfeito da Venezuela atual, onde o caudilho Hugo Chávez já resolveu mudar até o fuso horário do país. Ainda por cima, Chávez governa a vida das pessoas pela televisão, falando do tempo no banho e até da suposta influência dos vídeos games sobre as crianças.
Liberdade às favas
Os populistas minam a liberdade por acreditar que “o povo” é incapaz de se governar. Acham sempre que a população precisa de sua tutela. Dessa forma, decidem desde a comida que a população deve consumir até o jornal que devem ler. Em um Estado governado por um populista, a liberdade sempre será confrontada e solapada pelos gostos do governante. Aliás, quando um líder é maior que a instituição que representa, o autoritarismo já bate na porta.
O populista não possui mecanismos de controle, portanto é um estilo de líder incompatível com a democracia. Com seu discurso inaugural, esse tipo de governante implanta a divisão no país, fazendo com que toda a população se volte contra este ou aquele grupo político. Aliás, o populista acredita em completamente “puros” e completamente“ímpios”, sendo ele o exemplo máximo do melhor que há no mundo. A visão maniqueísta somente leva para a divisão de uma sociedade marcada pela violência e corrupção. Em regimes assim sempre haverá presos políticos.
Democracia reinventada e distorcida
Os esquerdistas sempre valorizam a chamada “democracia direta”, que por meio de plebiscitos e movimentos sociais, a sociedade decide o que quer. Bem, os populistas também acreditam na “democracia direta”, ao ponto que utilizam vários plebiscitos para supostamente manifestar a vontade da maioria. Com propagandas e a máquina do Estado, o líder usa desse artifício para impor a sua vontade.
Sobre a democracia direta, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirmou em entrevista que “a tese de contato direto com a população foi usada pelo fascismo” [6]. Certamente, tal artifício somente esconde as intenções autoritárias que minam a democracia por dentro. É bom lembrar que a democracia e o Estado Democrático de Direito não acabam de um dia para a noite, mas sim por processos lentos e constantes rumo ao autoritarismo. Portanto, toda a atenção é pouca diante das várias tentativas de destruir os preceitos democráticos.
Como nem sempre a maioria está certa, e também lembrando que as leis são feitas na base de muita reflexão, nada melhor do que a democracia representativa. Realmente o legislativo no Brasil não ajuda na imagem da representação, mas apesar das imperfeições, a democracia necessita ser um espaço de moderação e civilidade, e não uma maneira de agir baseado na emoção e calor do momento. O professor Ricardo Vélez Rodríguez escreveu que a união entre “povo” ou “massa” supostamente representada sem instituições mediadoras é certamente autoritarismo: “Preocupa notadamente o fato... da tentativa dos Executivos hipertrofiados pretenderem se vincular diretamente às massas- ao povão que dizem representar – deixando de lado as instituições do governo representativo” [7].
Conclusão
O populismo não combina com democracia. A verdadeira representação passa por representantes legitimamente eleitos, e não nos desdobramentos narcisistas de um líder autoritário. A liberdade sempre é ameaça quando um homem ganha a estatura de um Estado.
Referência Bibliográfica:
[1] ALMEIDA, Alberto Carlos. A Cabeça do Brasileiro. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p 211.
[2] GREENSPAN, Alan. A Era da Turbulência- Aventuras em um novo mundo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p 323.
[3] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. A Volta do Idiota. 1 ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007. p 73.
[4] AZEVEDO, Reinaldo. Máximas de um País Mínimo. 1 ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. p 154.
[5] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. 7 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil e Instituto Liberal, 2008. p 243.
[6] RODRIGUES, Leôncio Martins. Democracia direta é impossível de realizar. Entrevista. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 17 jan. de 2010. Caderno Nacional. A8.
[7] RODRÍGUEZ, Ricardo Vélez. O Neopopulismo na América do Sul- Aspectos Conceituais e Estratégicos. Disponível em: <> Acesso em: 18 jan. 2010.
Por Gutierres Siqueira
O desinteresse pela leitura e a ascensão da internet são os grandes desafios dos jornais impressos neste início de século. Acadêmicos, jornalistas e empresários discutem caminhos e soluções para a nova realidade, já que é preciso disputar espaço com as novas mídias eletrônicas e enfrentar a falta de leitores. Com a queda das tiragens, os jornais encaram a dura realidade de perder receitas em publicidades e o próprio consumo do produto.
O jornal impresso, como qualquer bem cultural, não é possível de ser mantido sem financiamento. A publicidade, as assinaturas e as vendas nas bancas e livrarias são essenciais para os jornais manterem a estrutura com jornalistas espalhados por todo o país e pelas principais nações.
I. A crise dos jornais no Estados Unidos
O ano de 2008 despertou um sinal amarelo com as falências de alguns jornais centenários nos Estados Unidos. O jornal Rocky Mountain News, da cidade de Seattle (Washington) faliu após 150 anos de circulação. O The New York Times está vivendo em constante dívida. O jornal precisou vender parte do seu luxuoso prédio para quitar algumas pendências. Além disso, foi necessário pegar dinheiro emprestado com o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel no Brasil.
Reportagem do jornalista André Petry resume bem a crise dos jornais nos Estados Unidos:
O Cincinnati Post de 1881, fechou. O Philadelphia Inquirer, um dos vinte maiores jornais do país, com 180 anos de circulação, pediu concordata. A Tribune Company, que publica títulos como Los Angeles Times e Chicago Tribune, também pediu concordata. O histórico San Francisco Chronicle está à beira da morte. Se ele fechar, São Francisco será a primeira grande cidade americana a não ter um jornal local. O Seattle Post-Intelligencer, cujos repórteres eram confundidos no exterior com "agentes da CIA" devido ao "intelligencer" no nome do jornal, fechou sua versão impressa e agora só existe on-line. O Christian Science Monitor também encerrou sua operação em papel. Em San Diego, o San Diego Union-Tribune luta para sobreviver num ambiente inóspito: a cidade já conta com dois jornais virtuais e um deles, Voice of San Diego, não tem fins lucrativos. Vive de doações. O Boston Globe, do mesmo grupo do Times, está no abismo. Ou corta 20 milhões de despesas ou será vendido. Ou fechado. [1]
O único grande jornal americano que apresentou crescimento em 2009 foi o Wall Street Journal, com um aumento de 0,61%. Hoje, o Wall Street Journal pertence ao conglomerado News Corporation de Rupert Murdoch. O empresário Murdoch tem defendido a combrança de parte do conteúdo online dos jornais do grupo. Seguindo a mesma linha, alguns dos principais jornais do mundo aderiu ao modelo de cobrança do conteúdo mais analítico. Financial Times (Inglaterra), The Guardian,
II. Os jornais impressos no Brasil
Em 2009, no ano em que o PIB do Brasil cai 0,2%, a circulação dos jornais pagos caiu 3,46%, segundo estimativas da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A Folha de S. Paulo manteve a liderança, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC), com tiragem média de 296 mil exemplares. Entre os principais jornais do país, O Globo ocupa o segundo lugar com 257 mil exemplares. A circulação média de O Estado de S. Paulo no ano passado foi de 213 mil exemplares
CONCLUSÃO
Aos jornais, resta o talvez fundamental: a explicação do fato, a sua interpretação, a sua análise, os seus efeitos. Não se trata de fazer um jornal intelectualizado, para as elites, mas um jornal que, com linguagem acessível, possa com clareza dar ao leitor médio os desdobramentos das notícias. Tradicionalmente, pela extensão de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televisão. Trata-se de radicalizar esta postura.
Ao pegar na manhã seguinte os jornais, os leitores já não querem ser informados dos fatos, porque já o foram na véspera; querem saber que efeitos eles provocam, que análise pode explicá-los, qual a correta interpretação, como se situar diante deles.
Fomos, afinal, treinados durante décadas para dar notícias e não tanto para analisá-las
Outro caminho que garantirá a sobrevivência dos jornais é menos a publicação do que chamo de acontecimentos, fatalmente noticiados mais rapidamente pela mídia eletrônica, e mais a produção de acontecimentos. Explico-me: todo esforço deve ser feito na busca de reportagens especiais, investigativas, que criem fatos, ou melhor, que os revelem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
[1] PETRY, André. Inferno na Torre do Times. Veja. São Paulo, p 90-93. Ed. 2110, 29 de abril de de 2009.
KAMEL, Ali. Vida longa para os jornais impressos. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE JORNALISTAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, III. Anais. Lisboa, 1997. Observatória da Imprensa: São Paulo, 2005. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/cadernos/do2005b2.htm > Acesso em: 11 abril de 2010.